Pacientes oncológicos têm maior probabilidade de desenvolver trombose devido a uma combinação de fatores relacionados tanto à própria doença quanto aos tratamentos utilizados. Essa predisposição está ligada a alterações no sangue, nos vasos sanguíneos e na circulação, que, em conjunto, favorecem a formação de coágulos.
A trombose é uma condição caracterizada pela formação de coágulos sanguíneos que bloqueiam parcial ou totalmente a passagem do sangue em uma veia ou artéria. Quando isso ocorre, o fluxo sanguíneo fica comprometido, podendo levar a complicações graves, como a trombose venosa profunda e a embolia pulmonar.
Compreender essa relação é essencial, pois a trombose está entre as principais causas de complicações e mortalidade em pessoas com diagnóstico de câncer. Reconhecer os sinais precocemente, adotar medidas preventivas e garantir o tratamento adequado são ações fundamentais para proteger a saúde e melhorar a qualidade de vida dos pacientes oncológicos.
Por que pacientes com câncer podem ter trombose?
1. Atividade pró-coagulante dos tumores
Alguns tipos de câncer produzem e liberam substâncias que ativam o sistema de coagulação, tornando o sangue mais propenso à formação de coágulos. Esse fenômeno é mais comum em tumores agressivos ou em estágios avançados da doença.
2. Inflamação sistêmica crônica
O câncer está associado a um estado inflamatório persistente. Essa inflamação contínua provoca alterações nos vasos sanguíneos e nas plaquetas, células envolvidas na coagulação, facilitando o surgimento de trombos.
3. Cirurgias oncológicas
Procedimentos cirúrgicos fazem parte do tratamento de muitos tipos de câncer. Cirurgias de grande porte, especialmente abdominais ou pélvicas, aumentam o risco de trombose, sobretudo no período pós-operatório.
4. Imobilidade e repouso prolongado
Pacientes com câncer podem permanecer longos períodos em repouso devido à fraqueza, hospitalizações ou recuperação cirúrgica. A redução dos movimentos prejudica a circulação sanguínea, principalmente nas pernas, favorecendo a estagnação do sangue e a formação de coágulos.
5. Quimioterapia e radioterapia
Alguns medicamentos quimioterápicos podem lesar o endotélio, camada interna dos vasos sanguíneos, e alterar componentes do sangue, ativando o sistema de coagulação. A radioterapia também pode causar inflamação nos vasos e nos tecidos ao redor, aumentando o risco trombótico.
6. Uso de cateteres venosos
Cateteres venosos são frequentemente utilizados para administração de medicamentos, quimioterapia ou nutrição. Embora essenciais, esses dispositivos podem provocar irritação ou lesões nos vasos e facilitar a formação de trombos ao redor do cateter, especialmente quando permanecem por longos períodos.
7. Terapias hormonais e medicamentos específicos
Alguns tipos de câncer, como o de mama e o de próstata, muitas vezes são tratados com hormonioterapia, que também pode aumentar o risco de trombose. Além disso, certos medicamentos oncológicos, como os agentes antiangiogênicos, podem interferir na função normal dos vasos sanguíneos.
8. Condições clínicas associadas
Fatores como obesidade, tabagismo, doenças cardiovasculares e o envelhecimento comum entre pacientes com câncer, também contribuem para alterações na coagulação e aumentam o risco de trombose.
Diante desse cenário, o acompanhamento médico cuidadoso e individualizado é essencial para prevenir e manejar adequadamente a trombose durante o tratamento oncológico.
Sinais e sintomas de trombose
Reconhecer os principais sinais e sintomas da trombose é fundamental para que o diagnóstico seja realizado rapidamente e o tratamento iniciado o quanto antes. Em pacientes com câncer, essa atenção deve ser redobrada, já que diversos fatores associados à doença e às terapias favorecem a formação de coágulos.
As manifestações clínicas variam conforme o local da trombose. As formas mais comuns são a trombose venosa profunda (TVP), geralmente nos membros inferiores, e a embolia pulmonar, uma complicação potencialmente grave.
Trombose venosa profunda (TVP)
- Inchaço em uma das pernas, especialmente na panturrilha;
- Dor ou sensação de peso, que pode piorar ao caminhar ou permanecer em pé;
- Vermelhidão ou coloração mais escura da pele no local afetado;
- Aumento da temperatura local (sensação de calor);
- Veias mais aparentes ou dilatadas.
Embolia pulmonar (EP)
- Falta de ar súbita, mesmo em repouso;
- Dor no peito, que pode piorar com respiração profunda;
- Batimentos cardíacos acelerados (taquicardia);
- Tontura ou desmaio;
- Tosse, podendo haver presença de sangue.
Trombose associada a cateteres venosos
- Inchaço, dor ou vermelhidão no braço onde o cateter está inserido;
- Dificuldade para infundir medicamentos;
- Sensação de calor ou endurecimento ao redor do dispositivo.
Outros sinais menos específicos
- Febre sem causa aparente;
- Cansaço excessivo;
- Queda da saturação de oxigênio.
Como esses sintomas podem se confundir com manifestações do próprio câncer ou dos tratamentos, qualquer alteração deve ser comunicada imediatamente à equipe médica. A identificação precoce da trombose reduz significativamente o risco de complicações graves e pode salvar vidas.
Tratamento da trombose
O tratamento da trombose em pacientes com câncer deve ser cuidadosamente individualizado. Ele leva em consideração a presença do coágulo, o tipo e estágio do tumor, os tratamentos oncológicos em andamento e o risco de sangramentos.
Os anticoagulantes são a base do tratamento e atuam impedindo o crescimento do trombo e a formação de novos coágulos. Pacientes com trombocitopenia (redução das plaquetas), insuficiência renal ou histórico de sangramento exigem maior cautela, com ajustes na escolha do medicamento e na dosagem.
Durante o uso de anticoagulantes, é fundamental monitorar sinais de sangramento e manter acompanhamento regular com a equipe de saúde. O controle adequado do câncer também contribui para reduzir o risco de novos episódios trombóticos, e, quando necessário, o tratamento oncológico pode ser reavaliado para minimizar esse risco.
Prevenção da trombose
A prevenção da trombose é parte essencial do cuidado oncológico. Como pacientes com câncer apresentam risco aumentado para a formação de coágulos, estratégias preventivas são fundamentais para evitar complicações.
Em situações específicas, como em pacientes internados, acamados ou com risco elevado, pode ser indicada a profilaxia com anticoagulantes, como a heparina de baixo peso molecular. Essa medida não é recomendada de forma indiscriminada e deve sempre ser avaliada pelo médico.
Além disso, medidas não medicamentosas desempenham papel importante na prevenção:
- Evitar longos períodos de imobilidade;
- Praticar atividade física ou fisioterapia, conforme orientação médica;
- Manter boa hidratação;
- Utilizar meias de compressão, quando indicadas;
- Utilizar e higienizar adequadamente os cateteres venosos.
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