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Fibrilação atrial: devo fazer ablação?

A fibrilação atrial é o tipo de arritmia mais comum no mundo. Uma das opções de tratamento é a ablação. Entenda o que é esse procedimento e em quais casos ele é indicado
Por: Rede D'Or
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A fibrilação atrial é a arritmia cardíaca mais comum do mundo. De acordo com um estudo publicado no Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, essa condição afeta 33 milhões de pessoas em todo o mundo.

Ainda de acordo com o estudo Preditores de mortalidade relacionados à flutter e fibrilação atrial: Descrição brasileira de 2018 a 2023, em 2023, foram registrados 3.046 novos casos, representando um aumento de 33% nos últimos 20 anos. A fibrilação atrial faz com que o ritmo dos batimentos cardíacos se torne irregular e, muitas vezes, acelerado, aumentando o risco de derrames.

Quando medicamentos e outros tratamentos não são eficazes, uma das opções recomendadas pelos cardiologistas é a ablação. Mas será que você deve considerar esse procedimento? Vamos entender melhor o que é a ablação e em quais casos ela é indicada.

O que é fibrilação atrial?

“O nosso coração é dividido entre átrios e ventrículos, e, em condições normais, o ritmo do coração é controlado por uma região do átrio. A fibrilação atrial (INCLUIR LINK DE TEXTO QUANDO ENTRAR Fibrilação atrial: o que é, quais os riscos e tratamento) acontece quando há uma espécie de curto-circuito dentro do átrio, fazendo com que haja a perda do ritmo normal do coração por outro anormal”, explica o cardiologista eletrofisiologista da Rede D’Or Dr. William Souza.

De acordo com o cardiologista especializado em estimulação cardíaca e eletrofisiologia, o ritmo anormal do coração traz duas grandes consequências:

1 – Alterações na frequência do coração:

O coração pode bater muito rápido, devagar ou de maneira descompassada.

2 – Aumento do risco da formação de coágulos dentro do coração:

“Esse é o principal risco da fibrilação atrial. Pacientes que estão nessa condição têm maior risco de AVC (isquemia cerebral) devido à formação de coágulos no coração que podem se soltar e entupir alguma artéria cerebral ou de outra área do corpo”, destaca Dr. William Souza.

LEIA TAMBÉM: Fibrilação atrial e AVC: qual a relação?

Tratamentos disponíveis para a fibrilação atrial

A fibrilação atrial é uma arritmia que requer tratamento para controlar o ritmo cardíaco e reduzir o risco de complicações. Os tratamentos disponíveis variam de acordo com a gravidade dos sintomas, a saúde geral do paciente e outros fatores.

Segundo Dr. Souza, o tratamento da fibrilação atrial consiste em três grupos de ações:

1 – Controle inicial dos sintomas e prevenção de complicações:

“Essa etapa é a primeira e a mais importante para proteger o paciente dos efeitos ruins da arritmia, e é obtida através de medicamentos orais na maior parte das vezes. Em condições raras e graves o paciente precisa internar-se para obter o controle mais rápido da frequência do coração”, destaca o especialista.

2 – Identificação e controle dos fatores de risco:

A segunda etapa é dedicada a descobrir e tratar os fatores que desencadeiam a arritmia. “Essa etapa depende dos riscos individuais, fatores familiares, hábitos de vida e outras condições a que o paciente está exposto. É uma etapa fundamental para o sucesso do tratamento em longo prazo”, declara.

3 – Restauração do ritmo normal do coração:

O terceiro grupo de ações visa restaurar o ritmo normal do coração. “Este controle pode ser realizado de duas formas principais: através do uso de medicamentos específicos para combater a arritmia ou através de um procedimento invasivo chamado ablação por cateter”, explica.

Dr. William Souza destaca que a escolha do tratamento mais adequado depende de cada paciente, levando em consideração suas condições individuais.

“É válido citar, que, por vezes é necessário realizar uma cardioversão elétrica para interrupção imediata da arritmia. Esse procedimento é feito no hospital com paciente internado, após exames afastarem a presença de coágulos no coração, e é necessário quando está indicada a interrupção imediata da arritmia”, complementa.

A cardioversão é uma solução temporária que interrompe a arritmia de forma imediata, mas não previne sua recorrência. Para um controle mais duradouro, o uso de medicamentos ou a realização de uma ablação são as opções mais eficazes.

O que é ablação?

A ablação é um procedimento invasivo que tem como objetivo corrigir a arritmia, destruindo pequenas áreas do tecido cardíaco que estão gerando sinais elétricos irregulares.

Ela é realizada com cateteres introduzidos através da virilha até o coração do paciente, no centro cirúrgico ou sala de hemodinâmica sob anestesia, garantindo que o paciente não sinta dor durante a intervenção.

Dr. William Souza destaca que a ablação é sempre precedida por um exame da atividade elétrica do coração, conhecido como estudo eletrofisiológico. Esse procedimento confirma a presença de arritmia e analisa detalhadamente a condução elétrica cardíaca.

Após a conclusão do estudo eletrofisiológico, a ablação é realizada imediatamente. Esse procedimento envolve o uso de um cateter especial para modificar áreas do tecido cardíaco onde ocorre a arritmia. Essa modificação é feita por meio de cauterização, que pode ser realizada utilizando energia térmica (aquecendo ou resfriando o tecido) ou energia eletromagnética (ablação por campo pulsado).

VEJA TAMBÉM: O que é cateterismo cardíaco e como é realizado

O procedimento é responsável por eliminar os focos de arritmia que iniciam o “curto-circuito” no coração. “Na etapa inicial do estudo nós confirmamos os locais em que existem esses curtos-circuitos, e na ablação os cauterizamos. Uma vez que os focos de arritmia são eliminados, a chance de ela retornar diminuir drasticamente”, afirma.

Benefícios da ablação

A principal vantagem do tratamento por ablação em comparação ao tratamento medicamentoso está no tempo que leva para a arritmia retornar. Após a ablação, a arritmia tende a demorar mais para reaparecer, enquanto com a medicação ela pode ocorrer com mais facilidade. O médico eletrofisiologista da Rede D’Or ressalta que, em ambos os casos, a arritmia pode voltar, mas a ablação é mais eficaz em prevenir essa recorrência.

“Outra vantagem da ablação é que, passado o tempo inicial de recuperação, alguns medicamentos podem ser diminuídos ou suspensos totalmente. Isso depende de cada caso, e será julgado com o médico e o paciente após o período inicial de observação”, descreve.

A ablação oferece diversos benefícios aos pacientes, entre os quais se destaca a redução significativa dos sintomas de fibrilação atrial, como fadiga, falta de ar e palpitações. Com a diminuição desses sintomas, muitos pacientes relatam uma melhora na qualidade de vida, sentindo-se mais dispostos e capazes de retomar suas atividades diárias, o que contribui para um bem-estar geral mais elevado.

“O tratamento ablativo é uma modalidade acessível, eficiente, segura e indicada para maior parte dos pacientes”, avalia.

Riscos da ablação

A ablação é um procedimento muito seguro, mas como todo procedimento invasivo, existem complicações associadas.

Dr. William Souza explica que os principais riscos estão associados à manipulação dos cateteres dentro do coração e são:

  • Dano elétrico no coração;
  • Perfuração do coração;
  • Formação de coágulos durante o procedimento;
  • Dano nos tecidos em volta do coração causado pela cauterização do cateter de ablação.

“Essas complicações são raríssimas, e existem mecanismos de segurança para monitorarmos e evitarmos”, reforça.

Devo fazer ablação?

Segundo Dr. William Souza, o primeiro grupo de pacientes para os quais a ablação é fortemente recomendada são aqueles que apresentam fibrilação atrial com sintomas ou consequências ruins da arritmia no coração, especialmente quando as tentativas de tratamento com medicamentos não foram eficazes.

O segundo grupo para o qual a ablação é altamente recomendada é formado por pessoas que apresentam alterações graves no coração devido a outras condições, nas quais a arritmia representa um risco adicional para a saúde do paciente.

“Há um grupo pequeno de pacientes em que as alterações cardíacas desencorajam a realização de ablação. Isso é verificado após a consulta com o especialista e a realização de exames”, explica.

O médico complementa que a ablação não é recomendada em algumas circunstâncias como:

– Alterações profundas da anatomia do coração (como determinadas doenças de nascença do coração por exemplo);

– Presença de outras doenças que aumentem o risco do procedimento;

– Contraindicação aos medicamentos que são necessários após a ablação (como anticoagulantes).

“Não há uma idade máxima para realizar ablação, mas em pacientes de idade avançada e frágeis a indicação do procedimento deve ser pesada individualmente”, aconselha.

Recuperação após ablação

Normalmente o paciente interna-se no dia do procedimento e recebe alta no dia seguinte. A recuperação completa leva cinco dias, incluindo a internação e quatro dias em casa.

“Durante esse período o paciente deve evitar esforço físico, não deve dirigir, deve evitar subir e descer escadas e manter uma alimentação equilibrada. Após o quinto dia, o paciente volta à sua rotina normal”, orienta.

Se você sofre de fibrilação atrial e está considerando a ablação, agende uma consulta com um dos nossos cardiologistas para uma avaliação completa e personalizada.