O câncer de mama é o tipo de tumor maligno mais frequente entre as mulheres no Brasil, depois do câncer de pele não melanoma. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados mais de 73 mil novos casos por ano no país. Embora seja uma doença séria, quando diagnosticada precocemente as chances de cura podem ultrapassar 90%, reforçando a importância dos exames de rotina, da conscientização e do acesso à informação confiável.
Apesar dos avanços da medicina, ainda existem muitos mitos sobre o câncer de mama que geram dúvidas, apreensão e, muitas vezes, atrasam a busca por atendimento médico. Informações equivocadas podem atrapalhar o diagnóstico precoce e prejudicar o tratamento.
Neste texto, esclarecemos os principais mitos e verdades sobre o câncer de mama, sempre com base em evidências científicas e nas recomendações de especialistas. O objetivo é desfazer crenças erradas, ampliar o conhecimento e mostrar como a informação correta pode salvar vidas. Confira abaixo!
1. Apenas mulheres com histórico familiar têm câncer de mama
Mito. Embora o histórico familiar seja um fator de risco importante, ele não é o mais comum. Na verdade, a maioria dos casos de câncer de mama ocorre em mulheres sem parentes próximos com a doença.
Ter mãe, irmã ou filha com diagnóstico, especialmente antes dos 50 anos ou relacionado a mutações herdadas (como BRCA1 e BRCA2), aumenta o risco. Porém, diversos outros fatores também influenciam:
- Envelhecimento
- Excesso de gordura corporal
- Sedentarismo
- Tabagismo
- Consumo excessivo de álcool
- Menarca precoce e menopausa tardia
- Não ter engravidado ou ter o primeiro filho após os 30 anos.
2. Usar sutiã apertado causa câncer de mama
Mito. Não existe qualquer evidência científica de que sutiã apertado, com aro ou usado por longas horas cause câncer de mama.
Esse mito surgiu da ideia de que o sutiã impediria a drenagem linfática, mas o sistema linfático não é bloqueado por esse tipo de compressão. Estudos já descartaram completamente essa hipótese.
3. Antitranspirantes causam câncer de mama
Mito. Não há comprovação científica de que antitranspirantes contendo parabenos ou sais de alumínio aumentem o risco de câncer de mama.
As substâncias desses produtos são consideradas seguras em concentrações regulamentadas, e a pele das axilas não é uma via significativa de absorção capaz de causar alterações hormonais.
4. Colocar o celular no sutiã pode causar câncer de mama
Mito. Até o momento, não existe evidência de que guardar o celular no sutiã cause câncer. Os smartphones emitem radiação não ionizante, que não altera o DNA das células.
Apesar disso, a prática não é recomendada por questões de segurança, como risco de queda, superaquecimento ou desconforto na pele.
5. Próteses de silicone aumentam a chance de câncer de mama
Mito. As próteses de silicone não aumentam o risco de desenvolver câncer de mama. Mulheres com implantes têm risco semelhante ao de mulheres sem implantes, considerando idade, genética e estilo de vida.
No entanto, o que existe é uma condição rara chamada linfoma anaplásico de grandes células associado ao implante (BIA-ALCL), que ocorre principalmente com implantes texturizados. Esse linfoma não é câncer de mama, mas sim um tipo raro de linfoma que se desenvolve ao redor da cápsula do implante.
6. A amamentação é um fator de proteção
Verdade. Amamentar, especialmente por períodos prolongados, reduz a probabilidade de desenvolver câncer de mama.
A proteção está relacionada a:
- Menor exposição ao estrogênio
- Maturação e renovação celular do tecido mamário durante a lactação
- Atraso no retorno da ovulação em períodos de amamentação contínua
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7. O autoexame não substitui a mamografia
O autoexame das mamas é importante para o autoconhecimento corporal, mas não substitui a mamografia. Ele ajuda a identificar alterações como nódulos, inchaços, secreções ou mudanças na pele, sinais que devem ser investigados.
Porém, no autoexame só é possível perceber alterações palpáveis, ou seja, quando o tumor já está maior. Em muitos casos, o câncer se desenvolve sem formar caroços visíveis ou palpáveis, principalmente nas fases iniciais, justamente as que oferecem maior chance de cura.
A mamografia é um exame de imagem capaz de detectar lesões muito pequenas, antes de causarem sintomas. Por isso, é o método mais indicado para o rastreamento do câncer de mama.
Veja também: Autoexame: quais regiões posso encontrar um tumor?
8. Pessoas do sexo masculino também podem ter câncer de mama
Verdade. Embora raro, homens também podem desenvolver câncer de mama. Aproximadamente 1% dos diagnósticos ocorre em pessoas do sexo masculino, segundo o INCA. Isso acontece porque eles também possuem tecido mamário, que pode sofrer as mesmas alterações que o das mulheres.
Apesar de não existirem campanhas de rastreamento específicas para homens, qualquer alteração no peito ou no mamilo deve ser avaliada.
9. Dor no seio é sintoma de câncer de mama
Na maior parte das vezes, não. A dor mamária isolada costuma estar relacionada a alterações hormonais do ciclo menstrual, gestação, amamentação ou menopausa. Ela é chamada de mastalgia e é uma queixa comum.
A dor pode estar presente no câncer de mama, mas geralmente em estágios avançados. Mesmo assim, dores persistentes, localizadas ou acompanhadas de outros sinais merecem investigação médica.
10. Todo caroço na mama é um câncer
Nem sempre um caroço na mama indica um câncer. Entre as possíveis causas benignas (não relacionadas ao câncer) estão cistos, fibroadenomas, lipomas, adenomas e abcessos.
Porém, alguns nódulos podem indicar câncer, sobretudo quando há características como consistência endurecida, crescimento progressivo e formato irregular. Por isso, qualquer alteração nas mamas deve ser avaliada por um médico.
11. Anticoncepcionais orais aumentam a chance de ter a doença
A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) publicou em 2023 uma nota sobre um estudo realizado pela revista PLOS Medicine, que analisou dados de mais de 100 mil mulheres. A pesquisa concluiu que todos os tipos de contraceptivos hormonais, tanto os combinados (que contêm estrogênio e progestágeno) quanto os de progestágeno isolado, estavam associados a um aumento de cerca de 20% a 30% na chance de câncer de mama.
Por exemplo, para mulheres entre 16 e 20 anos que usaram anticoncepcionais orais por cinco anos, a probabilidade absoluta adicional da doença é estimada em cerca de 8 casos a cada 100.000 usuárias.
Segundo a Febrasgo, como a chance de desenvolver câncer de mama aumenta com a idade, o impacto do uso de anticoncepcionais hormonais tende a ser menor em mulheres mais jovens. Ou seja, entre aquelas que usam o método na juventude, o efeito é mais discreto do que em idades mais avançadas.
Por isso, a decisão de usar anticoncepcionais deve ser tomada com orientação médica individualizada, considerando riscos, benefícios e alternativas disponíveis.
Leia também: Anticoncepcionais aumentam a chance de ter câncer?
12. Atividade física e alimentação ajudam na prevenção
Verdade. Praticar atividade física regularmente e manter uma dieta equilibrada são fatores importantes na prevenção do câncer de mama. O INCA estima que cerca de 17% dos casos poderiam ser evitados com hábitos saudáveis.
O exercício físico ajuda a controlar o peso, regular hormônios, reduzir inflamações e fortalecer o sistema imunológico. Já uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes e grãos integrais fornece nutrientes e antioxidantes que protegem as células.
Além disso, esses hábitos melhoram a qualidade de vida, previnem outras doenças e fortalecem o bem-estar físico e mental.
13. O diagnóstico precoce aumenta a chance de cura
Verdade. Quando o câncer de mama é descoberto em estágios iniciais, as taxas de cura podem chegar a 95%, de acordo com a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA). Além disso, nesse caso, o tratamento tende a ser menos agressivo.
Entidades como a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) indicam que a mamografia deve ser realizada anualmente a partir dos 40 anos de idade. O exame também pode ser indicado fora dessa faixa etária ou frequência, após uma avaliação médica individualizada.
Revisor científico
Dra. Fernanda Frozoni Antonacio
Oncologista Clínica
Rede D’or – Hospital Vila Nova Star e Hospital São Luiz Itaim
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