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Tireoidite de Hashimoto pode virar câncer?

Descubra a relação entre a tireoidite de Hashimoto e o câncer de tireoide, além dos sinais de alerta que exigem avaliação médica.

Receber o diagnóstico de tireoidite de Hashimoto costuma gerar muitas dúvidas. Entre elas, uma das mais comuns é: Hashimoto pode virar câncer?

A resposta é que, na grande maioria dos casos, não. A tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune que provoca uma inflamação crônica da glândula tireoide, mas não é um câncer e não evolui diretamente para um tumor maligno.

No entanto, algumas pessoas com Hashimoto podem apresentar alterações na tireoide, como o surgimento de nódulos tireoidianos, o que naturalmente aumenta a preocupação sobre a possibilidade de um diagnóstico de câncer de tireoide.

Além disso, estudos científicos investigam há muitos anos a possível relação entre a inflamação crônica da glândula e determinados tipos de tumores tireoidianos, principalmente o carcinoma papilífero, que é o tipo mais comum de câncer de tireoide.

Por isso, o acompanhamento médico regular é fundamental para monitorar a saúde da glândula e identificar precocemente qualquer alteração suspeita.

Hashimoto aumenta a chance de desenvolver nódulos?

Sim. Pessoas com tireoidite de Hashimoto podem apresentar uma maior frequência de alterações estruturais na tireoide, incluindo o surgimento de nódulos. No entanto, isso não significa automaticamente que exista câncer ou outra condição grave.

A inflamação crônica provocada pela doença pode modificar a aparência da glândula ao longo do tempo. Por isso, durante o ultrassom, é comum que o médico identifique uma tireoide com aspecto heterogêneo, textura irregular e sinais compatíveis com inflamação crônica. Essas alterações nem sempre representam perigo à saúde, mas precisam de acompanhamento adequado.

Na maioria dos casos, os nódulos encontrados em pacientes com Hashimoto são benignos. Ainda assim, determinadas características observadas no exame de imagem podem indicar a necessidade de investigação complementar.

Leia também: Como saber se um caroço é câncer? Veja os sinais

Hashimoto aumenta risco de câncer de tireoide?

Essa é uma das dúvidas mais frequentes entre pessoas diagnosticadas com tireoidite de Hashimoto. Afinal, se a doença provoca uma inflamação crônica na tireoide, seria correto afirmar que ela aumenta a chance de desenvolver câncer?

Atualmente, as evidências sugerem que pode existir uma associação entre a tireoidite de Hashimoto e o carcinoma papilífero da tireoide. No entanto, essa relação ainda não está completamente esclarecida e não significa que a tireoidite evolua para câncer.

Além disso, pessoas com Hashimoto costumam realizar consultas e exames de imagem com maior frequência, o que aumenta a chance de detectar pequenos nódulos e tumores em fases iniciais. Esse fator também pode explicar, ao menos em parte, a maior frequência de diagnóstico de câncer observada em alguns estudos.

Portanto, embora alguns trabalhos sugiram um risco discretamente aumentado, a maioria das pessoas com tireoidite de Hashimoto nunca desenvolverá câncer de tireoide.

Quando suspeitar de câncer de tireoide?

A maioria dos nódulos da tireoide é benigna e não representa um risco importante à saúde. No entanto, algumas características podem indicar a necessidade de investigação para descartar a presença de um câncer.

Os principais sinais e sintomas que podem estar associados ao câncer de tireoide incluem:

  • Aparecimento de um nódulo no pescoço;
  • Crescimento progressivo de um nódulo já conhecido;
  • Rouquidão persistente sem causa aparente;
  • Dificuldade para engolir;
  • Sensação de pressão ou desconforto na região do pescoço;
  • Aumento dos gânglios (linfonodos) cervicais.

Vale destacar que muitos casos de câncer de tireoide não provocam sintomas e são descobertos durante exames realizados por outros motivos.

Entre os fatores que costumam chamar a atenção dos especialistas está a velocidade de crescimento da lesão. Quando um nódulo apresenta crescimento rápido ou outras características suspeitas, pode ser necessária uma avaliação mais detalhada.

Quando o nódulo precisa de biópsia?

A principal ferramenta para investigar nódulos suspeitos é a punção aspirativa por agulha fina (PAAF). O procedimento permite coletar células da lesão para análise laboratorial e auxilia na diferenciação entre alterações benignas e malignas.

A indicação da PAAF não depende apenas do tamanho do nódulo. As características observadas no ultrassom, como formato, ecogenicidade, presença de microcalcificações e margens, além do histórico clínico do paciente, também são levadas em consideração.

Por isso, a presença de um nódulo na tireoide não deve ser motivo de alarme. O mais importante é realizar o acompanhamento adequado para que qualquer alteração suspeita seja identificada e investigada precocemente.

Confira: Tumor benigno e maligno: qual é a diferença?

Como monitorar a saúde da tireoide?

Para quem convive com a tireoidite de Hashimoto, o acompanhamento médico regular é fundamental. Embora a doença nem sempre provoque sintomas evidentes, ela pode causar alterações progressivas na função da tireoide e, em alguns casos, estar associada ao surgimento de nódulos que precisam ser monitorados ao longo do tempo.

Os exames laboratoriais que costumam fazer parte do acompanhamento incluem:

  • TSH (hormônio estimulante da tireoide);
  • T4 livre;
  • Anticorpos anti-TPO (antitireoperoxidase);
  • Anticorpos antitireoglobulina.

Vale ressaltar que, após o diagnóstico de Hashimoto, a dosagem dos anticorpos geralmente não precisa ser repetida de rotina, pois seus níveis nem sempre refletem a atividade da doença ou orientam mudanças no tratamento.

Além dos exames laboratoriais, o ultrassom da tireoide é um dos principais exames para acompanhar a saúde da glândula. Ele permite avaliar sua estrutura, identificar nódulos e detectar alterações que não podem ser percebidas apenas pelos exames de sangue.

Se o ultrassom identificar um nódulo com características suspeitas, o médico poderá solicitar uma punção aspirativa por agulha fina (PAAF). Esse procedimento é minimamente invasivo e consiste na coleta de células do nódulo para análise em laboratório, sendo indicado para avaliar se a lesão apresenta características benignas ou malignas.

Hashimoto é hipotireoidismo?

Embora os dois termos estejam relacionados, eles não significam a mesma coisa.

A tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune na qual o sistema imunológico passa a atacar as células da própria tireoide. Com o passar do tempo, essa inflamação pode comprometer o funcionamento da glândula.

Já o hipotireoidismo é uma condição caracterizada pela produção insuficiente dos hormônios tireoidianos.

Em outras palavras, a tireoidite de Hashimoto é a principal causa de hipotireoidismo em regiões com ingestão adequada de iodo, mas nem toda pessoa com Hashimoto apresenta hipotireoidismo no momento do diagnóstico.

Quais são as causas do hipotireoidismo?

O hipotireoidismo ocorre quando a tireoide não produz hormônios em quantidade suficiente para atender às necessidades do organismo. Como esses hormônios participam do funcionamento de praticamente todos os órgãos e sistemas, sua redução pode afetar diversas funções do corpo.

Além da tireoidite de Hashimoto, o hipotireoidismo pode ser provocado por:

  • Remoção cirúrgica total ou parcial da tireoide;
  • Tratamento com iodo radioativo;
  • Deficiência ou excesso de iodo na alimentação;
  • Alguns medicamentos que interferem na função da tireoide;
  • Tireoidites transitórias;
  • Alterações congênitas da glândula;
  • Doenças que afetam a hipófise ou o hipotálamo.

Hipotireoidismo pode virar câncer?

Até o momento, não existem evidências científicas que demonstrem que o hipotireoidismo, por si só, seja uma causa de câncer de tireoide.

O que pode ocorrer é a coexistência das duas condições em um mesmo paciente. Nesses casos, a investigação é direcionada para os nódulos ou outras alterações suspeitas identificadas nos exames, e não para o hipotireoidismo em si.

Assim, ter hipotireoidismo não significa que a pessoa desenvolverá câncer de tireoide. O mais importante é manter o tratamento adequado, realizar o acompanhamento médico e investigar qualquer alteração suspeita quando houver indicação.

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Revisão médica:

Dra. Fernanda Frozoni Antonacio

Oncologista Clínica

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