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Ebola: o vírus que deixa o mundo em alerta

Apesar de ser a infecção viral com uma das maiores taxas de letalidade já registradas no mundo, o Brasil nunca teve casos confirmados da doença
Por: Rede D'Or
Imagem microscópica do vírus Ebola, com tratamento estético de imagem nas cores roxas e lilás.
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Também chamado de Doença por Vírus Ebola (DVE) ou Febre Hemorrágica Ebola, o Ebola é uma das doenças infecciosas mais letais conhecidas pela medicina, com uma taxa de mortalidade em torno de 50%. Causada pelo vírus Ebola, pertencente à família Filoviridae, a doença se caracteriza por febre intensa, hemorragias graves e falência múltipla de órgãos.

  • O Brasil nunca registrou um caso confirmado de Ebola, mas esteve em alerta em duas ocasiões, 2014 e 2015, quando os casos suspeitos foram descartados pela Fiocruz, referência nacional para investigação da doença. Mesmo sem registrar nenhum caso da doença, a vigilância epidemiológica permanece ativa no país, e a notificação de casos suspeitos é compulsória e imediata.
  • A maior epidemia de Ebola da história ocorreu entre 2014 e 2016 na África Ocidental: segundo a OMS, foram registrados mais de 28.600 casos e 11.325 mortes, número que superou o total de todos os surtos anteriores combinados desde a descoberta do vírus nos anos 1970.
  • A doença é transmitida pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectado, e é endêmica na África Subsaariana, especialmente na República Democrática do Congo. Assim, qualquer pessoa que tenha retornado de uma viagem à África e apresenta sintomas de uma gripe forte, como febre repentina, dor de cabeça, entre outros, deve procurar imediatamente um médico.
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O que é o Ebola e o que causa a doença?

O Ebola é uma doença infecciosa aguda e grave, causada pelo vírus de mesmo nome. Pertencente à família Filoviridae e ao gênero Ebolavirus, o vírus foi identificado pela primeira vez em 1976, em dois surtos simultâneos em países africanos.

Existem cinco espécies conhecidas do vírus Ebola: Zaire ebolavirus (a mais comum e letal), Sudan ebolavirus, Bundibugyo ebolavirus, Taï Forest ebolavirus e Reston ebolavirus, este último sem casos documentados em humanos.

A transmissão do Ebola ocorre por contato direto com o sangue, secreções, órgãos ou fluidos corporais de pessoas ou animais infectados. Qualquer tipo de secreção de um indivíduo doente é capaz de transmitir a doença, incluindo saliva, suor, urina, leite materno e todos os demais tipos de secreção do corpo. Os corpos de pessoas mortas pela doença permanecem altamente infecciosos, e cerimônias funerárias com contato físico com o corpo do falecido costumam ser um grande vetor de transmissão. O vírus não é transmitido pelo ar, pela água ou por alimentos. A transmissão pessoa a pessoa exige contato com fluidos corporais de alguém que já apresenta os sintomas.

Os morcegos frugívoros são considerados os hospedeiros naturais do Ebola. O contato com animais silvestres infectados, especialmente em atividades de caça, e o manuseio ou consumo de carne silvestre, está entre as principais portas de entrada do vírus em grupos humanos.

Uma vez em seres humanos, o vírus se dissemina de pessoa para pessoa por meio do contato com fluidos corporais, iniciando uma transmissão que pode se acelerar caso não sejam tomadas medidas rápidas de contenção.

Quais são os sintomas e quem tem maior risco de contrair Ebola?

Os grupos com maior risco de contrair o Ebola incluem profissionais de saúde que atendem pacientes infectados sem os equipamentos de proteção individual adequados; familiares e cuidadores em contato direto com doentes; pessoas que tem contato físico com o corpo do falecido; moradores e viajantes em áreas com surtos ativos, especialmente na África Central e Ocidental; e pessoas envolvidas em atividades de caça, manejo ou consumo de animais silvestres em regiões endêmicas.

Os sintomas do Ebola surgem de forma abrupta, entre 2 e 21 dias após a exposição ao vírus, com um período médio de incubação de 8 a 10 dias. A doença inicia com sintomas semelhantes aos de uma gripe grave: febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares e nas articulações, fraqueza extrema, fadiga, perda de apetite e dor de garganta. Em seguida, surgem manifestações gastrointestinais graves, como vômito, diarreia e dor abdominal intensa.

À medida que a doença progride, desenvolve-se a fase hemorrágica, sintoma característico do Ebola. O paciente pode apresentar sangramentos nas mucosas da boca, gengivas e nariz, além de sangue nas fezes, na urina e no vômito. Podem ocorrer hemorragias internas, comprometendo o funcionamento de órgãos vitais. O organismo pode evoluir para um quadro de letalidade, como falência múltipla de órgãos, choque circulatório e choque séptico.

É importante ir imediatamente ao pronto-socorro assim que surgem os sintomas que se possa confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento, evitando complicações que podem colocar a vida em risco.

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Qual médico consultar, como é feito o diagnóstico e quais exames são necessários para diagnosticar o Ebola?

Diante da suspeita de Ebola, o especialista responsável pelo diagnóstico e condução do caso é o infectologista, médico especializado em doenças causadas por vírus, bactérias, fungos e parasitas. Em contexto hospitalar de emergência, o clínico geral ou o médico de urgência pode iniciar o atendimento e acionar os protocolos de isolamento, notificação compulsória e encaminhamento ao serviço de referência.

O diagnóstico do Ebola é feito com base na combinação de três elementos: histórico epidemiológico do paciente (viagem recente a área endêmica, contato com caso confirmado ou com animais silvestres), quadro clínico compatível e confirmação laboratorial.

A suspeita clínica deve ser levantada em qualquer paciente que apresente febre alta e sintomas hemorrágicos após estadia em região de risco, mesmo que os sintomas iniciais sejam inespecíficos e semelhantes aos de outras doenças infecciosas.

Exames complementares para avaliação clínica incluem hemograma, coagulograma, provas de função renal — incluindo creatinina e ureia — e hepática — incluindo TGO e TGP — e marcadores inflamatórios como a Proteína C-Reativa.

No caso específico do Ebola, existe um protocolo nacional de biossegurança para confirmação diagnóstica do caso suspeito, que acontece através do exame RT-PCR (detecta o material genético do vírus no sangue), cujo resultado sai em aproximadamente 24 horas, e que deve ser feito em parceria com a Fiocruz.

Assim, confirmada a suspeita durante o atendimento médico, o paciente recebe tratamento prioritário no hospital onde está sendo atendido, e é isolado em área adequada restrita. O hospital então realiza a notificação imediata ao Ministério da Saúde e os centros de vigilâncias epidemiológicas municipal e estadual, que enviam uma ambulância especializada, e o paciente é levado para realizar o exame na Fiocruz.

Como prevenir o Ebola e como é feito o tratamento?

A prevenção do Ebola é feita através do controle rigoroso da transmissão e com medidas de proteção em áreas endêmicas ou durante surtos.

As principais estratégias preventivas incluem evitar contato com animais silvestres em regiões de risco; não manusear nem consumir carne de animais silvestres sem comprovação de origem segura; adotar precauções de contato e de barreira ao lidar com pacientes suspeitos ou confirmados. Além disso, qualquer pessoa em contato com casos suspeitos ou confirmados deve utilizar equipamentos de proteção individual (EPI) completos, incluindo luvas, avental impermeável, proteção ocular e máscara, em todas as interações com pacientes doentes, incluindo adotar procedimentos seguros e evitando contato direto durante funerais.

Ainda não há cura para o Ebola capaz de eliminar o vírus com segurança confirmada em todas as variáveis do vírus.

O tratamento do Ebola é principalmente de suporte, e as medidas incluem hidratação intensiva (oral ou intravenosa), reposição de eletrólitos, controle de febre e dor, manejo das hemorragias, suporte respiratório e tratamento de infecções secundárias. O isolamento rigoroso do paciente é indispensável para interromper a cadeia de transmissão.

Pacientes que sobrevivem ao Ebola podem apresentar sequelas de longo prazo, como fadiga crônica, dores musculares e articulares, problemas de visão, perda de memória, entre outros.

Qualquer pessoa que retorne de região com surto ativo e apresente febre ou outros sintomas compatíveis deve procurar imediatamente atendimento médico especializado com um infectologista e informar sobre a viagem recente.

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