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Osteoporose pode virar câncer? Entenda a relação entre as doenças

A osteoporose é uma doença silenciosa, caracterizada pela redução da densidade mineral óssea e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, resultando em aumento da fragilidade dos ossos e maior risco de fraturas. Afeta principalmente indivíduos com mais de 50 anos, especialmente mulheres após a menopausa, devido à queda abrupta dos níveis de estrogênio.

No Brasil, estima-se que cerca de 10 milhões de pessoas convivam com a osteoporose, embora apenas cerca de 20% tenham conhecimento da condição. Anualmente, ocorrem aproximadamente 127 mil fraturas de fêmur no país — número que pode chegar a 160 mil até 2050, segundo projeções. Globalmente, a osteoporose afeta cerca de 200 milhões de mulheres, com elevado risco de fraturas osteoporóticas e complicações que impactam significativamente a qualidade de vida.

Osteoporose x Câncer: é possível uma virar a outra?

A osteoporose não se transforma em câncer. São doenças distintas, com origens, mecanismos e tratamentos diferentes. No entanto, podem estar associadas em determinados contextos clínicos. Alguns tipos de câncer, como o mieloma múltiplo — um câncer hematológico que afeta as células plasmáticas —, podem provocar sintomas semelhantes aos da osteoporose, como dores ósseas, perda de massa óssea e fraturas, o que pode dificultar o diagnóstico diferencial.

Relação entre osteoporose, câncer de mama e medicamentos

Sobreviventes de câncer de mama apresentam risco aumentado de desenvolver osteoporose, especialmente mulheres pós-menopáusicas. Esse risco está relacionado ao impacto dos tratamentos oncológicos, como a quimioterapia, que pode induzir menopausa precoce, e ao uso de terapias hormonais, como os inibidores da aromatase, que reduzem os níveis de estrogênio, acelerando a perda óssea. Além disso, a não realização de terapia de reposição hormonal em mulheres com histórico de câncer também contribui para a desmineralização óssea.

Interações entre osteoporose e câncer

Fraturas patológicas e metástases ósseas

Pessoas com osteoporose possuem ossos mais frágeis, tornando-as mais suscetíveis a fraturas com traumas mínimos. Em alguns casos, essas fraturas podem ser o primeiro sinal de metástases ósseas — quando células cancerígenas de tumores primários, como os de mama, róstata ou pulmão, se disseminam para os ossos. Embora diferentes em causa, ambas as condições podem se manifestar clinicamente de forma semelhante.

Tratamentos oncológicos e perda óssea

Alguns tratamentos utilizados no combate ao câncer, como quimioterapia, radioterapia e terapias hormonais, têm impacto direto sobre a densidade óssea. Por exemplo, mulheres com câncer de mama tratadas com inibidores de aromatase e homens com câncer de próstata submetidos à terapia de supressão androgênica apresentam risco significativamente aumentado de desenvolver osteoporose e fraturas osteoporóticas. Esses efeitos colaterais requerem monitoramento e estratégias preventivas adequadas.

Fatores de risco comuns

Alguns fatores de risco são compartilhados entre a osteoporose e certos tipos de câncer, incluindo idade avançada, sedentarismo, deficiência de vitamina D e histórico familiar. A deficiência de vitamina D, além de comprometer a saúde óssea, tem sido associada, em estudos observacionais, ao aumento do risco de alguns tipos de câncer, como o de cólon e o de mama. Contudo, essa relação ainda é objeto de investigação e não está plenamente estabelecida como causal.

A importância do diagnóstico precoce

A osteoporose é frequentemente chamada de “doença silenciosa” porque pode permanecer assintomática até a ocorrência de fraturas. O diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações e pode ser feito por meio da densitometria óssea, exame que mede a densidade mineral dos ossos, permitindo detectar a doença em estágios iniciais.

Prevenção e cuidados

A osteoporose pode ser prevenida com hábitos de vida saudáveis, como alimentação rica em cálcio, prática regular de atividade física — especialmente os de resistência e impacto —, e exposição solar adequada para a síntese de vitamina D. Já o câncer ósseo primário, embora raro, e outras doenças que afetam os ossos, como o mieloma múltiplo, exigem investigação diagnóstica detalhada e tratamento especializado. É fundamental reforçar que, embora possam apresentar manifestações semelhantes, osteoporose e câncer são doenças distintas, com etiologias e condutas terapêuticas específicas.

Revisor científico
Dra. Fernanda Frozoni Antonacio
Oncologista Clínica
Rede D’or – Hospital Vila Nova Star e Hospital São Luiz Itaim

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