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A melatonina pode preservar a fertilidade após o câncer?

Saiba como a melatonina vem sendo estudada na proteção da função ovariana e na preservação da fertilidade.

A possibilidade de engravidar após o tratamento oncológico é uma dúvida comum entre pessoas que recebem o diagnóstico de câncer em idade reprodutiva. O principal motivo para isso é que alguns tratamentos, como a quimioterapia, podem afetar os ovários, reduzir a reserva de óvulos e dificultar uma gravidez no futuro.

Diante disso, a melatonina tem despertado interesse na comunidade científica por seu possível papel na proteção celular contra danos oxidativos, inclusive nos ovários. Esse efeito está relacionado às suas propriedades antioxidantes e à possível ação na regulação de processos inflamatórios e mitocondriais. No entanto, é importante deixar claro desde o início:

A melatonina ainda não é considerada um tratamento comprovado para preservar a fertilidade após o câncer.

Até o momento, o que existe são estudos experimentais e pré-clínicos que investigam se ela poderia ajudar a proteger o tecido ovariano contra danos induzidos por quimioterapia ou melhorar a viabilidade de tecidos preservados.

Dessa forma, embora seja uma linha de pesquisa promissora, a melatonina não substitui estratégias já estabelecidas de preservação da fertilidade, como o congelamento de óvulos, embriões ou tecido ovariano.

O câncer afeta a fertilidade?

Sim, o câncer pode afetar a fertilidade, mas isso não acontece da mesma forma para todas as pessoas. Em muitos casos, o maior impacto não vem da doença em si, mas principalmente dos tratamentos necessários, como a quimioterapia, a radioterapia, as cirurgias e determinadas terapias hormonais.

Nas pessoas do sexo feminino, a terapia oncológica pode interferir no funcionamento dos ovários, reduzir a quantidade de óvulos disponíveis e aumentar a chance de insuficiência ovariana prematura (menopausa precoce). Além disso, a menstruação pode ficar irregular ou até ser interrompida durante a quimioterapia. O ciclo menstrual pode retornar após o tratamento, mas isso nem sempre significa que a fertilidade foi totalmente preservada.

Nas pessoas do sexo masculino, alguns tratamentos podem prejudicar a produção, a quantidade, a qualidade e a motilidade dos espermatozoides. Dependendo do tipo de tratamento, esse efeito pode ser temporário ou permanente. A radioterapia na região pélvica, determinadas cirurgias e alguns quimioterápicos também podem afetar a função testicular, os níveis hormonais e a capacidade reprodutiva.

Entre os fatores que influenciam essas possibilidades, estão:

  • Idade no momento do diagnóstico;
  • Tipo de câncer;
  • Tipo, dose e duração do tratamento;
  • Uso de radioterapia na região da pelve;
  • Necessidade de cirurgia em órgãos reprodutivos;
  • Reserva ovariana antes do início do tratamento;
  • Produção e qualidade dos espermatozoides.

Ter câncer não significa necessariamente perder a fertilidade. Muitas pessoas conseguem ter filhos biológicos após o tratamento, mas o planejamento precisa ser individualizado e acompanhado por uma equipe especializada.

Leia também: Gravidez e câncer de mama: o que você precisa saber

Quimioterapia causa infertilidade?

A quimioterapia pode causar infertilidade, mas isso não acontece em todos os casos. O risco depende principalmente do tipo de medicamento utilizado, da dose acumulada, da idade do paciente e da reserva reprodutiva antes do tratamento.

Por isso, quem está em tratamento de câncer e deseja engravidar ou ter filhos biológicos no futuro deve conversar com o oncologista e, se indicado, com um especialista em reprodução humana antes de iniciar o tratamento.

É possível engravidar naturalmente após a quimioterapia?

Sim, a gravidez após quimioterapia pode acontecer naturalmente em alguns casos. No entanto, essa possibilidade varia para cada pessoa e depende de fatores como idade, tipo de câncer, medicamentos utilizados e doses do tratamento.

Os ovários podem voltar a funcionar após o fim do tratamento, com retorno da menstruação e da ovulação. Quando isso ocorre, pode haver chance de engravidar sem técnicas de reprodução assistida.

Antes de tentar engravidar, é essencial conversar com o oncologista. A equipe médica pode orientar um intervalo de segurança entre o fim do tratamento e a tentativa de gravidez, considerando o risco de recidiva, o uso de medicamentos contínuos e as condições gerais de saúde da paciente.

Qual é a relação entre melatonina e fertilidade após o câncer?

A relação entre melatonina e fertilidade após o câncer está ligada principalmente à tentativa de proteger ou melhorar a recuperação do tecido ovariano após tratamentos que podem comprometer a função reprodutiva, como a quimioterapia.

A melatonina é mais conhecida por sua ação na regulação do sono, mas também vem sendo estudada por seu potencial antioxidante, anti-inflamatório e modulador da função mitocondrial. Na fertilidade, o interesse dos pesquisadores está em entender se ela poderia:

  • Ajudar a reduzir danos oxidativos no ovário;
  • Melhorar a viabilidade de tecidos ovarianos preservados;
  • Favorecer a função ovariana em situações experimentais específicas.

Um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) investigou o uso da melatonina em um modelo experimental com transplante autólogo de tecido ovariano em ratas. Nesse modelo, o tecido foi retirado, congelado, descongelado e reimplantado. A melatonina foi aplicada localmente no enxerto ovariano.

Os animais que receberam melatonina apresentaram melhora na formação de vasos sanguíneos no tecido transplantado e redução de marcadores de dano celular, sugerindo possível melhora na viabilidade do enxerto.

No entanto, é fundamental reforçar: esse estudo foi feito em modelo animal, não em mulheres em tratamento contra o câncer. Por isso, ainda não é possível afirmar que o uso de melatonina preserva a fertilidade em pacientes oncológicas

Como preservar a fertilidade em caso de câncer?

A preservação da fertilidade em casos de câncer deve ser discutida, sempre que possível, antes do início do tratamento oncológico. A partir da avaliação do oncologista, o paciente pode ser encaminhado a um especialista em reprodução humana para avaliar as opções mais adequadas.

Entre as principais formas de preservar a fertilidade, estão:

  1. Congelamento de óvulos
    É uma das opções mais utilizadas quando há tempo antes do início do tratamento. Envolve estimulação ovariana, coleta dos óvulos e congelamento em laboratório.
  2. Congelamento de embriões
    Semelhante ao congelamento de óvulos, mas com fertilização prévia com espermatozoides antes da criopreservação.
  3. Congelamento de tecido ovariano
    Consiste na retirada e congelamento de parte do ovário para possível reimplante futuro. Pode ser indicado quando não há tempo para estimulação ovariana.
  4. Congelamento de sêmen
    Para homens, é uma estratégia simples e rápida para preservar espermatozoides antes do início do tratamento.
  5. Proteção dos órgãos reprodutivos durante o tratamento
    Em situações específicas, podem ser usadas técnicas para reduzir a exposição dos órgãos reprodutivos à radiação ou cirurgias planejadas para preservar estruturas reprodutivas.

O que é a oncofertilidade?

A oncofertilidade é uma área interdisciplinar da medicina que integra oncologia e reprodução humana. Seu principal objetivo é preservar ou restaurar a fertilidade de pessoas diagnosticadas com câncer.

O cuidado em oncofertilidade envolve uma equipe multidisciplinar formada por oncologistas, ginecologistas, urologistas, endocrinologistas, especialistas em reprodução humana, embriologistas e psicólogos.

Essa atuação integrada permite avaliar, de forma individualizada, os impactos do câncer e do tratamento na fertilidade, além de orientar estratégias para preservar as chances de ter filhos biológicos no futuro.

Se precisar, pode contar com a Oncologia D’Or!

A Oncologia D’Or transforma o cuidado com o câncer por meio de uma rede integrada de clínicas e centros de tratamento em diversos estados do país.

Com um corpo clínico especializado e equipes multidisciplinares, proporcionamos uma jornada de atendimento que une tecnologia avançada, diagnóstico ágil e tratamentos personalizados.

Como parte da Rede D’Or, a maior rede de saúde da América Latina, garantimos acesso às estruturas hospitalares mais modernas e aos avanços científicos que fazem a diferença na vida dos pacientes.

Nosso compromisso é oferecer excelência, conforto e segurança em todas as etapas do tratamento oncológico, promovendo saúde e qualidade de vida.

Quimioterapia causa infertilidade permanente?

Nem sempre. O risco depende da idade, do tipo de quimioterapia e da reserva ovariana ou testicular.

Quem teve câncer pode fazer fertilização in vitro?

Em muitos casos, sim, desde que haja liberação da equipe oncológica.

Quanto tempo depois do câncer posso tentar engravidar?

Depende do tipo de câncer e do risco de recidiva. A decisão deve ser individualizada.

O tratamento do câncer pode antecipar a menopausa?

Sim. Alguns tratamentos podem reduzir a reserva ovariana e causar menopausa precoce.

É necessário usar anticoncepcional durante a quimioterapia?

Sim, na maioria dos casos. Mesmo com fertilidade reduzida, pode haver risco de gravidez, e alguns medicamentos são teratogênicos.

É possível saber antes do tratamento se vou ficar infértil?

Não com 100% de certeza. É possível estimar o risco com base em idade, exames e tipo de tratamento.

A radioterapia também pode afetar a fertilidade?

Sim, especialmente quando envolve pelve ou região próxima aos órgãos reprodutivos.

Terapias hormonais interferem na gravidez?

Podem adiar a gravidez durante o uso, especialmente em tratamentos prolongados.

Existe idade limite para preservar a fertilidade?

Não há limite absoluto, mas a idade influencia fortemente as chances de sucesso

Quem não tem parceiro pode congelar óvulos ou sêmen?

Sim. Não é necessário ter parceiro para preservação da fertilidade.

Quem teve câncer na infância pode ter filhos?

Sim, mas depende do tipo de tratamento realizado.

O tratamento do câncer afeta a saúde do bebê no futuro?

Na maioria dos casos, não. Gravidezes após liberação médica tendem a ser seguras.

Revisão médica:

Dra. Fernanda Frozoni Antonacio

Oncologista Clínica

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