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Cardiomiopatia alcoólica: o que é, sintomas e tratamento

Causada pelo consumo excessivo e prolongado de álcool, doença pode evoluir para arritmias e insuficiência cardíaca grave.
Por: Rede D'Or
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A cardiomiopatia alcoólica é uma forma de cardiomiopatia dilatada causada pela toxicidade do álcool sobre o músculo cardíaco (miocárdio). Nessa condição, o coração se dilata e enfraquece, perdendo a capacidade de bombear o sangue de forma eficaz para o corpo.

Dados de um estudo publicado no National Library of Medicine apontam que aproximadamente 1 a 2% dos usuários com consumo excessivo de álcool desenvolvem a cardiomiopatia alcoólica.

Outro estudo publicado no ABC Cardiol, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, destaca que a cardiomiopatia alcoólica é uma das principais causas não isquêmicas de insuficiência cardíaca nos países ocidentais.

O uso contínuo de álcool tende a acelerar a deterioração do coração e aumentar o risco de insuficiência cardíaca, arritmias graves e morte súbita. Continue lendo e saiba mais sobre o que é a cardiomiopatia alcoólica, quais os sintomas e tratamento.

O que é cardiomiopatia alcoólica?

A cardiomiopatia alcoólica é uma doença do coração causada pelo consumo excessivo e prolongado de bebida alcoólica. “Com o tempo, o álcool enfraquece o músculo do coração, fazendo com que ele fique dilatado e tenha dificuldade para bombear o sangue de forma adequada para o corpo”, explica a responsável técnica do Grupo de Insuficiência Cardíaca e Transplante do Hospital do Coração do Brasil, Dra. Viviane Sabatoski.

A cardiomiopatia alcoólica geralmente afeta pessoas que consomem grandes quantidades de álcool por períodos prolongados. Um estudo publicado no European Heart Journal destaca que a cardiomiopatia alcoólica acontece quando a pessoa bebe geralmente acima de 80 a 100 gramas de álcool por dia (equivalente a cerca de 6 a 8 doses) durante cinco anos ou mais.

“É importante ressaltar que não existe consumo seguro de álcool, e que o risco é maior quanto maior o tempo e maior a quantidade. Embora algumas diretrizes definam uso abusivo de álcool como consumo superior a 80g por dia, algumas pessoas mais suscetíveis podem ter lesão com consumos menores que esse”, alerta a especialista.

Quais são os sintomas da cardiomiopatia alcoólica?

Os sintomas da cardiomiopatia alcoólica são semelhantes aos de outras formas de insuficiência cardíaca. Com a progressão da doença, os sintomas se tornam mais frequentes e debilitantes, podendo levar a internações frequentes.

Entre os principais sinais e sintomas da cardiomiopatia alcoólica estão:

  • falta de ar (dispneia) – piora com esforço ou ao deitar;
  • cansaço e fraqueza;
  • inchaço nas pernas (edema);
  • palpitações – causadas por arritmias, como fibrilação atrial;
  • tontura ou desmaio (síncope).

Como a cardiomiopatia alcoólica é diagnosticada?

A Dra. Viviane explica que o diagnóstico da cardiomiopatia alcoólica é feito pela história e exame físico do paciente, somada à realização de eletrocardiograma e ecocardiograma. “Dependendo do caso, outros exames podem ser necessários”, complementa a cardiologista.

De acordo com a médica, a cardiomiopatia alcoólica pode ser confundida com outras causas de insuficiência cardíaca e até com doenças que não afetam diretamente o coração, como problemas pulmonares ou cirrose hepática. Por isso, é essencial investigar e descartar outras possíveis causas antes de atribuir o quadro ao consumo de álcool.

Como a cardiomiopatia alcoólica é tratada?

O tratamento da cardiomiopatia alcoólica envolve a interrupção total do consumo de álcool. “Quando não tratada, a cardiomiopatia alcoólica pode evoluir para arritmias e insuficiência cardíaca progressiva e até fatal”, destaca Dra. Viviane.

O tratamento indicado para a cardiomiopatia alcoólica envolve:

1. Parar totalmente o consumo de álcool

“Essa é a parte mais importante do tratamento. Quando a pessoa para de beber, o coração pode melhorar bastante e, em alguns casos, até voltar ao normal. Para isso é preciso apoio familiar, médico psicológico e às vezes até medicação”, ressalta a médica.

2. Cuidar do coração

“O médico precisará tratar diretamente o prejuízo ao coração, com remédios para aliviar os sintomas e ajudar o coração a melhorar”, descreve.

3. Tratar outras complicações

“Arritmias, problemas no fígado ou nos rins, desnutrição e falta de vitaminas, como a tiamina, precisam de atenção”, avalia.

Nos casos graves, quando o coração já está muito comprometido, pode ser necessário considerar o implante de dispositivos como ressincronizadores cardíacos ou, em situações extremas, o transplante cardíaco.

“Isso acontece principalmente quando a função do coração continua muito ruim, mesmo depois de meses de tratamento correto e abstinência total de álcool”, afirma Dra. Viviane.

A especialista aponta que para entrar na fila de transplante é obrigatório provar que a pessoa parou de beber completamente por um tempo mínimo (geralmente 6 meses), para garantir que o transplante tenha sucesso.

Como ajudar alguém com diagnóstico de cardiomiopatia alcoólica?

A Dra. Viviane Sabatoski fez uma lista de recomendações para ajudar alguém com o diagnóstico cardiomiopatia alcoólica:

1. Apoie a abstinência do álcool

“Ajude a pessoa a evitar o álcool totalmente. Retire bebidas alcoólicas da casa, festas de família e locais em que se consome muito álcool. Incentive a participação em grupos de apoio ou terapia”, orienta.

2. Observe sinais de piora

“Fique atento a inchaço nas pernas, ganho rápido de peso, falta de ar, fraqueza excessiva ou tontura – são sinais de que o coração pode estar piorando. Se notar, oriente a procurar o médico rapidamente.”

3. Estimule o acompanhamento médico

“Ajude a manter as consultas regulares, a fazer os exames pedidos e a tomar os remédios direitinho”, recomenda.

4. Promova hábitos saudáveis

“Incentive alimentação balanceada, controle de sal, atividade física leve (com orientação médica), controle do estresse“, ressalta.

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5. Ofereça apoio emocional

“Entenda que o alcoolismo é uma doença e que o paciente precisa de ajuda. Além disso, é normal ter momentos de tristeza, raiva e ansiedade. Esteja presente para apoiar sem julgar, incentivando a persistir no tratamento”, aconselha.

6. Cuide de você também

“Cuidar de alguém doente é cansativo. Lembre-se de cuidar da própria saúde física e mental. Procure apoio se precisar, como psicólogos ou grupos especializados”, ensina.

Quando o paciente para de beber e segue as orientações médicas, a função cardíaca pode melhorar significativamente, reduzindo os sintomas e o risco de complicações.

Se você apresenta sintomas ou faz uso frequente de bebidas alcoólicas, não espere que o problema avance. Agende uma consulta com um cardiologista D’Or e cuide do seu coração.

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