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O que é o Ebola e o que causa a doença?

O Ebola é uma doença infecciosa aguda e grave, causada pelo vírus de mesmo nome. Pertencente à família Filoviridae e ao gênero Ebolavirus, o vírus foi identificado pela primeira vez em 1976, em dois surtos simultâneos em países africanos.

Existem cinco espécies conhecidas: Zaire ebolavirus (a mais comum e letal), Sudan ebolavirus, Bundibugyo ebolavirus, Taï Forest ebolavirus e Reston ebolavirus, este último sem casos documentados em humanos.

Como o Ebola é transmitido?

A transmissão ocorre por contato direto com sangue, secreções, órgãos ou fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, incluindo saliva, suor, urina e leite materno. O vírus não é transmitido pelo ar, pela água ou por alimentos.

Os corpos de pessoas que faleceram pela doença permanecem altamente infecciosos. Cerimônias fúnebres com contato físico com o falecido são um importante vetor de transmissão.

Os morcegos frugívoros são considerados os hospedeiros naturais do vírus. O contato com animais silvestres infectados e o consumo de carne silvestre estão entre as principais portas de entrada do vírus em grupos humanos.

Quem tem maior risco de contrair Ebola?

  • Profissionais de saúde que atendem pacientes infectados sem equipamento de proteção adequado.
  • Familiares e cuidadores em contato direto com doentes.
  • Pessoas com contato físico com corpos de falecidos.
  • Moradores e viajantes em áreas com surtos ativos.
  • Pessoas que caçam, manuseiam ou consomem animais silvestres em regiões endêmicas.

Quais são os sintomas do Ebola?

Os sintomas surgem de forma abrupta, entre 2 e 21 dias após a exposição, com período médio de incubação de 8 a 10 dias. A doença começa com febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares e nas articulações, fraqueza extrema, fadiga, perda de apetite e dor de garganta. Em seguida, surgem vômitos, diarreia e dor abdominal intensa.

Com a progressão, desenvolve-se a fase hemorrágica: sangramentos nas mucosas, gengivas e nariz, além de sangue nas fezes, na urina e no vômito. O quadro pode evoluir para falência múltipla de órgãos e choque circulatório.

Ao surgir os primeiros sintomas, procure atendimento médico imediatamente.

Quais são as sequelas do Ebola?

Pacientes que sobrevivem podem ter consequências de longo prazo, como fadiga crônica, dores musculares e articulares, problemas de visão e perda de memória. Em homens, o vírus pode persistir no sêmen por um ano ou mais após a recuperação, com risco de transmissão sexual mesmo depois da alta.

Qual médico consultar?

O especialista responsável pelo diagnóstico e condução do caso é o infectologista. Em situação de emergência, o clínico geral ou médico de urgência pode iniciar o atendimento e acionar os protocolos de isolamento e notificação compulsória.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico combina três elementos: histórico epidemiológico (viagem recente a área endêmica ou contato com caso confirmado), quadro clínico compatível e confirmação laboratorial.

Exames complementares incluem hemograma, coagulograma, função renal, função hepática e marcadores inflamatórios. A confirmação é feita pelo exame RT-PCR, realizado em parceria com a Fiocruz, com resultado em aproximadamente 24 horas.

Confirmada a suspeita, o paciente é isolado e o hospital notifica imediatamente o Ministério da Saúde e as vigilâncias epidemiológicas municipal e estadual.

Como é o tratamento do Ebola?

Ainda não existe cura com eficácia confirmada para todas as espécies do vírus. O tratamento é de suporte: hidratação intensiva, reposição de eletrólitos, controle de febre e dor, manejo das hemorragias e suporte respiratório, sempre com isolamento rigoroso. Para casos causados pela cepa Zaire, a OMS recomenda o uso de anticorpos monoclonais.

Existe vacina contra o Ebola?

Sim, para algumas cepas. Duas vacinas foram aprovadas para a doença causada pela cepa Zaire: a Ervebo, aprovada pelo FDA em 2019, e a combinação Zabdeno e Mvabea. Ambas são recomendadas pela OMS como parte da resposta a surtos.

Para outras espécies, como o Bundibugyo, ainda não há vacinas nem tratamentos aprovados.

Como prevenir o Ebola?

  • Evitar contato com animais silvestres em regiões de risco.
  • Não manusear nem consumir carne de animais silvestres sem origem comprovada.
  • Usar equipamento de proteção individual completo ao lidar com pacientes suspeitos ou confirmados.
  • Adotar procedimentos seguros durante funerais, evitando contato físico com o corpo.
  • Realizar vacinação dos contatos diretos quando a cepa e a vacina disponível forem compatíveis.

Quem retorna de região com surto ativo e desenvolve febre ou sintomas compatíveis deve buscar atendimento médico imediato e informar sobre a viagem recente.

Qual é a situação atual do Ebola no mundo?

Em maio de 2026, a República Democrática do Congo declarou um novo surto na província de Ituri. A OMS classificou a situação como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. O surto é causado pelo vírus Bundibugyo, para o qual não existe vacina aprovada. O vírus atingiu Uganda e registrou casos em Goma, uma das cidades mais populosas do leste africano. Cientistas trabalham para identificar vacinas candidatas que possam ser testadas em caráter emergencial.

Marque uma consulta com o INFECTOLOGISTA perto de você! Se você identifica esses sintomas, procure um especialista. O diagnóstico precoce é o melhor caminho para manter sua saúde em dia. Agende uma consulta