A perda de força e de massa muscular, conhecida como sarcopenia, é uma condição frequente entre pessoas com câncer. A prevalência dessa condição em pacientes oncológicos varia de acordo com o tipo e o estágio da doença. No câncer de pulmão de pequenas células, por exemplo, estudos mostram taxas que podem chegar a cerca de 79%, enquanto no câncer de esôfago os números giram em torno de 50%. Já em tumores como os de fígado, mama, estômago e colorretal, a prevalência costuma variar entre aproximadamente 11% e 44%.
A sarcopenia oncológica pode provocar diversas complicações, incluindo maior risco de efeitos colaterais da quimioterapia, infecções, internações prolongadas e redução da sobrevida. Além disso, a perda de força muscular compromete a autonomia, limita as atividades do dia a dia e impacta negativamente a qualidade de vida do paciente.
Os músculos exercem funções essenciais no organismo. Além de possibilitarem o movimento, participam da regulação do metabolismo, da produção de calor, da proteção de ossos e órgãos e desempenham papel importante no funcionamento do sistema imunológico. Por esse motivo, preservar a massa muscular é um fator relevante para o sucesso do tratamento oncológico.
O que é sarcopenia?
A sarcopenia é caracterizada pela redução progressiva da massa muscular, da força e da função dos músculos esqueléticos. Embora seja mais frequentemente associada ao envelhecimento, essa condição também pode ocorrer em decorrência de doenças crônicas, como o câncer, além de fatores que afetam o metabolismo e o estado nutricional do organismo.
Além da perda muscular propriamente dita, a sarcopenia compromete o desempenho físico e pode levar a dificuldades para realizar tarefas simples da rotina, como subir escadas, levantar-se de uma cadeira ou carregar objetos leves. Com a progressão do quadro, aumentam os riscos de quedas, fraturas, perda de independência funcional e até de mortalidade.
Em muitos casos, a sarcopenia se desenvolve de forma silenciosa, tornando-se perceptível apenas quando a perda de massa muscular já está avançada. Por isso, a identificação precoce é fundamental. O diagnóstico costuma envolver avaliações clínicas, como o teste de força de preensão manual, além de exames de composição corporal, como a análise por tomografia, bioimpedância ou outros métodos validados.
Relação entre câncer e perda de massa muscular
O câncer pode desencadear uma série de alterações metabólicas, inflamatórias e nutricionais que favorecem a perda de massa muscular. Essa condição não ocorre apenas em decorrência da inatividade física ou da redução da ingestão alimentar, mas também como resultado da ação direta do tumor e da resposta do organismo à doença.
Na presença do câncer, instala-se frequentemente um estado inflamatório crônico, com liberação de mediadores inflamatórios que aceleram o catabolismo, ou seja, a degradação dos tecidos, especialmente dos músculos. Paralelamente, há redução da capacidade do organismo de sintetizar proteínas musculares, o que dificulta a manutenção da massa magra mesmo quando a ingestão nutricional é adequada.
Além disso, muitos pacientes apresentam diminuição do apetite, náuseas, alterações do paladar e dificuldade para se alimentar, fatores que contribuem para a desnutrição e agravam a perda muscular.
A sarcopenia oncológica, portanto, tem origem multifatorial e pode surgir em diferentes fases da doença, inclusive antes do início do tratamento ou após terapias oncológicas.
Sinais e sintomas da sarcopenia oncológica
A sarcopenia oncológica pode evoluir de forma silenciosa, especialmente nos estágios iniciais, o que dificulta o reconhecimento precoce. Com a progressão da perda de massa e de força muscular, os sinais e sintomas tornam-se mais evidentes e passam a impactar de forma significativa a qualidade de vida do paciente. Entre os principais, destacam-se:
- Redução do volume muscular e do peso corporal;
- Dificuldade para carregar objetos leves ou realizar movimentos simples, como abrir potes;
- Redução da mobilidade e do equilíbrio;
- Dificuldade para subir escadas, levantar-se de cadeiras ou sair da cama;
- Perda da autonomia para realizar atividades diárias.
Além disso, pacientes com sarcopenia oncológica costumam apresentar recuperação mais lenta após cirurgias ou ciclos de tratamento, o que pode agravar o estado geral e interferir na continuidade do plano terapêutico.
Tratamento
O tratamento da sarcopenia oncológica exige uma abordagem integrada e multidisciplinar, considerando a perda muscular, o estado nutricional, o estágio do câncer e a capacidade funcional do paciente. O principal objetivo é preservar ou recuperar a massa e a força muscular, contribuindo para uma melhor qualidade de vida e para uma resposta mais favorável ao tratamento oncológico.
A alimentação adequada é um dos pilares do cuidado. Pacientes com sarcopenia geralmente necessitam de uma ingestão proteica individualizada, com acompanhamento de um nutricionista especializado. A prática de atividade física, incluindo exercícios de resistência ou programas de fisioterapia, pode ser indicada pelo médico para estimular a síntese de proteína muscular e melhorar a funcionalidade.
O controle do crescimento tumoral e dos efeitos colaterais das terapias também faz parte do manejo, podendo envolver ajustes no tratamento oncológico e o uso de medicamentos para aliviar sintomas como náuseas, dor e fadiga.
Como prevenir?
A prevenção da sarcopenia oncológica é fundamental para preservar a autonomia, a segurança e a qualidade de vida do paciente. Mesmo quando a perda de massa muscular já se iniciou, é possível adotar medidas que retardem sua progressão e favoreçam uma recuperação mais eficiente.
Algumas estratégias importantes incluem:
- Garantir ingestão adequada de proteínas e calorias, conforme orientação nutricional;
- Praticar exercícios físicos, especialmente de resistência, quando liberados pelo médico;
- Manter acompanhamento multidisciplinar desde o início do tratamento, com suporte de profissionais como médicos, nutricionistas, fisioterapeutas e educadores físicos.
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