Criança vive doente? Saiba quando infecções frequentes merecem investigação

Resfriado, febre, tosse, dor de garganta: para algumas famílias, parece que basta a criança melhorar para outro episódio começar. Embora infecções frequentes façam parte da infância, principalmente nos primeiros anos e após a entrada na escola ou creche, a frequência, a intensidade e a recuperação entre os episódios ajudam a indicar quando é preciso investigar.
- Crianças pequenas podem apresentar várias infecções respiratórias ao longo do ano.
- A convivência em creches e escolas aumenta a exposição a vírus e outros agentes infecciosos.
- Ter infecções repetidas não significa, necessariamente, que a criança tenha baixa imunidade.
- Quadros graves, prolongados ou acompanhados de outros sinais merecem avaliação.
- O pediatra pode indicar investigação com outras especialidades quando necessário.
Por que algumas crianças ficam doentes tantas vezes?
O sistema imunológico infantil ainda está em processo de amadurecimento. Ao mesmo tempo, nos primeiros anos de vida, a criança começa a ter contato com diferentes vírus e outros agentes infecciosos.
Por isso, adoecer algumas vezes pode fazer parte dessa fase. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), crianças nos primeiros três anos de vida podem apresentar de oito a 12 infecções respiratórias virais por ano, principalmente quando frequentam creches ou instituições de educação infantil.
A entrada na escola também aumenta o contato próximo com outras crianças e, consequentemente, a exposição a agentes que o organismo ainda não conhece. Isso não significa que frequentar a escola esteja “baixando a imunidade”.
Prematuridade, exposição passiva à fumaça do cigarro e vacinação incompleta para a idade estão entre os fatores que também podem contribuir para infecções mais frequentes.
Quando infecções frequentes na infância merecem investigação?
Mais importante do que contar quantas vezes a criança ficou doente é observar como esses episódios acontecem.
Infecções leves, com recuperação completa entre um quadro e outro, podem ser esperadas na infância. A investigação ganha importância quando aparecem características fora desse padrão. Alguns sinais de atenção são:
- Infecções graves ou recorrentes que exigem internação;
- Infecções causadas por microrganismos que normalmente não provocam doença em pessoas saudáveis;
- Dificuldade para crescer ou ganhar peso;
- Febre recorrente ou persistente sem causa identificada;
- Histórico familiar de alterações importantes do sistema imunológico ou mortes precoces por infecções.
Esses sinais não significam automaticamente que exista uma imunodeficiência, mas justificam avaliação médica. A SBP destaca essas manifestações entre as situações que podem levar à investigação dos chamados Erros Inatos da Imunidade, grupo de doenças que afetam o funcionamento do sistema de defesa.
Criança que vive gripada está com a imunidade baixa?
Nem sempre. A repetição de quadros respiratórios durante a infância costuma estar muito mais relacionada ao amadurecimento do sistema imunológico e à exposição a agentes infecciosos do que a uma deficiência imunológica.
Também não há evidências de que vitaminas ou suplementos aumentem a imunidade de crianças saudáveis quando não existe uma deficiência nutricional identificada. Alimentação equilibrada, sono adequado, atividade física e vacinação em dia fazem parte dos cuidados gerais que contribuem para a saúde infantil.
Por isso, antes de oferecer produtos com a promessa de “aumentar a imunidade”, é importante conversar com o pediatra.
Qual médico procurar quando a criança fica doente com frequência?
O pediatra é o profissional que acompanha o histórico da criança, avalia o padrão das infecções e verifica aspectos como crescimento, vacinação e desenvolvimento.
Quando há sinais que justificam uma investigação mais específica, o acompanhamento pode envolver outras áreas, como Alergia e Imunologia Pediátrica, além de exames indicados de acordo com cada caso.
Na Rede D’Or, o cuidado infantil reúne consultas, diferentes especialidades pediátricas e estrutura diagnóstica para acompanhar a saúde da criança em diferentes fases do desenvolvimento.