O Brasil vive uma transformação demográfica relevante, marcada pela redução das taxas de natalidade e pelo aumento da expectativa de vida. Projeções indicam que, ao longo das próximas décadas, a população idosa crescerá de forma expressiva, podendo representar uma parcela significativa dos brasileiros até o final do século, conforme estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.
Ao mesmo tempo, o câncer se consolida como um dos principais problemas de saúde pública no país. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer, a estimativa é de aproximadamente 704 mil novos casos por ano no triênio recente (2023–2025), número que tende a crescer com o envelhecimento populacional.
Diante desse cenário, aumenta a necessidade de abordagens mais específicas e eficazes para o cuidado da população idosa. É nesse contexto que a oncogeriatria de precisão se destaca ao propor um modelo de tratamento do câncer que considera tanto as particularidades do envelhecimento quanto as características individuais de cada paciente.
O que é a oncogeriatria de precisão?
A oncogeriatria de precisão é uma abordagem médica contemporânea que integra três áreas fundamentais: a oncologia, a geriatria e a medicina de precisão.
De forma prática, isso significa que o tratamento do câncer deixa de seguir um modelo padronizado e passa a ser individualizado, considerando não apenas o tipo e o estágio do tumor, mas também as características biológicas, funcionais e sociais de cada paciente.
Essa abordagem reconhece a grande heterogeneidade entre os idosos. Enquanto alguns apresentam bom estado de saúde e conseguem tolerar tratamentos mais intensivos, outros podem ser mais frágeis e necessitar de estratégias terapêuticas adaptadas.
Na prática, a oncogeriatria de precisão leva em conta fatores como a idade biológica (mais relevante do que a idade cronológica isolada), o estado cognitivo, a presença de comorbidades, o uso de múltiplos medicamentos (polifarmácia), além do nível de funcionalidade e independência.
Ao incorporar ferramentas da medicina de precisão como testes moleculares, genéticos e a identificação de biomarcadores tumorais torna-se possível selecionar terapias mais direcionadas e adequadas ao perfil biológico de cada paciente e de seu tumor. Essa abordagem permite uma escolha terapêutica mais racional e individualizada, com potencial para aumentar a eficácia do tratamento e, ao mesmo tempo, reduzir a ocorrência de efeitos adversos. No entanto, é importante destacar que esses benefícios são mais consistentes quando sustentados por evidências clínicas robustas, provenientes de estudos bem conduzidos, sendo fundamental a validação contínua dessas estratégias na prática clínica, especialmente na população idosa.
Características do paciente idoso com câncer
O envelhecimento está associado a alterações fisiológicas que influenciam tanto o desenvolvimento do câncer quanto a resposta ao tratamento. Ainda assim, indivíduos da mesma faixa etária podem apresentar condições de saúde bastante distintas, o que reforça que a idade, isoladamente, não deve ser o principal critério para decisões terapêuticas.
É comum que pacientes idosos apresentem comorbidades, como hipertensão arterial, diabetes mellitus e doenças cardiovasculares, que podem impactar diretamente na escolha e na tolerância aos tratamentos oncológicos.
Além disso, a polifarmácia é frequente nessa população e merece atenção especial, pois aumenta o risco de interações medicamentosas, eventos adversos e toxicidades relacionadas ao tratamento.
Outro fator relevante é a redução da reserva funcional. Com o envelhecimento, órgãos como fígado, rins e medula óssea podem apresentar menor capacidade funcional, o que pode interferir na farmacocinética dos medicamentos e na recuperação após intervenções como quimioterapia, radioterapia ou cirurgia.
A síndrome da fragilidade também é um aspecto central. Trata-se de uma condição clínica caracterizada pela diminuição da reserva fisiológica e maior vulnerabilidade a estressores. Pacientes frágeis apresentam maior risco de complicações, internações e perda de autonomia funcional.
Além dos aspectos físicos, fatores cognitivos, emocionais, nutricionais e sociais desempenham papel fundamental no cuidado oncológico. Dessa forma, compreender essa complexidade é essencial para oferecer um tratamento mais seguro, eficaz e individualizado, princípio central da oncogeriatria de precisão.
Avaliação geriátrica ampla
A avaliação geriátrica ampla (AGA), também conhecida como avaliação geriátrica abrangente, é uma ferramenta essencial na oncogeriatria de precisão, pois permite uma análise detalhada e multidimensional do estado de saúde do idoso.
Diferentemente de uma consulta convencional, a AGA avalia não apenas aspectos clínicos, mas também dimensões funcionais, cognitivas, emocionais, nutricionais e sociais. Seu principal objetivo é identificar vulnerabilidades que possam impactar o tratamento oncológico.
Entre os principais domínios avaliados, destacam-se:
- Capacidade funcional (atividades básicas e instrumentais da vida diária);
- Função cognitiva (memória, atenção e raciocínio);
- Estado emocional (incluindo sintomas de depressão e ansiedade);
- Estado nutricional;
- Presença de comorbidades;
- Uso de medicamentos (polifarmácia);
- Suporte social e familiar.
Com base nesses dados, os pacientes podem ser classificados, de forma geral, como robustos, vulneráveis ou frágeis. Essa estratificação auxilia na individualização do tratamento, orientando decisões como intensidade terapêutica, necessidade de ajustes de dose ou priorização de cuidados focados em qualidade de vida.
Além disso, a AGA tem valor prognóstico, sendo capaz de prever risco de toxicidade, complicações e mortalidade, contribuindo para uma abordagem mais preventiva e segura.
Importância da equipe multidisciplinar
Na oncogeriatria de precisão, a atuação de uma equipe multidisciplinar é fundamental para garantir um cuidado integral, seguro e centrado no paciente.
O oncologista e o geriatra desempenham papel central, integrando o conhecimento sobre o câncer às particularidades do envelhecimento. No entanto, outros profissionais são igualmente importantes, como enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, farmacêuticos e assistentes sociais.
Essa abordagem colaborativa permite uma avaliação global do paciente e a construção de um plano terapêutico mais completo, que considera não apenas as características do tumor, mas também a funcionalidade, o contexto social, o estado emocional e as preferências individuais.
Além disso, o trabalho em equipe favorece a tomada de decisão compartilhada, aspecto especialmente relevante na oncogeriatria. Nesse contexto, é essencial equilibrar os potenciais benefícios do tratamento com os riscos envolvidos, sempre considerando a qualidade de vida e os objetivos do paciente.
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