O câncer de mama feminino é o tipo de câncer mais frequente no Brasil, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026–2028, são esperados cerca de 78.610 novos casos por ano no país. Apesar da alta incidência, quando identificado em fases iniciais, o câncer de mama apresenta elevadas chances de tratamento bem-sucedido e cura. Por isso, o rastreamento e o diagnóstico precoce têm papel fundamental na redução da mortalidade e na melhora da qualidade de vida das pacientes.
O que é o rastreamento do câncer de mama?
O rastreamento é uma estratégia de saúde voltada para a identificação precoce da doença, antes mesmo do aparecimento de sinais ou sintomas. Ele é realizado por meio de exames periódicos em pessoas aparentemente saudáveis, especialmente naquelas pertencentes a grupos de maior risco.
O principal exame utilizado no rastreamento do câncer de mama é a mamografia, capaz de detectar alterações muito pequenas, como nódulos e microcalcificações, que ainda não podem ser percebidos ao exame físico ou pela própria paciente. A detecção precoce aumenta significativamente as chances de tratamento eficaz, possibilitando abordagens menos invasivas e melhores resultados clínicos.
O que é e como funciona a mamografia?
A mamografia é um exame de imagem utilizado para avaliar as mamas e identificar alterações que podem indicar a presença de câncer. O exame é realizado por meio de um aparelho de raio-X chamado mamógrafo. Durante o procedimento, a mama é posicionada entre duas placas que exercem uma compressão controlada do tecido mamário.
Essa compressão é importante porque reduz a sobreposição das estruturas da mama, melhora a qualidade das imagens e aumenta a capacidade de identificar alterações suspeitas com maior precisão. Além disso, permite a utilização de menor dose de radiação. O exame costuma ser rápido, geralmente com duração entre 15 e 30 minutos.
As imagens obtidas são analisadas por um médico radiologista, que avalia a presença de nódulos, calcificações, assimetrias ou outras alterações que possam necessitar de investigação adicional.
Mamografia dói?
A mamografia pode causar desconforto momentâneo devido à compressão das mamas, mas costuma ser bem tolerada pela maioria das mulheres. A intensidade do desconforto varia de acordo com a sensibilidade individual e com o período do ciclo menstrual.
Para minimizar o incômodo, uma orientação útil é evitar realizar o exame nos dias em que as mamas estão mais sensíveis, especialmente no período pré-menstrual. Informar qualquer dor ou desconforto à equipe de saúde também pode ajudar a adequar a compressão sempre que possível, sem comprometer a qualidade do exame.
Quem precisa (e quando) fazer a mamografia?
As recomendações sobre quando iniciar a mamografia e com qual frequência ela deve ser realizada podem variar de acordo com a idade, histórico familiar, fatores de risco e diretrizes médicas adotadas.
De forma geral, o rastreamento é indicado para mulheres sem sintomas, com o objetivo de detectar precocemente possíveis alterações nas mamas. No Brasil, entidades como a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) recomendam a realização da mamografia anual a partir dos 40 anos de idade para mulheres de risco habitual.
Já o Ministério da Saúde e o INCA recomendam o rastreamento bienal para mulheres entre 50 e 69 anos. Essas diferenças refletem debates científicos sobre benefícios, riscos e custo-efetividade do rastreamento em diferentes faixas etárias.
Além disso, algumas mulheres podem precisar iniciar o rastreamento mais precocemente e realizar acompanhamento individualizado, especialmente aquelas com maior risco de desenvolver câncer de mama, como:
- histórico familiar importante de câncer de mama ou ovário;
- mutações genéticas, como BRCA1 e BRCA2;
- história prévia de radioterapia torácica;
- síndromes genéticas associadas ao aumento do risco de câncer.
Nesses casos, além da mamografia, exames complementares como a ressonância magnética das mamas também podem ser indicados.
É importante destacar que homens também podem desenvolver câncer de mama, embora isso seja raro. Na presença de sintomas, como nódulos mamários, secreção pelo mamilo ou alterações locais, a avaliação médica é fundamental.
Por isso, o mais importante é conversar com o médico para definir a melhor estratégia de rastreamento de acordo com o perfil e o histórico de saúde de cada pessoa.
Resultado da mamografia alterado: e agora?
Receber um resultado alterado na mamografia pode causar ansiedade, mas é importante lembrar que nem toda alteração significa câncer. Muitas alterações identificadas no exame são benignas, como cistos, fibroadenomas ou calcificações sem características suspeitas.
Os resultados da mamografia costumam ser classificados pelo sistema BI-RADS, que padroniza a interpretação dos achados e orienta a conduta mais adequada para cada situação. Dependendo da classificação, o médico pode recomendar apenas acompanhamento periódico ou solicitar exames complementares, como ultrassonografia, ressonância magnética ou biópsia.
A biópsia é o exame que permite confirmar ou descartar o diagnóstico de câncer. Ela é indicada quando existe alguma alteração suspeita que necessite de avaliação mais detalhada. Mesmo nessas situações, uma parcela significativa dos resultados acaba sendo benigna.
Diante de uma mamografia alterada, o mais importante é não adiar a investigação. Quando o diagnóstico é realizado precocemente, aumentam as chances de tratamento eficaz e melhores resultados.
Leia também: Descubra os mitos e verdades sobre o câncer de mama
Classificação BI-RADS: o que significa?
A classificação BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System) é um sistema internacional criado pelo Colégio Americano de Radiologia para padronizar os laudos de exames de imagem das mamas, como mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética.
Esse sistema ajuda a descrever os achados de forma clara, reduz diferenças de interpretação entre profissionais e orienta os próximos passos da investigação.
Os resultados são divididos em categorias que variam de 0 a 6:
| Categoria | Significado |
| BI-RADS 0 | Exame inconclusivo, sendo necessário realizar exames complementares. |
| BI-RADS 1 | Resultado normal, sem alterações. |
| BI-RADS 2 | Achados benignos, sem probabilidade de câncer. |
| BI-RADS 3 | Provavelmente benigno, com recomendação de acompanhamento em curto prazo. |
| BI-RADS 4 | Alteração suspeita, podendo indicar a necessidade de biópsia. |
| BI-RADS 5 | Alta suspeita de malignidade, com forte indicação de investigação imediata. |
| BI-RADS 6 | Câncer já confirmado por biópsia. |
Essa classificação é importante porque ajuda a evitar tanto procedimentos desnecessários quanto atrasos no diagnóstico.
Ultrassom ou mamografia: qual é melhor?
Não existe um exame “melhor” de forma absoluta. A mamografia e a ultrassonografia das mamas são métodos complementares, cada um com indicações específicas.
A mamografia é considerada o principal exame para rastreamento do câncer de mama e é especialmente eficaz na detecção de alterações iniciais, incluindo microcalcificações. Já a ultrassonografia é bastante útil para complementar a avaliação de alterações encontradas na mamografia, investigar nódulos palpáveis e analisar mamas densas, que podem dificultar a interpretação mamográfica.
O ultrassom também é frequentemente utilizado em mulheres mais jovens, gestantes e lactantes, situações em que a densidade mamária costuma ser maior.
Em muitos casos, os dois exames são solicitados em conjunto justamente para aumentar a precisão diagnóstica. Por isso, mais importante do que escolher entre um ou outro é seguir a orientação médica individualizada.
Confira também: Alta densidade mamária – um fator de risco relevante no câncer de mama
O rastreamento do câncer de mama é seguro?
Sim. O rastreamento do câncer de mama é considerado seguro e apresenta benefícios importantes quando realizado de acordo com as recomendações médicas. Diversos estudos demonstram que o rastreamento mamográfico contribui para reduzir a mortalidade pela doença, principalmente pela possibilidade de detectar tumores em fases iniciais.
Como qualquer exame médico, a mamografia também possui limitações e possíveis riscos, como resultados falso-positivos, necessidade de exames adicionais, ansiedade relacionada à investigação e, em alguns casos, identificação de tumores de crescimento muito lento. Ainda assim, para a maioria das mulheres dentro das faixas indicadas, os benefícios do rastreamento superam os riscos.
Além disso, a quantidade de radiação utilizada na mamografia é baixa e considerada segura dentro das recomendações habituais.
Por que o diagnóstico precoce é fundamental?
Quando o câncer de mama é descoberto em estágios iniciais, as chances de cura são significativamente maiores e o tratamento tende a ser menos agressivo. Em muitos casos, é possível realizar cirurgias conservadoras, preservar a mama e reduzir a necessidade de tratamentos mais intensivos.
Segundo dados de entidades médicas e estudos clínicos, as taxas de sobrevida para tumores diagnosticados precocemente podem ultrapassar 90%. Além disso, o diagnóstico precoce está associado a melhor qualidade de vida e menores taxas de complicações relacionadas ao tratamento.
Por isso, é essencial manter os exames em dia e procurar avaliação médica ao perceber qualquer alteração nas mamas, como:
- nódulos;
- retração do mamilo;
- saída de secreção pelo mamilo;
- alterações na pele da mama;
- vermelhidão persistente;
- aumento de volume ou deformidades.
Quanto mais cedo o câncer de mama for identificado, maiores serão as chances de um tratamento eficaz e de recuperação.
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