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Câncer e pressão alta: como tumores influenciam a hipertensão arterial

Certos cânceres, como feocromocitoma, ou tratamentos oncológicos podem elevar a pressão arterial, o que exige acompanhamento cardiológico.

A hipertensão arterial, popularmente conhecida como pressão alta, é uma condição crônica caracterizada pela elevação persistente da força que o sangue exerce contra as paredes das artérias. Quando essa pressão se mantém elevada por longos períodos, o coração precisa trabalhar mais para bombear o sangue, o que pode provocar danos progressivos aos vasos sanguíneos, ao coração, aos rins e a outros órgãos vitais.

Em geral, a hipertensão está associada a fatores como obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de sal, alimentação inadequada e predisposição genética. No entanto, diversas condições clínicas também podem influenciar os níveis de pressão arterial, entre elas, o câncer.

Alguns tipos de tumores malignos, assim como os tratamentos utilizados na oncologia, podem provocar alterações no organismo que interferem diretamente na regulação da pressão arterial. Em determinadas situações, o próprio tumor afeta o funcionamento dos rins, do sistema hormonal ou dos vasos sanguíneos, contribuindo para o desenvolvimento ou agravamento da hipertensão.

Além disso, medicamentos empregados no tratamento do câncer, como quimioterápicos, terapias-alvo e agentes antiangiogênicos, podem desencadear ou intensificar quadros de pressão alta. Por esse motivo, compreender a relação entre câncer e hipertensão arterial é essencial para garantir um tratamento mais seguro, eficaz e com menor risco de complicações cardiovasculares, além de preservar a qualidade de vida do paciente.

Como o câncer pode influenciar a pressão arterial

Determinados tipos de câncer podem interferir diretamente nos mecanismos responsáveis pelo controle da pressão arterial. Isso ocorre porque alguns tumores produzem substâncias biologicamente ativas ou afetam órgãos fundamentais nesse processo, como os rins e as glândulas endócrinas.

Um exemplo clássico é o feocromocitoma, um tumor raro que se desenvolve nas glândulas suprarrenais e leva à produção excessiva de hormônios como adrenalina e noradrenalina. Esses hormônios provocam elevação acentuada e, muitas vezes, súbita da pressão arterial, podendo causar crises hipertensivas. Outro exemplo é o carcinoma de células renais, que pode estar associado à hipertensão por comprometer a função renal e alterar os mecanismos de regulação do sódio, da água e do sistema renina-angiotensina-aldosterona.

Além disso, tumores que crescem próximos aos rins ou aos grandes vasos sanguíneos podem comprimir essas estruturas, prejudicando a circulação e a filtragem adequada do sangue. Esse comprometimento favorece a retenção de líquidos e contribui para o aumento da pressão arterial.

Mesmo quando o câncer não envolve diretamente os órgãos relacionados ao controle da pressão, ele pode induzir um estado inflamatório crônico no organismo. Essa inflamação sistêmica afeta o endotélio, a camada interna dos vasos sanguíneos, levando à perda da elasticidade vascular, ao aumento da resistência ao fluxo sanguíneo e, consequentemente, à elevação da pressão arterial.

Efeitos do tratamento oncológico na pressão arterial

Além da presença do tumor, os tratamentos utilizados no combate ao câncer também podem influenciar os níveis de pressão arterial. Entre os principais fatores envolvidos estão alguns quimioterápicos, terapias-alvo, imunoterapias e o uso prolongado de corticoides.

Os medicamentos antiangiogênicos merecem destaque nesse contexto. Eles atuam bloqueando a formação de novos vasos sanguíneos que nutrem o tumor. No entanto, ao interferirem nesse mecanismo, também afetam a função normal dos vasos do organismo, levando à vasoconstrição (estreitamento dos vasos), ao aumento da resistência vascular periférica e, consequentemente, à elevação da pressão arterial. Um exemplo amplamente conhecido é o bevacizumabe, utilizado no tratamento de diferentes tipos de câncer.

Os corticoides, frequentemente empregados na oncologia para reduzir inflamação, prevenir reações adversas, controlar náuseas ou como parte de esquemas terapêuticos, também podem contribuir para o aumento da pressão arterial. Seu uso prolongado favorece a retenção de sódio e líquidos, o que eleva o volume sanguíneo e a pressão nas artérias.

Algumas quimioterapias podem ainda comprometer a função renal, dificultando a eliminação adequada de líquidos e eletrólitos. A radioterapia, especialmente quando aplicada em regiões próximas ao tórax ou ao abdome, pode causar alterações tardias no funcionamento do coração ou dos rins, com impacto direto no controle da pressão arterial.

Diante desses fatores, o monitoramento regular da pressão arterial durante o tratamento oncológico é fundamental. Essa vigilância permite intervenções precoces, reduz riscos e aumenta a segurança do paciente ao longo da terapia.

Sinais de alerta

A hipertensão arterial é frequentemente silenciosa, sobretudo em suas fases iniciais, não apresentando sintomas claros. No entanto, quando os níveis pressóricos se elevam de forma significativa ou persistente, podem surgir sinais de alerta que exigem atenção médica imediata.

Entre os principais sintomas associados ao agravamento da pressão alta, destacam-se:

  • Dor de cabeça, especialmente na região occipital ou na nuca;
  • Tontura ou sensação de desequilíbrio;
  • Visão embaçada ou presença de pontos luminosos;
  • Palpitações, com batimentos cardíacos acelerados ou irregulares;
  • Dor no peito ou sensação de aperto torácico;
  • Falta de ar, que pode se intensificar aos esforços;
  • Zumbido nos ouvidos;
  • Náuseas ou vômitos sem causa aparente;
  • Confusão mental ou dificuldade de concentração.

Em situações mais graves, a hipertensão pode levar a emergências médicas, como acidente vascular cerebral (AVC), infarto do miocárdio ou insuficiência cardíaca aguda. Por isso, ao perceber qualquer um desses sinais, é fundamental buscar atendimento médico com rapidez.

Pacientes em tratamento oncológico devem ter a pressão arterial acompanhada regularmente e comunicar qualquer alteração, mesmo que discreta, pois ela pode representar um sinal precoce de complicações associadas à hipertensão.

Leia também: Situações que exigem atenção imediata durante o tratamento do câncer

Controle da hipertensão em pacientes com câncer

O controle da hipertensão arterial em pacientes com câncer exige cuidados adicionais, uma vez que esses indivíduos costumam ser mais suscetíveis a efeitos colaterais de medicamentos e a complicações clínicas. O tratamento deve ser sempre individualizado, levando em consideração o tipo de câncer, o estágio da doença, os tratamentos em curso e o estado geral de saúde do paciente.

A aferição frequente da pressão arterial deve fazer parte de todas as consultas oncológicas e, quando possível, ser realizada também em casa, com aparelhos validados e orientação médica adequada. Esse acompanhamento contínuo permite identificar alterações precocemente e evitar a progressão para quadros mais graves.

Quando indicado, o uso de medicamentos anti-hipertensivos é necessário. A escolha da medicação deve considerar possíveis interações com o tratamento oncológico, além da função renal e hepática do paciente. Em muitos casos, opta-se por fármacos com perfil de segurança mais favorável nesse contexto.

Além da terapia medicamentosa, medidas não farmacológicas relacionadas ao estilo de vida desempenham papel essencial no controle da pressão arterial:

  • Redução do consumo de sal;
  • Evitar alimentos ultraprocessados;
  • Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes e verduras;
  • Praticar atividade física leve ou moderada, conforme orientação médica;
  • Evitar o consumo de álcool e o tabagismo;
  • Adotar estratégias para controle do estresse.

Essa abordagem integrada e multidisciplinar é fundamental para preservar a qualidade de vida do paciente, reduzir riscos cardiovasculares e garantir maior segurança durante todo o tratamento oncológico.

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A Oncologia D’Or transforma o cuidado com o câncer por meio de uma rede integrada de clínicas e centros de tratamento presentes em diversos estados do país. Com um corpo clínico especializado e equipes multidisciplinares dedicadas, proporcionamos uma jornada de atendimento que une tecnologia avançada, diagnóstico ágil e tratamentos personalizados.

Como parte da Rede D’Or, a maior rede de saúde da América Latina, garantimos acesso às estruturas hospitalares mais modernas e aos avanços científicos que fazem a diferença na vida dos pacientes.

Nosso compromisso é oferecer excelência, conforto e segurança em todas as etapas do tratamento oncológico, promovendo saúde e qualidade de vida.

Revisão médica:

Dra. Fernanda Frozoni Antonacio

Oncologista Clínica

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