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Câncer de pulmão em não fumantes: por que os casos estão aumentando?

Entenda por que o câncer de pulmão em não fumantes está aumentando, quais são os principais fatores de risco e quando investigar os sintomas.

Embora o tabagismo continue sendo o principal fator de risco para o câncer de pulmão, um número significativo e crescente de casos tem sido diagnosticado em pessoas que nunca fumaram ou que tiveram exposição mínima ao cigarro. Esse fenômeno vem sendo observado em diversos países e tem ganhado relevância na prática clínica, especialmente entre mulheres e pessoas que vivem em grandes centros urbanos.

Estudos internacionais estimam que entre 10% e 25% dos casos de câncer de pulmão ocorram em indivíduos que nunca fumaram. No Brasil, essa proporção também parece estar aumentando, principalmente entre as mulheres, embora ainda existam limitações nos dados epidemiológicos nacionais.

Esse aumento pode ser explicado por diversos fatores, entre eles:

  • Melhoria dos métodos de diagnóstico por imagem, permitindo a identificação de tumores em fases mais precoces.
  • Maior exposição a poluentes ambientais e agentes cancerígenos ocupacionais.
  • Redução do tabagismo em parte da população, tornando proporcionalmente mais evidente a ocorrência de casos em não fumantes.
  • Maior reconhecimento das alterações genéticas (mutações) associadas ao câncer de pulmão em pessoas que nunca fumaram.

Quais são os principais fatores de risco além do tabagismo?

Poluição atmosférica: A exposição prolongada ao material particulado fino (PM2.5), ao dióxido de nitrogênio e a outros poluentes do ar está associada ao aumento do risco de câncer de pulmão. A poluição atmosférica é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como carcinogênica para humanos.

Exposição ocupacional: Contato frequente com substâncias como amianto, arsênio, cromo, níquel, berílio, sílica cristalina, radônio e fumaça de motores a diesel pode aumentar significativamente o risco da doença.

Fatores genéticos: Algumas pessoas apresentam predisposição hereditária ao desenvolvimento do câncer de pulmão. Além disso, tumores em não fumantes frequentemente apresentam alterações moleculares, como mutações no gene EGFR, além de alterações em ALK, ROS1, RET, HER2 e outros genes que podem influenciar o tratamento.

Fumaça da cozinha doméstica: A exposição prolongada à fumaça produzida pela queima de carvão, lenha ou óleos de cozinha em ambientes pouco ventilados também está associada ao aumento do risco, especialmente em alguns países.

Doenças pulmonares crônicas: Histórico de tuberculose, fibrose pulmonar e processos inflamatórios crônicos do pulmão podem aumentar discretamente o risco de desenvolvimento da doença.

Radiação ionizante: Pessoas submetidas previamente à radioterapia na região do tórax ou expostas ao gás radônio, encontrado naturalmente em algumas regiões, apresentam maior risco de desenvolver câncer de pulmão.

Quais sintomas devem chamar atenção?

Os sintomas costumam ser semelhantes aos observados em fumantes, mas muitas vezes são subestimados por não haver histórico de tabagismo. Os principais sinais incluem:

  • Tosse persistente ou que muda de característica.
  • Falta de ar (dispneia) progressiva.
  • Dor no peito.
  • Escarro com sangue (hemoptise).
  • Cansaço ou fadiga excessiva.
  • Perda de peso sem causa aparente.
  • Infecções respiratórias frequentes ou de difícil resolução.

Quando procurar um médico?

É recomendável procurar avaliação médica quando sintomas respiratórios persistirem por mais de três semanas, especialmente em pessoas com fatores de risco ambientais, ocupacionais, genéticos ou histórico familiar da doença. Dependendo da avaliação clínica, exames como a tomografia computadorizada de tórax podem ser indicados. Nos casos em que há suspeita ou confirmação do diagnóstico, testes moleculares (biomarcadores) são fundamentais para orientar o tratamento mais adequado.

Como prevenir o câncer de pulmão em não fumantes?

Embora nem todos os casos possam ser evitados, algumas medidas ajudam a reduzir o risco:

  • Evitar a exposição à poluição do ar e a substâncias químicas no ambiente de trabalho.
  • Garantir boa ventilação durante o preparo dos alimentos, principalmente quando há uso de lenha ou carvão.
  • Avaliar a exposição ao gás radônio em regiões onde esse risco é conhecido.
  • Manter hábitos de vida saudáveis, com alimentação equilibrada e prática regular de atividade física.
  • Realizar acompanhamento médico periódico quando houver fatores de risco ou histórico familiar de câncer de pulmão.

Tabela comparativa: Câncer de pulmão em fumantes × não fumantes

Aspecto Fumantes Não fumantes
Principal fator de risco Tabagismo (ativo e passivo) Poluição atmosférica, radônio, exposição ocupacional, fatores genéticos e doenças pulmonares crônicas
Tipo histológico mais comum Adenocarcinoma (seguido por carcinoma espinocelular e carcinoma de pequenas células) Adenocarcinoma (predominante)
Alterações moleculares Mais frequentes: KRAS e TP53; EGFR é menos comum Mais frequentes: EGFR, ALK, ROS1, RET, HER2, MET exon 14, entre outras
Perfil epidemiológico Mais comum em homens, embora crescente em mulheres Mais frequente em mulheres e em indivíduos mais jovens ou de meia-idade, especialmente asiáticos
Idade ao diagnóstico Geralmente entre 65–70 anos Sem diferença marcante; alguns subgrupos podem ser diagnosticados em idade um pouco menor
Resposta ao tratamento Maior benefício com imunoterapia quando há alta expressão de PD-L1 ou elevada carga mutacional Frequentemente apresenta alterações tratáveis com terapias-alvo, que podem proporcionar respostas prolongadas
Prognóstico Depende principalmente do estágio e das características moleculares Também depende do estágio, mas pode ser mais favorável quando existem mutações passíveis de tratamento com terapias-alvo
Prevenção primária Cessação do tabagismo e evitar exposição ao fumo passivo Redução da exposição à poluição, radônio e agentes ocupacionais, além da adoção de hábitos saudáveis

Leia também:Estudos com biomarcadores moleculares buscam identificar a doença de Alzheimer por meio de exames de sangue – IDOR – Instituto D’Or de Pesquisa e EnsinoIDOR – Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino

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Revisão médica:

Dra. Fernanda Frozoni Antonacio

Oncologista Clínica

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