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Terapia de prótons: a radioterapia que trata o tumor com máxima precisão e menor impacto aos tecidos saudáveis

Entenda como funciona a terapia de prótons, suas indicações reais, seus efeitos colaterais e o acesso a esse tratamento de radioterapia no Brasil.

A terapia de prótons é uma modalidade de radioterapia que utiliza feixes de prótons, partículas subatômicas com carga positiva, em vez dos raios X (fótons) empregados na radioterapia convencional. A principal diferença está no comportamento físico dessas partículas dentro do corpo: os prótons conseguem depositar a maior parte da sua energia exatamente na profundidade do tumor e praticamente não liberam dose além desse ponto, poupando os tecidos saudáveis localizados depois da área tratada. Por esse motivo, a técnica é indicada principalmente em situações em que preservar estruturas próximas ao tumor é especialmente importante, como em crianças e em tumores localizados perto de órgãos sensíveis.

O que é a terapia de prótons e como ela funciona?

Na radioterapia convencional, o feixe de fótons atravessa o corpo e deposita energia ao longo de todo o trajeto, desde a entrada na pele até sua saída do outro lado, atingindo também os tecidos saudáveis que estiverem no caminho. Já os prótons apresentam uma propriedade física diferente: a energia é liberada de forma crescente conforme a partícula avança e atinge um pico bem definido em uma profundidade específica, chamado pico de Bragg, para então cair de forma abrupta logo depois.

Na prática, isso significa que a equipe de física médica consegue programar o feixe para concentrar a maior parte da dose de radiação dentro do volume do tumor, reduzindo significativamente a radiação que alcança os tecidos além dele. O planejamento é feito com auxílio de sistemas computacionais avançados, que calculam a profundidade exata e o formato do feixe para cada paciente, considerando o tamanho, o formato e a localização do tumor.

Qual é a diferença entre a terapia de prótons e a radioterapia convencional?

A radioterapia convencional, realizada com aceleradores lineares que emitem fótons, é a modalidade mais utilizada no tratamento do câncer e evoluiu muito nas últimas décadas. Técnicas como IMRT, VMAT e SBRT permitem moldar o feixe com alta precisão e já atendem de forma eficaz à grande maioria dos casos.

A principal diferença da terapia de prótons não está na precisão do direcionamento do feixe, que também é elevada nas técnicas modernas com fótons, mas no comportamento físico da radiação após entrar no organismo.

Como o feixe de prótons deposita a maior parte da energia no pico de Bragg e praticamente não continua além do tumor, a dose total de radiação recebida pelos tecidos saudáveis tende a ser menor. Essa característica se torna especialmente relevante quando o tumor está próximo de estruturas que toleram pouca radiação, como o cérebro em desenvolvimento de uma criança, o nervo óptico ou a medula espinhal.

Quais tumores podem ser tratados com terapia de prótons?

A terapia de prótons costuma ser considerada para:

  • Tumores pediátricos, especialmente os do sistema nervoso central, pela necessidade de proteger um cérebro ainda em desenvolvimento e reduzir o risco de efeitos tardios e de tumores secundários relacionados à radiação;
  • Tumores da base do crânio, por estarem próximos de estruturas como o tronco cerebral e os nervos cranianos;
  • Tumores oculares, como o melanoma da úvea;
  • Tumores localizados próximos à medula espinhal, nos quais uma dose adicional de radiação pode comprometer a função neurológica.

A indicação, porém, não depende apenas do tipo de tumor, mas também do quanto a proteção adicional dos tecidos saudáveis pode trazer benefício para aquele paciente específico, como mostram as duas seções seguintes.

Por que a terapia de prótons costuma ser indicada para tumores oculares, como o melanoma de úvea?

O melanoma uveal é o tumor primário do olho mais comum em adultos. A queda abrupta da dose após o pico de Bragg é particularmente útil nesse cenário, porque o olho possui estruturas pequenas e muito próximas entre si, como a retina e o nervo óptico, que se beneficiam de receber a menor quantidade possível de radiação.

Estudos mostram que essa vantagem física é mais relevante em tumores oculares mais espessos (acima de aproximadamente 7 a 8 milímetros) ou localizados próximos ao nervo óptico. Nessas situações, o controle local do tumor com terapia de prótons supera 90% em acompanhamentos de cinco a dez anos, com preservação do olho em cerca de 77% dos casos após cinco anos. Já em tumores menores e mais distantes de estruturas críticas, outra técnica, a braquiterapia — que utiliza uma pequena fonte de radiação posicionada junto ao tumor — costuma apresentar resultados semelhantes.

Como os médicos decidem quais pacientes se beneficiam mais da terapia de prótons?

A decisão não é tomada apenas com base no tipo de tumor. Em muitos centros especializados, a equipe de radioterapia compara, para cada paciente, um plano de tratamento com fótons e outro com prótons, utilizando modelos matemáticos que estimam a probabilidade de efeitos colaterais em cada órgão próximo ao tumor. Esses modelos são conhecidos como modelos de probabilidade de complicação em tecido normal (NTCP).

Um protocolo nacional adotado na Holanda, reconhecido oficialmente pela autoridade de saúde do país desde 2017, indica a terapia de prótons apenas quando esses modelos demonstram uma redução clinicamente relevante no risco de efeitos colaterais, como uma diminuição de pelo menos 10 pontos percentuais na probabilidade de toxicidade moderada. Utilizando esse critério, cerca de 35% dos pacientes encaminhados para avaliação foram considerados elegíveis para o tratamento com prótons. Essa abordagem demonstra que a indicação é individualizada e baseada na expectativa de benefício para cada paciente, e não apenas no diagnóstico.

Saiba mais: Radioterapia – Oncologia D’Or

Quais são os efeitos colaterais da terapia de prótons?

Assim como ocorre em qualquer modalidade de radioterapia, os efeitos colaterais dependem da região tratada, da dose total administrada e da sensibilidade dos tecidos ao redor do tumor. Em geral, os pacientes podem apresentar cansaço, irritação da pele na área irradiada e sintomas relacionados ao local tratado, como náusea quando o tratamento envolve órgãos do abdômen ou alterações de memória e concentração em tratamentos realizados no cérebro.

A principal vantagem esperada em relação à radioterapia convencional é a redução da dose recebida pelos tecidos saudáveis ao redor do tumor e além dele. Com isso, em muitos casos, a terapia de prótons pode diminuir o risco de alguns efeitos colaterais e de complicações tardias. Ainda assim, os efeitos relacionados aos tecidos que necessariamente precisam receber radiação para tratar o tumor continuam podendo ocorrer, como em qualquer tipo de radioterapia. A escolha da técnica mais adequada é feita pela equipe médica, levando em consideração a localização do tumor, os órgãos vizinhos e o benefício esperado para cada paciente.

Já existe terapia de prótons no Brasil?

Atualmente, o Brasil ainda não dispõe de um equipamento de terapia de prótons em operação clínica regular. Pacientes que apresentam indicação para essa modalidade podem ser avaliados individualmente e, quando necessário, encaminhados para centros especializados no exterior.

Enquanto isso, técnicas avançadas de radioterapia com fótons, como IMRT, VMAT e SBRT, já disponíveis em diversos hospitais de referência no país, permitem tratamentos altamente precisos e atendem de forma adequada à maioria dos pacientes que necessitam de radioterapia. A terapia de prótons costuma ser reservada para situações específicas, nas quais a proteção adicional dos tecidos saudáveis pode trazer benefícios importantes.

Por que o tratamento com prótons tem custo elevado?

A terapia de prótons exige uma infraestrutura muito mais complexa do que a radioterapia convencional. O equipamento principal é um acelerador de partículas, chamado cíclotron ou síncrotron, capaz de acelerar prótons a altíssimas velocidades. Esses equipamentos são significativamente maiores e mais caros do que os aceleradores lineares utilizados na radioterapia com fótons.

Além disso, o prédio precisa de blindagem especial, e a operação do sistema requer equipes altamente especializadas em física médica, engenharia e manutenção.

Por esses motivos, existem relativamente poucos centros de terapia de prótons no mundo quando comparados aos serviços de radioterapia convencional, e o investimento necessário para instalar um desses equipamentos está entre os maiores da área da oncologia.

Existem novas tecnologias em estudo para tornar a terapia de prótons ainda mais segura?

Sim. Uma das principais linhas de pesquisa é a radioterapia FLASH com prótons, que utiliza taxas de dose extremamente altas, administradas em frações de segundo. Estudos experimentais sugerem que essa estratégia pode reduzir os danos aos tecidos saudáveis sem comprometer o controle do tumor.

Embora os primeiros resultados clínicos da radioterapia FLASH sejam promissores, eles foram obtidos inicialmente com elétrons, e a aplicação da tecnologia com prótons ainda está sendo investigada em estudos clínicos. Por isso, essa modalidade permanece em fase de pesquisa, não faz parte do tratamento padrão e ainda não está disponível para uso rotineiro fora de protocolos de pesquisa. Os próprios especialistas da área ressaltam que estudos clínicos maiores ainda são necessários para confirmar sua segurança e eficácia antes que possa ser incorporada à prática clínica.

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A Oncologia D’Or transforma o cuidado com o câncer por meio de uma rede integrada de clínicas e centros de tratamento presentes em diversos estados do país. Com um corpo clínico especializado e equipes multidisciplinares dedicadas, proporcionamos uma jornada de atendimento que une tecnologia avançada, diagnóstico ágil e tratamentos personalizados.

Como parte da Rede D’Or, a maior rede de saúde da América Latina, garantimos acesso às estruturas hospitalares mais modernas e aos avanços científicos que fazem a diferença na vida dos pacientes.

Nosso compromisso é oferecer excelência, conforto e segurança em todas as etapas do tratamento oncológico, promovendo saúde e qualidade de vida.

Revisão médica:

Dra. Fernanda Frozoni Antonacio

Oncologista Clínica

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