O câncer de colo do útero geralmente não surge de forma repentina. Antes de se tornar uma doença invasiva, ele costuma passar por estágios iniciais conhecidos como lesões pré-cancerosas, caracterizados por alterações nas células que revestem o colo uterino. Essas mudanças podem levar anos para evoluir e, justamente por isso, representam uma importante oportunidade de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento antes do desenvolvimento do câncer.
Chamadas de neoplasias intraepiteliais cervicais (NIC), também conhecidas atualmente como lesões intraepiteliais escamosas, essas alterações são classificadas de acordo com o grau de comprometimento celular. Nas formas mais leves, principalmente a NIC 1, é comum ocorrer regressão espontânea, especialmente em mulheres mais jovens. Já nas lesões de alto grau, como NIC 2 e NIC 3, existe maior risco de progressão para câncer invasivo quando não tratadas adequadamente.
O principal fator associado ao desenvolvimento dessas alterações é a infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV), um vírus sexualmente transmissível extremamente comum. Na maioria das pessoas, o sistema imunológico consegue eliminar o vírus naturalmente ao longo do tempo. No entanto, em alguns casos, a infecção persiste e pode provocar alterações celulares progressivas que evoluem para lesões pré-cancerosas e, eventualmente, para o câncer de colo do útero.
Nesse contexto, a conização surge como uma estratégia importante de prevenção, diagnóstico e tratamento precoce. Continue a leitura para entender melhor como funciona esse procedimento e quando ele é indicado.
O que é a conização?
Também chamada de biópsia em cone, a conização é um procedimento ginecológico realizado no colo do útero com o objetivo de remover uma área de tecido que apresenta alterações celulares suspeitas ou confirmadas. O fragmento retirado possui formato semelhante a um cone, por isso o nome “conização” e inclui tanto a parte externa do colo quanto o canal endocervical, regiões onde as lesões pré-cancerosas costumam se desenvolver.
A conização pode ser realizada por diferentes técnicas, incluindo a cirurgia de alta frequência (CAF/LEEP), bisturi frio ou laser.
O procedimento possui duas finalidades principais: diagnóstica e terapêutica. Do ponto de vista diagnóstico, permite uma avaliação detalhada do tecido em laboratório por meio do exame anatomopatológico, ajudando a definir a extensão e a gravidade da lesão. Já do ponto de vista terapêutico, a retirada completa da área alterada pode ser suficiente para eliminar a lesão e prevenir a progressão para o câncer de colo do útero.
Quando a conização é indicada?
A conização costuma ser indicada quando há suspeita ou confirmação de lesões pré-cancerosas de alto grau no colo do útero, especialmente aquelas com maior potencial de evolução para câncer invasivo.
A decisão de realizar o procedimento é baseada na avaliação conjunta de exames clínicos, laboratoriais e de imagem, sempre realizada por um médico especialista. De forma geral, a conização pode ser recomendada nas seguintes situações:
- Lesões de alto grau (NIC 2 e NIC 3);
- Alterações persistentes no exame de Papanicolau;
- Achados suspeitos na colposcopia;
- Discordância entre os exames realizados;
- Biópsia com resultado inconclusivo ou sugestivo de lesão mais extensa;
- Suspeita de microinvasão ou câncer inicial do colo do útero;
- Persistência de lesões após tratamentos prévios.
Além disso, fatores como idade, desejo reprodutivo, extensão da lesão e histórico clínico da paciente também são considerados na tomada de decisão. Por isso, a indicação da conização deve ser individualizada, buscando sempre equilíbrio entre eficácia do tratamento e preservação da função cervical.
Quais são os tipos de conização?
Existem diferentes técnicas de conização, e a escolha depende de fatores como extensão da lesão, idade da paciente, experiência da equipe médica e suspeita clínica. As principais técnicas são:
Conização com bisturi frio
Também chamada de conização cirúrgica clássica, é realizada com bisturi convencional, geralmente em ambiente hospitalar e sob anestesia regional ou geral. Permite a retirada de fragmentos maiores e com margens mais bem preservadas para análise anatomopatológica, sendo frequentemente indicada em casos mais complexos ou quando existe suspeita de microinvasão.
Conização por cirurgia de alta frequência (CAF/LEEP)
A cirurgia de alta frequência, também conhecida como LEEP (Loop Electrosurgical Excision Procedure), utiliza uma alça metálica fina aquecida por corrente elétrica para remover o tecido alterado. É uma das técnicas mais utilizadas atualmente, por ser menos invasiva, rápida e frequentemente realizada em regime ambulatorial.
Conização a laser
Utiliza um feixe de laser de alta energia para remover o tecido cervical alterado. Embora seja menos utilizada na prática atual, pode ser uma alternativa eficaz em casos selecionados e em centros especializados.
Como é feito o diagnóstico antes da conização?
Antes de indicar a conização, é fundamental realizar uma investigação detalhada para identificar a presença, a localização e a gravidade das alterações no colo do útero. Esse diagnóstico é feito por meio de uma combinação de exames, incluindo principalmente o Papanicolau (citologia oncótica), o teste para HPV e a colposcopia.
Quando são identificadas alterações suspeitas, realiza-se uma biópsia dirigida durante a colposcopia, com retirada de pequenos fragmentos do tecido para análise laboratorial. Esse exame confirma o tipo e o grau da lesão e é essencial para definir a necessidade de tratamento.
Em algumas situações, especialmente quando os resultados são inconclusivos, discordantes ou sugerem lesões mais extensas localizadas no canal endocervical, a conização pode ser indicada tanto para esclarecer o diagnóstico quanto para tratar a área comprometida.
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Conização dói?
Normalmente, a conização não costuma ser dolorosa, pois o procedimento é realizado com anestesia, que pode ser local, regional ou geral, dependendo da técnica utilizada e da avaliação médica.
Após o procedimento, é comum ocorrerem sintomas leves e temporários, como:
- Cólicas semelhantes às menstruais;
- Pequeno sangramento vaginal;
- Corrimento escuro nos primeiros dias;
- Desconforto leve na região pélvica.
Esses sintomas geralmente melhoram em poucos dias e podem ser controlados com medicações simples, conforme orientação médica.
Como é a recuperação da conização?
A recuperação costuma ser tranquila, especialmente quando as orientações médicas são seguidas adequadamente. Como se trata de um procedimento relativamente simples, muitas mulheres conseguem retomar atividades leves em poucos dias, embora a cicatrização completa do colo do útero leve algumas semanas.
Durante o período de recuperação, alguns cuidados são importantes para reduzir o risco de complicações e favorecer uma boa cicatrização:
- Evitar relações sexuais por cerca de 3 a 4 semanas, ou conforme orientação médica;
- Não utilizar absorventes internos;
- Evitar duchas vaginais;
- Evitar banhos de imersão, piscinas e banheiras nos primeiros dias;
- Reduzir esforços físicos intensos;
- Manter acompanhamento médico conforme indicado.
O tempo total de cicatrização costuma variar entre 4 e 6 semanas. Após esse período, normalmente é realizada uma reavaliação ginecológica para confirmar a adequada recuperação do colo uterino e verificar se não há persistência da lesão.
Também é importante ficar atenta a sinais de alerta, como:
- Sangramento intenso;
- Febre;
- Dor intensa ou progressiva;
- Secreção vaginal com odor desagradável.
Na presença desses sintomas, é fundamental procurar avaliação médica.
Precisa de quanto tempo de repouso após a conização?
De modo geral, recomenda-se repouso relativo nas primeiras 24 a 48 horas após o procedimento, evitando esforços físicos importantes. O retorno às atividades habituais costuma ocorrer gradualmente.
Em muitos casos, é possível retornar ao trabalho entre 3 e 7 dias, dependendo do tipo de atividade exercida e da recuperação individual de cada paciente.
Depois da conização, estou curada?
A conização pode ser curativa em muitos casos, especialmente quando toda a lesão é removida com margens livres no exame anatomopatológico. Entretanto, mesmo após um tratamento bem-sucedido, o acompanhamento ginecológico continua sendo indispensável.
Isso ocorre porque ainda existe risco de recorrência, principalmente quando há persistência da infecção pelo HPV. Por esse motivo, é essencial manter o seguimento médico periódico, incluindo exames como Papanicolau, teste de HPV e colposcopia, conforme recomendação do ginecologista.
Quais são os riscos da conização?
A conização é considerada um procedimento seguro, mas, como qualquer intervenção cirúrgica, pode apresentar alguns riscos e complicações, embora a maioria seja incomum. Entre eles estão:
- Sangramento;
- Infecção;
- Dor pélvica;
- Estreitamento do colo do útero (estenose cervical);
- Dificuldade para dilatação do colo em futuras gestações;
- Aumento do risco de parto prematuro e insuficiência istmocervical.
O risco dessas complicações pode variar conforme a quantidade de tecido removido e a técnica utilizada.
Quando bem indicada e realizada com acompanhamento adequado, a conização apresenta elevada eficácia na prevenção do câncer de colo do útero.
A conização interfere na gravidez?
Muitas mulheres conseguem engravidar normalmente após a conização. No entanto, dependendo da profundidade e da extensão do tecido removido, pode haver impacto sobre futuras gestações.
O procedimento pode aumentar o risco de insuficiência do colo do útero, situação em que o colo se abre precocemente durante a gravidez, além de elevar a chance de parto prematuro, especialmente após conizações mais extensas ou repetidas.
Por isso, mulheres que desejam engravidar futuramente devem informar esse objetivo ao médico antes do procedimento, para que a abordagem mais conservadora e segura possível seja considerada.
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Como entender o resultado da conização?
O tecido removido durante a conização é encaminhado para análise anatomopatológica. O laudo fornece informações fundamentais para confirmar o diagnóstico e definir os próximos passos do acompanhamento.
Os principais pontos avaliados incluem:
- Tipo e grau da lesão: confirma a presença de lesões pré-cancerosas, como NIC 2 ou NIC 3, ou, mais raramente, câncer inicial;
- Margens cirúrgicas livres: indicam que a lesão provavelmente foi removida completamente;
- Margens comprometidas: sugerem que ainda pode existir tecido alterado residual;
- Presença ou ausência de invasão tumoral.
Em geral, quando o resultado mostra lesão completamente removida e margens livres, a conização pode ser considerada suficiente, sendo necessário apenas acompanhamento periódico.
Já nos casos em que existem margens comprometidas, persistência de alterações ou dúvidas diagnósticas, o médico poderá indicar seguimento mais rigoroso, repetição de exames ou tratamento complementar.
Por isso, é fundamental discutir detalhadamente o resultado com o ginecologista, que irá orientar a conduta mais adequada para cada situação.
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