Notícias

Hérnia inguinal bilateral: uma das condições cirúrgicas mais comuns em adultos que pode ser duplamente incômoda

Geralmente é no exame físico de rotina que se identifica toda forma de hérnia inguinal, que aparece na região da virilha. Com tratamento imediato, diminuem os riscos de complicações.
Por: Rede D'Or
ALT: imagem mostra um homem de calça cinza, camisa branca e cinto preto, sentado de penas cruzadas, com as mãos na altura da virilha.
Publicado em

Sentir um inchaço ou abaulamento na virilha, especialmente ao tossir, fazer esforço ou levantar peso, é um dos sinais mais característicos da hérnia inguinal. Uma das condições cirúrgicas mais comuns no mundo, a hérnia inguinal pode afetar pessoas de qualquer idade, embora seja mais frequente em homens adultos. Na forma bilateral, a hérnia inguinal ocorre nos dois lados da virilha ao mesmo tempo, o que exige atenção e avaliação médica ainda mais cuidadosa.

A boa notícia é que a hérnia inguinal, seja unilateral, seja bilateral, tem tratamento cirúrgico definitivo, com técnicas modernas que oferecem recuperação rápida e baixas taxas de complicação.

O principal risco está em deixar a hérnia sem tratamento: com o tempo, a hérnia inguinal pode evoluir para complicações graves, como o encarceramento ou o estrangulamento do intestino, situações que podem exigir cirurgia de emergência. Reconhecer os sinais cedo e buscar avaliação especializada é o caminho mais seguro.

  • A hérnia inguinal é uma condição significativamente mais comum em pessoas do sexo masculino e pode se manifestar em qualquer fase da vida, sendo mais frequente em homens mais velhos. Na forma bilateral, os adultos são os mais afetados.
  • A hérnia inguinal bilateral ocorre quando o defeito na parede abdominal está presente nos dois lados da virilha simultaneamente. Embora menos comum do que a forma unilateral, é uma variante que pode se desenvolver com o tempo em pessoas que já tiveram hérnia de um lado ou que têm predisposição anatômica.
  • Em muitos casos, é através da cirurgia de hérnia inguinal que se corrige permanentemente essa condição. Hérnias não tratadas tendem a aumentar progressivamente e podem evoluir para complicações graves.
Marque sua consulta com especialista

O que é a hérnia inguinal e o que é a sua forma bilateral?

A hérnia inguinal ocorre quando parte do intestino ou do tecido adiposo se desloca através de uma área de fraqueza na parede muscular do abdômen, na região da virilha. Essa protrusão forma um abaulamento visível ou palpável, que costuma aparecer ou aumentar de tamanho ao realizar esforços físicos, tossir ou ficar em pé por longos períodos, e pode diminuir ou desaparecer em repouso.

Existem três variantes da hérnia inguinal: a direta, a indireta e a bilateral. A direta da hérnia inguinal está associada ao enfraquecimento progressivo da parede abdominal, sendo mais comum em homens adultos após anos de esforço físico. A forma indireta da hérnia inguinal está ligada a uma condição congênita, em que o canal inguinal não fecha adequadamente após o nascimento, sendo mais frequente em bebês, crianças e adultos jovens. Já a hérnia inguinal bilateral acontece quando o defeito ocorre dos dois lados da virilha ao mesmo tempo, sendo os adultos os mais afetados.

É importante diferenciar a hérnia inguinal de outras causas de nódulo na virilha, como gânglios inflamados ou cistos. Em todos os casos, a avaliação médica é indispensável para o diagnóstico correto. Quanto mais cedo a condição é identificada, mais simples e seguro tende a ser o tratamento.

Quais são os sintomas da hérnia inguinal e quando procurar ajuda?

A hérnia inguinal pode ser assintomática em seus estágios iniciais, e descoberta apenas em exame físico de rotina. Quando os sintomas aparecem, o mais característico é o surgimento de uma saliência visível na virilha, que pode estar presente em um ou nos dois lados. Essa protuberância tende a aparecer ou aumentar ao tossir, espirrar, agachar ou realizar esforço físico.

Outros sintomas que podem acompanhar a condição da hérnia inguinal incluem dor ou desconforto na região da virilha, especialmente durante atividades físicas; sensação de peso, pressão ou queimação na raiz da coxa; e, em homens, dor ou inchaço nos órgãos genitais, quando a hérnia avança em direção ao escroto. Na forma bilateral, esses sintomas podem aparecer nos dois lados da virilha, com intensidade variada.

Atenção especial deve ser dada a dois sinais de alerta que indicam complicação grave da hérnia inguinal: o encarceramento, quando o conteúdo da hérnia fica preso e não pode ser recolocado no abdômen, e o estrangulamento, quando o suprimento de sangue para o tecido herniado é cortado. Nesses casos, os sintomas incluem dor intensa e súbita, náuseas, vômitos e endurecimento do abaulamento. Essas situações configuram emergências cirúrgicas e exigem atendimento imediato.

Marque sua consulta com especialista

Quais são os fatores de risco para a hérnia inguinal?

Qualquer fator que aumente a pressão sobre a parede abdominal ou enfraqueça sua musculatura pode contribuir para o desenvolvimento de uma hérnia inguinal. O principal fator de risco é ser do sexo masculino: a anatomia do canal inguinal nos homens deixa a região naturalmente mais vulnerável a esse tipo de hérnia.

Entre os outros fatores de risco mais comuns da hérnia inguinal estão: histórico familiar de hérnia; prematuridade ao nascer; esforço físico intenso e repetitivo, especialmente o levantamento de peso; tosse crônica; constipação intestinal persistente, que gera esforço frequente para evacuar; obesidade; tabagismo, que enfraquece os tecidos conectivos; e a gravidez, que aumenta a pressão intra-abdominal. O envelhecimento também favorece o enfraquecimento progressivo da musculatura abdominal, aumentando a predisposição.

No caso específico da hérnia inguinal bilateral, um fator relevante é o histórico prévio de hérnia unilateral já corrigida. Há evidências de que pacientes operados de hérnia em um lado têm maior risco de desenvolver hérnia do lado oposto com o tempo, o que leva alguns especialistas a considerar a correção simultânea dos dois lados como estratégia preventiva em determinados perfis de pacientes.

Como é feito o diagnóstico da hérnia inguinal bilateral?

O diagnóstico da hérnia inguinal é, na maioria dos casos, essencialmente clínico. O médico realiza uma avaliação física detalhada, pedindo ao paciente que fique em pé, tussa ou faça esforço, para verificar o aparecimento da protuberância na virilha. O especialista mais indicado para o diagnóstico e tratamento é o cirurgião geral ou o cirurgião do aparelho digestivo.

Quando o quadro clínico não é conclusivo, ou nos casos em que se suspeita da forma bilateral sem confirmação ao exame físico, exames de imagem podem ser solicitados. A ultrassonografia com Doppler da região inguinal é o exame de imagem mais utilizado para confirmar a presença de hérnia, identificar seu tipo e avaliar os dois lados da virilha. Em casos mais complexos, a tomografia computadorizada também pode ser indicada, de acordo com a avaliação médica.

O diagnóstico correto é fundamental para planejar a melhor abordagem cirúrgica. No caso da hérnia inguinal bilateral, o médico avaliará se a correção dos dois lados pode ser feita no mesmo procedimento ou se é mais indicado realizar as correções em etapas, considerando o estado de saúde geral do paciente e as características de cada hérnia.

Marque sua consulta com especialista

Como é o tratamento da hérnia inguinal bilateral?

O tratamento da hérnia inguinal bilateral é exclusivamente cirúrgico. Não existem medicamentos capazes de corrigir o defeito na parede abdominal, e o uso de cintas e fundas (outro tipo de acessório de compressão) não trata a condição em si, apenas alivia temporariamente o desconforto. A cirurgia pode ser eletiva, quando realizada de forma programada, ou de emergência, nos casos de encarceramento ou estrangulamento.

De acordo com a avaliação médica, podem ser indicadas três abordagens cirúrgicas principais: a cirurgia aberta convencional, a laparoscopia (videolaparoscopia) e a cirurgia robótica. A laparoscopia e a cirurgia robótica são técnicas minimamente invasivas que utilizam pequenas incisões, câmera e instrumentos cirúrgicos específicos, com vantagens como menor dor no pós-operatório e recuperação mais rápida. Em hérnias inguinais bilaterais, a abordagem laparoscópica costuma ser particularmente favorável, pois permite corrigir os dois lados por meio das mesmas incisões, em um único procedimento.

Em todos os casos, a técnica cirúrgica utilizada envolve o reposicionamento do conteúdo herniado e o reforço da parede abdominal, frequentemente com o uso de uma tela cirúrgica. O tempo de recuperação pode variar conforme a abordagem escolhida, o perfil do paciente e a complexidade do caso, e é orientado individualmente pelo cirurgião responsável.

Como é a recuperação da hérnia inguinal e o que fazer para prevenir recidivas?

A recuperação após a cirurgia de hérnia inguinal costuma ser relativamente rápida, especialmente nas abordagens minimamente invasivas. Em geral, o período de repouso recomendado é de aproximadamente duas semanas, com retorno progressivo às atividades cotidianas. Atividades físicas mais intensas, especialmente as que exigem esforço abdominal, costumam ser liberadas após 30 dias, com autorização médica.

Para reduzir o risco de recidiva da hérnia após a cirurgia, é importante seguir todas as orientações médicas no pós-operatório, evitar levantar peso ou fazer esforço excessivo antes da liberação, e adotar hábitos que reduzam a pressão sobre a parede abdominal. Controlar o peso corporal, tratar a tosse crônica, evitar o tabagismo e corrigir a constipação intestinal são medidas que contribuem diretamente para a saúde da parede abdominal a longo prazo.

Vale lembrar que a hérnia inguinal não tem como ser prevenida de forma absoluta, já que fatores como genética, anatomia e envelhecimento não são controláveis. No entanto, manter um estilo de vida ativo, com musculatura abdominal fortalecida, e evitar esforços bruscos são hábitos que ajudam a proteger a parede abdominal. Qualquer sinal de abaulamento ou desconforto na virilha deve ser avaliado por um cirurgião geral sem demora.

Marque sua consulta com especialista