Você está em Oncologia D`Or
Você está em Oncologia D`Or

A vitamina D ajuda a prevenir e tratar o câncer?

Apesar do nome, a vitamina D é, na verdade, um pró-hormônio, essencial para o bom funcionamento do organismo, sobretudo por sua atuação na saúde óssea. Ela participa da absorção de cálcio e fósforo, minerais fundamentais para manter ossos e dentes fortes, mas também exerce funções importantes na regulação do sistema imunológico, no controle da inflamação e nos processos de renovação e diferenciação celular. Esses mecanismos são relevantes para a prevenção de diversas doenças.

Nos últimos anos, pesquisadores têm investigado o possível papel da vitamina D tanto na prevenção quanto no tratamento de diferentes tipos de câncer. Estudos observacionais sugerem que níveis adequados desse pró-hormônio no organismo podem estar associados a uma menor incidência de alguns tumores malignos.

Além disso, algumas pesquisas indicam que a vitamina D pode influenciar a progressão da doença e a resposta a determinados tratamentos oncológicos. Embora ainda não exista um consenso definitivo na literatura, o interesse da comunidade médica e científica sobre esse tema cresce continuamente, estimulando novos estudos clínicos e laboratoriais.

Como a vitamina D atua no organismo?

A principal forma de obtenção da vitamina D ocorre por meio da exposição à luz solar. Quando a pele entra em contato com os raios ultravioleta B (UVB), o organismo inicia a produção da vitamina D3, também chamada de colecalciferol. Essa forma ainda é biologicamente inativa e precisa passar por duas etapas de transformação: primeiro no fígado, onde é convertida em 25-hidroxivitamina D, e depois nos rins, onde se transforma em calcitriol, a forma ativa da vitamina D.

O calcitriol atua como um hormônio, ligando-se aos receptores de vitamina D (VDR), presentes em diversos tecidos e órgãos, como intestino, ossos, rins, pulmões, sistema nervoso e células do sistema imunológico. Sua função mais conhecida é a regulação do metabolismo do cálcio e do fósforo, essencial para a formação e manutenção da massa óssea. No entanto, sua atuação vai muito além disso.

A vitamina D também exerce papel importante na modulação do sistema imunológico, ajudando a equilibrar a resposta inflamatória e a defesa contra infecções. Além disso, níveis adequados desse pró-hormônio estão associados à melhora da força muscular, à saúde cardiovascular, à regulação metabólica e ao bem-estar mental.

A vitamina D ajuda na prevenção do câncer?

Diversos estudos sugerem que a vitamina D pode ter um papel relevante na prevenção do câncer, principalmente por sua influência em mecanismos celulares fundamentais, como o controle da proliferação celular, a indução da diferenciação e a ativação da morte celular programada (apoptose). Esses processos são essenciais para evitar o crescimento desordenado das células, característica central do desenvolvimento tumoral.

Revisões científicas disponíveis em bases como o National Center for Biotechnology Information (NCBI) indicam que níveis adequados de vitamina D no sangue estão associados a uma menor incidência de alguns tipos de câncer, sobretudo os de mama, próstata e colorretal.

Uma das explicações para esse possível efeito protetor é a presença dos receptores de vitamina D em diversos tecidos do organismo, incluindo células tumorais. Quando ativada, a vitamina D pode se ligar a esses receptores e modular a expressão de genes envolvidos no ciclo celular, contribuindo para o controle do crescimento celular e para a redução da chance de mutações que favorecem o surgimento de tumores.

Além disso, a vitamina D apresenta propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladoras, o que também pode colaborar para a prevenção do câncer, uma vez que a inflamação crônica é reconhecida como um fator associado ao desenvolvimento de várias neoplasias.

Apesar desses achados, ainda são necessários estudos clínicos mais robustos para confirmar se a vitamina D reduz de forma direta a chance de câncer em diferentes populações. Ainda assim, manter níveis adequados desse pró-hormônio no organismo é reconhecido como uma medida importante para a saúde geral.

Vitamina D no tratamento do câncer: o que se sabe até agora?

Além de seu possível papel na prevenção, a vitamina D também vem sendo estudada como uma aliada no tratamento do câncer, principalmente como terapia adjuvante, ou seja, um recurso complementar às estratégias oncológicas convencionais.

Segundo a Sociedade Brasileira de Nutrição Oncológica (SBNO), a forma ativa da vitamina D, o calcitriol, pode exercer efeitos benéficos em diferentes aspectos do microambiente tumoral. Entre as principais ações observadas em estudos experimentais e clínicos, destacam-se:

  • Inibição da proliferação celular;
  • Indução da apoptose (morte programada de células defeituosas);
  • Inibição da angiogênese, dificultando a formação de novos vasos sanguíneos que nutrem o tumor;
  • Modulação da resposta do sistema imunológico;
  • Redução da inflamação crônica.

A presença de receptores de vitamina D em muitos tipos de células tumorais reforça a hipótese de que o calcitriol possa atuar diretamente sobre essas células, de modo a alterar seu comportamento biológico e dificultar sua multiplicação.

Existem evidências promissoras principalmente para os cânceres colorretal, de mama, próstata e pulmão. No entanto, até o momento, não há dados suficientes para recomendar a suplementação de vitamina D como parte obrigatória ou padrão do tratamento oncológico.

Por esse motivo, o uso de vitamina D durante o tratamento do câncer deve ser sempre individualizado e feito sob supervisão médica e nutricional, considerando o estado clínico, os níveis séricos e as características de cada paciente.

Leia também: Músculos e ossos fortes contribuem na jornada oncológica do paciente

Quais são os níveis ideais de vitamina D no corpo?

A avaliação dos níveis de vitamina D no organismo é realizada por meio de um exame de sangue que mede a concentração de 25-hidroxivitamina D [25(OH)D], a principal forma circulante da substância. De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), os valores considerados adequados são:

  • Acima de 20 ng/mL para indivíduos jovens e saudáveis;
  • Acima de 30 ng/mL para idosos, gestantes, lactantes, pessoas com osteoporose, histórico de quedas ou fraturas, hiperparatireoidismo, raquitismo ou osteomalácia, síndromes de má absorção, doenças autoimunes, doenças inflamatórias crônicas e doença renal crônica.

A super suplementação de vitamina D pode trazer riscos importantes à saúde e deve ser evitada. Quando consumida em excesso, ela pode levar à hipervitaminose D, uma condição caracterizada pelo aumento dos níveis de cálcio no sangue (hipercalcemia). Esse desequilíbrio pode causar sintomas como náuseas, vômitos, constipação, fraqueza muscular, confusão mental e sede excessiva.

Em casos mais graves e prolongados, o excesso de vitamina D pode resultar em calcificação de tecidos e órgãos, principalmente dos rins e vasos sanguíneos, o que aumenta a chance de ter cálculos renais, insuficiência renal e complicações cardiovasculares. Por isso, a suplementação deve ser individualizada, baseada em exames laboratoriais e realizada sob acompanhamento médico, evitando o uso indiscriminado de altas doses sem indicação clínica.

Como manter níveis ideais de vitamina D?

Manter níveis adequados de vitamina D é fundamental para a saúde óssea, imunológica e para diversas outras funções do organismo. Isso pode ser alcançado por meio de medidas simples, respeitando as características individuais e sempre com orientação profissional.

A principal fonte de vitamina D é a exposição solar. A radiação ultravioleta B (UVB) estimula a produção cutânea da vitamina D3 (colecalciferol). Para a maioria das pessoas, cerca de 10 a 30 minutos de exposição ao sol por dia, com braços e pernas expostos e sem uso de protetor solar nesse período, costumam ser suficientes, preferencialmente antes das 10h ou após as 16h.

Embora a alimentação não seja a principal fonte de vitamina D, alguns alimentos podem contribuir para a manutenção dos níveis, como:

  • Peixes gordurosos, como salmão, atum e sardinha;
  • Gema de ovo;
  • Fígado bovino;
  • Alimentos fortificados, como leites, margarinas e cereais.

Em situações de deficiência ou quando a exposição solar e a alimentação não são suficientes, pode ser indicada a suplementação de vitamina D, geralmente nas formas D2 (ergocalciferol) ou D3 (colecalciferol). A dose deve ser individualizada e prescrita por um médico, pois o excesso desse pró-hormônio pode levar à toxicidade, com efeitos adversos como hipercalcemia e comprometimento da função renal.

Se precisar, pode contar com a Oncologia D’Or!

A Oncologia D’Or transforma o cuidado com o câncer por meio de uma rede integrada de clínicas e centros de tratamento presentes em diversos estados do país. Com um corpo clínico especializado e equipes multidisciplinares dedicadas, proporcionamos uma jornada de atendimento que une tecnologia avançada, diagnóstico ágil e tratamentos personalizados.

Como parte da Rede D’Or, a maior rede de saúde da América Latina, garantimos acesso às estruturas hospitalares mais modernas e aos avanços científicos que fazem a diferença na vida dos pacientes.

Nosso compromisso é oferecer excelência, conforto e segurança em todas as etapas do tratamento oncológico, promovendo saúde e qualidade de vida.

Revisor científico
Dra. Fernanda Frozoni Antonacio
Oncologista Clínica
Rede D’or – Hospital Vila Nova Star e Hospital São Luiz Itaim

Compartilhe este artigo