Também chamados de glóbulos brancos, os leucócitos são células que participam da defesa do organismo. Eles circulam no sangue e ajudam a combater infecções e a responder a outras agressões, como inflamações e lesões dos tecidos. Quando o hemograma mostra uma quantidade de leucócitos acima do valor de referência, esse resultado é chamado de leucocitose.
Na maioria das vezes, a elevação reflete uma resposta do organismo a algo passageiro, como uma infecção ou um processo inflamatório. Em situações menos frequentes, porém, pode estar relacionada a doenças que precisam de investigação. Entender o que esse número representa ajuda a compreender por que o médico avalia o hemograma como um todo.
O que significa ter leucócitos altos no hemograma?
Leucócitos altos indicam que há uma quantidade maior dessas células circulando no sangue do que o esperado para a faixa de referência. Isso geralmente acontece como resposta do organismo a alguma situação, mas não significa, por si só, que exista uma doença específica.
Assim como a febre pode sinalizar que algo está acontecendo sem indicar exatamente qual é a causa, a leucocitose mostra que há uma alteração na quantidade de células de defesa no sangue, mas não determina sozinha o motivo.
As causas podem variar de situações comuns, como uma infecção, a condições que exigem investigação mais detalhada. Por isso, o resultado deve ser analisado em conjunto com os sintomas, o histórico da pessoa e os demais dados do hemograma.
O que é leucocitose?
A leucocitose é o termo técnico para a contagem de leucócitos acima da faixa considerada normal ou de referência no hemograma. A palavra descreve apenas o achado no exame, sem definir a causa. Ela pode ser transitória, quando desaparece após a resolução do fator que a provocou, ou persistente, quando se mantém e precisa ser investigada.
O contrário da leucocitose é a leucopenia, que corresponde à contagem de leucócitos abaixo do intervalo de referência. Conhecer os dois termos ajuda a situar onde o seu resultado se encaixa dentro do hemograma.
Qual é o valor normal de leucócitos?
A faixa de referência dos leucócitos costuma ficar, em adultos, em torno de 4.000 a 11.000 células por microlitro de sangue, mas esse intervalo pode variar conforme o laboratório, o método utilizado e as características da população avaliada. Por isso, o próprio exame traz os valores de referência utilizados, geralmente na coluna ao lado do seu resultado.
Pequenas variações acima ou abaixo do intervalo podem ter diferentes significados e, quando avaliadas isoladamente, nem sempre indicam um problema importante. O médico considera o quanto o valor está alterado, sua evolução em exames anteriores e os demais dados do hemograma.
Como os leucócitos são avaliados no hemograma?
O hemograma não informa apenas o número total de leucócitos. Ele traz também o leucograma diferencial, que separa os leucócitos em seus diferentes tipos e informa a quantidade ou a proporção de cada um.
Os principais tipos são:
- Neutrófilos: participam principalmente da resposta contra bactérias, mas também podem aumentar em inflamações, infecções de outras origens, estresse físico e diversas outras situações;
- Linfócitos: são importantes na resposta imunológica, especialmente contra vírus, mas também participam da defesa contra outros microrganismos e de respostas imunológicas específicas;
- Monócitos: participam da resposta inflamatória e da remoção de células e partículas presentes nos tecidos;
- Eosinófilos: podem se elevar em alergias, algumas parasitoses e outras condições;
- Basófilos: estão presentes em menor quantidade e participam de respostas alérgicas e inflamatórias.
Identificar qual tipo de leucócito está elevado ajuda o médico a investigar a causa da alteração. O aumento de neutrófilos, por exemplo, pode ter causas diferentes do aumento de linfócitos. Por isso, além da contagem total, é importante avaliar o diferencial de leucócitos no hemograma.
Quais são as causas de leucócitos altos?
As causas de leucócitos altos são variadas e nem sempre indicam uma doença. Entre as mais comuns estão:
- Infecções, que podem ser causadas por bactérias, vírus e outros microrganismos;
- Inflamações de diferentes origens;
- Situações que provocam uma elevação temporária, como exercício físico intenso, estresse físico ou emocional, traumas, cirurgias e tabagismo;
- Uso de determinados medicamentos, especialmente os corticoides (também chamados de glicocorticoides), que podem aumentar a quantidade de leucócitos circulantes;
- Quadros hematológicos, isto é, doenças que afetam o sangue ou a medula óssea, que são menos frequentes e podem exigir investigação especializada.
Como as causas são variadas, o médico avalia o contexto para entender se a elevação é passageira ou se deve continuar sendo investigada. Em muitos casos, o hemograma é repetido após algum tempo para verificar se os leucócitos retornaram ao intervalo de referência.
Infecção deixa os leucócitos altos?
Sim. As infecções estão entre as causas mais frequentes de leucócitos altos. Diante de uma infecção, o organismo mobiliza células do sistema imunológico para combater os microrganismos, e isso pode aparecer no hemograma como leucocitose.
Nas infecções bacterianas, é comum ocorrer um aumento dos neutrófilos. Algumas infecções virais, por outro lado, podem estar associadas ao aumento de linfócitos, embora esse padrão não seja obrigatório e varie conforme o agente infeccioso e o momento da doença.
Em geral, a alteração relacionada a uma infecção aguda é temporária e tende a melhorar à medida que o quadro se resolve. Por isso, dependendo do caso, o médico pode solicitar um novo hemograma depois da recuperação para verificar se os valores voltaram ao normal.
Leucócitos altos podem indicar câncer?
Na maioria das vezes, leucócitos altos não têm relação com câncer. As causas mais comuns são infecciosas, inflamatórias ou relacionadas a outras respostas do organismo. Essas elevações costumam ser chamadas de leucocitoses reativas e podem desaparecer quando a causa é controlada.
Existe, porém, um grupo de doenças do sangue, como as leucemias, em que alterações na produção e na maturação das células sanguíneas podem provocar aumento dos leucócitos.
O que pode levantar essa suspeita não é apenas uma contagem alta de leucócitos, mas o conjunto de alterações. Entre os achados que merecem maior investigação estão valores muito elevados ou persistentemente alterados, presença de células imaturas ou anormais no sangue, anemia, queda das plaquetas e sintomas como febre persistente, perda de peso sem explicação, aumento de gânglios ou cansaço importante.
Nessas situações, o hematologista pode realizar uma avaliação mais detalhada. Já um resultado alto isolado, especialmente quando existe uma explicação evidente, como uma infecção recente, não significa que a pessoa tenha câncer.
Leucócitos altos em crianças é comum?
Sim, pode ser relativamente comum, especialmente porque os valores de referência dos leucócitos variam de acordo com a idade. Crianças, principalmente as mais novas, podem apresentar faixas de referência diferentes das utilizadas para adultos.
Além disso, infecções são frequentes durante a infância e podem elevar os leucócitos temporariamente. Por isso, um valor considerado alto para um adulto nem sempre representa a mesma alteração em uma criança. O pediatra deve interpretar o hemograma considerando a idade, os sintomas e a faixa de referência adequada.
Leucócitos altos na urina é a mesma coisa?
Não. Esse é um ponto que gera bastante confusão, mas são exames e situações diferentes. Vale separar os três tipos:
- Leucócitos no sangue: aparecem no hemograma e correspondem à quantidade de glóbulos brancos circulando no sangue. É a esse resultado que este artigo se refere;
- Leucócitos na urina: aparecem no exame de urina, como o exame de urina tipo 1 ou EAS. Quando estão aumentados, podem ocorrer em infecções ou inflamações das vias urinárias, mas esse achado, isoladamente, não confirma uma infecção urinária;
- Leucócitos nas fezes: podem ser identificados em exames de fezes e podem ajudar na avaliação de alguns processos inflamatórios ou infecciosos do trato gastrointestinal.
Cada exame avalia uma situação diferente. Leucócitos altos na urina não significam leucócitos altos no sangue, e cada resultado tem uma interpretação própria. Em caso de dúvida, confira qual exame foi realizado ou converse com o médico.
Quando os leucócitos altos merecem atenção urgente?
A maioria dos casos de leucocitose não representa uma emergência médica. Porém, contagens extremamente elevadas, especialmente acima de 100.000 células por microlitro, são chamadas de hiperleucocitose e podem estar associadas a doenças hematológicas graves. Nessa situação, é necessária avaliação médica rápida, principalmente quando há sintomas.
Em alguns casos de hiperleucocitose, especialmente em determinadas leucemias, o excesso de células circulantes pode comprometer o fluxo do sangue nos pequenos vasos, fenômeno chamado de leucostase. Isso pode causar sintomas neurológicos ou respiratórios e constitui uma emergência médica.
Também é importante diferenciar uma elevação muito intensa e reativa, chamada de reação leucemoide, de doenças hematológicas, como as leucemias. A análise do diferencial, do aspecto das células no sangue e de outros dados do hemograma ajuda nessa diferenciação, embora muitas vezes sejam necessários exames complementares.
Procure atendimento médico imediatamente se uma contagem muito elevada de leucócitos vier acompanhada de sintomas importantes, como confusão mental, falta de ar, dor de cabeça intensa, alterações da visão ou outros sintomas neurológicos, sangramentos ou febre persistente.
O que fazer quando os leucócitos vêm altos?
É importante não interpretar o resultado sozinho. Um hemograma com leucócitos altos deve ser levado ao médico que solicitou o exame, que vai analisá-lo dentro do contexto de saúde da pessoa. De forma geral, a avaliação pode seguir alguns caminhos:
- Relacionar o resultado a algo recente, como uma infecção, um período de estresse, exercício intenso, tabagismo ou o uso de medicamentos;
- Observar o diferencial do leucograma para identificar qual tipo de leucócito está aumentado;
- Comparar o resultado com hemogramas anteriores e, quando apropriado, repetir o exame depois de um intervalo para verificar se a elevação persiste ou desaparece;
- Solicitar exames complementares ou encaminhar ao hematologista quando os valores permanecem altos sem explicação, são muito elevados ou vêm acompanhados de outras alterações.
Evite tirar conclusões com base em um único resultado. Na maioria dos casos, a leucocitose tem uma causa reativa e pode desaparecer após a resolução do problema que a provocou. A avaliação médica ajuda a identificar quando é necessário investigar melhor e definir a conduta adequada.
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