Novo estudo da JAMA atualiza diagnóstico e tratamento da osteoporose

A osteoporose é definida pela Organização Mundial da Saúde como uma doença caracterizada por baixa massa óssea e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, resultando em aumento da fragilidade esquelética e maior suscetibilidade a fraturas.
Estima-se que uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens com mais de 50 anos apresentarão fraturas osteoporóticas ao longo da vida, com impacto relevante sobre morbidade, mortalidade e custos em saúde.
Uma revisão recente publicada na JAMA reavaliou evidências provenientes de ensaios clínicos randomizados, metanálises, estudos observacionais e diretrizes internacionais, com o objetivo de propor uma abordagem atualizada, prática e centrada no risco individual para o diagnóstico e tratamento da osteoporose.
Segundo o estudo, o foco principal desloca-se da densidade mineral óssea isolada para a estimativa do risco absoluto de fratura, integrando dados clínicos, densitométricos e escores preditivos.
Fatores de risco clínicos para osteoporose e fraturas
A revisão reforça que a osteoporose reflete tanto a incapacidade de atingir pico adequado de massa óssea na juventude quanto a perda óssea acelerada em fases posteriores da vida. Entre os fatores de risco mais relevantes estão:
Fatores de risco para osteoporose e fraturas osteoporóticas

O uso crônico de glicocorticoides (≥5 mg/dia de prednisona por mais de três meses), tabagismo ativo, consumo elevado de álcool (≥3 doses diárias) e doenças como artrite reumatoide, doença inflamatória intestinal, insuficiência renal crônica e doença hepática crônica também estão associados a maior risco de perda óssea e fraturas.
Dados apresentados no artigo indicam ainda que:
- Uma fratura osteoporotica prévia aumenta o risco de novas fraturas em quase duas vezes (hazard ratio de 1,88);
- A ocorrência de trauma de baixo impactos no último ano eleva esse risco em cerca de 40% a 50%, tanto em homens quanto em mulheres.
O diagnóstico clínico da osteoporose depende da ocorrência de fraturas de quadril e vértebras relacionadas a trauma de baixo impactos, ou da ocorrência de múltiplas fraturas não traumáticas na ausência de de outra causa clínica, como câncer ósseo ou doença óssea metabólica.
A presença de fraturas vertebrais, mesmo assintomáticas ou antigas, está associada a risco elevado de novas fraturas, independentemente do valor do T-score. Aproximadamente dois terços das fraturas vertebrais não são diagnosticadas, sendo identificadas apenas de forma incidental em exames de imagem realizados por outros motivos.
Achados clínicos como perda de estatura, aumento da distância occipital–parede e redução do espaço entre costelas e pelve devem motivar investigação radiológica.
Avaliação diagnóstica e ferramentas de estratificação de risco
A revisão reforça a importância do uso de ferramentas de predição de risco na abordagem atual. O FRAX estima a probabilidade de fraturas maiores e de quadril em 10 anos, incorporando idade, sexo, índice de massa corporal, fraturas prévias, uso de glicocorticoides, tabagismo, etilismo, artrite reumatoide e densidade mineral óssea do colo femoral, quando disponível.
A calculadora FRAXplus refina o cálculo do risco de fraturas ao incorporar outros elementos de risco como:
- recência da fratura osteoporotica
- exposição a glicocorticoides acima da média
- informação do Trabecular Bone Score
- número de trauma de baixo impactos no último ano
- duração da DM2
- informação da densidade mineral da coluna lombar
- comprimento do eixo do quadril
- hiperparatireoidismo primário
- número de fraturas prévias
Acesse aqui (link para https://abrasso.org.br/frax-brasil/ ) o site da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO) e as calculadoras FRAX e FRAXplus.

A densitometria óssea por dupla energia de raios X (DEX) continua sendo o método padrão para avaliação da densidade mineral óssea, expressa em g/cm² e convertida em T-score.
Pontos de corte para os resultados de T-score no diagnóstico da osteoporose:
- T-score ≤ –2,5: osteoporose densitométrica
- T-score entre –1,0 e –2,5: osteopenia
A realização da DEXA em serviços com controle rigoroso de qualidade e acreditações reconhecidas contribui para maior confiabilidade dos resultados e melhor integração com as ferramentas de avaliação de risco. No Brasil, a ProQuaD é realizada pela Associação Brasileira de Avaliação óssea e Osteometabolismo (ABRASSO).
Recomendações para o screening de risco de fraturas e realização da análise da DMO.
A idade recomendada para início da triagem para avaliação de risco de fraturas varia entre diferentes Diretrizes: de recomendações para screening somente em populações de risco a screening em todos acima de 50 anos.
A Bone Health and Osteoporosis Foundation recomenda a realização de densitometria óssea em:
- mulheres pós-menopausa entre 50 e 64 anos
- homens entre 50 e 69 anos com fatores de risco como fratura prévia, trauma de baixo impactos frequentes
- mulheres a partir de 65 anos
- homens a partir de 70 anos
Impacto do tratamento farmacológico na redução de fraturas
Os bisfosfonatos orais e intravenosos são recomendados como primeira linha em pacientes com alto risco de fraturas osteoporóticas. Metanálises citadas na revisão demonstram redução de fraturas vertebrais em aproximadamente 50 a 60 por 1.000 pessoas-ano e redução de fraturas de quadril em cerca de 6 por 1.000 pessoas-ano.
O denosumabe reduz fraturas vertebrais, não vertebrais e de quadril, com eficácia sustentada enquanto o tratamento é mantido. A interrupção ou atraso superior a um mês está associada a rápida perda óssea e aumento do risco de fraturas vertebrais, o que exige planejamento cuidadoso da transição terapêutica.
Em indivíduos de risco muito elevado, terapias anabólicas, como teriparatida, abaloparatida e romosozumabe, promovem aumento mais rápido da densidade mineral óssea e maior redução do risco de fraturas vertebrais. O romosozumabe, quando seguido por bisfosfonato, mostrou redução adicional de fraturas clínicas em comparação ao uso isolado de bisfosfonatos.
Informações mais detalhadas sobre indicações específicas, esquemas terapêuticos, eficácia, efeitos colaterais podem ser encontrados no artigo de revisão em questão.
Medidas não farmacológicas e prevenção de trauma de baixo impactos
Exercícios de resistência progressiva estão associados a aumento da densidade mineral óssea do colo femoral e melhora da capacidade funcional. Programas de equilíbrio reduzem a taxa de trauma de baixo impactos em cerca de 24% em adultos da comunidade.
A ingestão diária recomendada de cálcio varia entre 1.000 e 1.200 mg, e de vitamina D entre 600 e 800 UI, conforme faixa etária. A suplementação em indivíduos sem deficiência documentada, não demonstra redução consistente de fraturas, segundo a revisão que aqui comentamos.
Acompanhamento do risco após tratamento específico
A repetição da densitometria permite avaliar a resposta terapêutica, desde que considerada a variabilidade do método e o erro de precisão do equipamento. O aumento da densidade mineral óssea acima do erro de medição está associado a menor risco subsequente de fraturas.
Considerações finais
A revisão da JAMA consolida uma abordagem centrada no risco individual de fratura como eixo do manejo da osteoporose. A integração entre fatores clínicos, T-score da densitometria óssea, ferramentas preditivas e escolha adequada da terapia permite decisões mais alinhadas ao perfil do paciente, com potencial impacto na redução de fraturas, perda funcional e mortalidade associada à doença.
O Richet oferece serviço de densitometria acreditado pela ABRASSO, pela técnica de absorciometria por dupla emissão de raios-X (DXA), e análise do resultado de acordo com as Posições Oficiais da International Society for Clinical Densitometry e da ABRASSO
Referência:
Morin SN, Leslie WD, Schousboe JT. Osteoporosis: A Review. JAMA. 2025;334(10):894–907. doi:10.1001/jama.2025.6003