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Candidíase: a infecção fúngica mais frequente no mundo merece atenção e prevenção

Entenda por que esse fungo que vive naturalmente no corpo humano pode se tornar uma doença e como tratar
Por: Rede D'Or
Imagem de uma lâmina de microscópio.
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A candidíase é uma infecção causada pelo fungo Candida sp., microrganismo que vive naturalmente no organismo humano sem causar danos na maior parte do tempo.

O problema surge quando esse fungo se multiplica de forma excessiva, geralmente em decorrência de um desequilíbrio no sistema imunológico ou na microbiota do organismo. A doença pode afetar diferentes partes do corpo, como a região genital, a boca, a pele, as unhas e o intestino, e se manifesta na forma superficial, mais leve e comum, ou na forma invasiva, grave e potencialmente fatal em pessoas imunossuprimidas.

  • Segundo o Ministério da Saúde, a candidíase invasiva afeta mais de 250 mil pessoas por ano em todo o mundo e causa mais de 50 mil mortes anuais. No Brasil, a taxa de incidência de candidemia chega a 2,49 casos por mil admissões hospitalares, índice de 2 a 15 vezes maior do que o registrado nos Estados Unidos e na Europa.
  • A candidíase vulvovaginal é uma das formas mais comuns da doença e afeta mulheres em todo o mundo. A maior prevalência, em torno de 9%, ocorre em mulheres entre 25 e 34 anos.
  • No Brasil, dados indicam que 39% das mulheres já tiveram ao menos um episódio de candidíase, e estima-se que 50% da população feminina carregue o fungo Candida sem apresentar sintomas.
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O que é a candidíase e o que causa essa infecção?

A candidíase é uma infecção fúngica causada por fungos do gênero Candida, sendo a espécie Candida albicans a responsável pela maioria dos casos. Esse fungo faz parte da microbiota normal do organismo humano e habita a pele, a boca, o intestino e a região genital sem causar problemas enquanto o sistema imunológico e o equilíbrio da microbiota estão preservados. O problema surge quando esse equilíbrio é rompido e o fungo passa a se multiplicar de forma descontrolada, originando a infecção.

Existem diferentes tipos de candidíase conforme a região afetada. A candidíase vaginal é a forma mais comum em mulheres, causando corrimento esbranquiçado, coceira e ardência na região genital. A candidíase oral, também chamada de sapinho, manifesta-se por placas brancas na boca e é mais frequente em bebês, idosos e pacientes imunossuprimidos. A candidíase peniana afeta homens, com sintomas de coceira, vermelhidão e descamação na glande. Há ainda a candidíase mamária, que pode acometer mães que amamentam, e a candidíase sistêmica ou invasiva, que é a forma mais grave, afetando a corrente sanguínea e órgãos internos em pessoas com imunidade comprometida.

A principal causa da candidíase é o desequilíbrio da microbiota do organismo, que permite o crescimento excessivo do fungo Candida.  Esse desequilíbrio pode ser provocado por vários fatores: uso prolongado de antibióticos, alterações hormonais, tratamentos que afetam a imunidade, como o quimioterapia, entre outros.

Quais são os sintomas da candidíase, qual médico consultar e como é feito o diagnóstico?

Os sintomas da candidíase variam conforme a região afetada. Na candidíase vaginal, os sinais mais comuns são corrimento esbranquiçado e grumoso, semelhante à coalhada, coceira intensa, ardência, vermelhidão e inchaço na região genital, além de dor durante as relações sexuais ou ao urinar. Na candidíase oral, surgem placas brancas cremosas na língua, bochechas, gengivas e palato, que podem sangrar ao serem removidas, além de sensação de queimação e dificuldade para engolir. Na candidíase peniana, os sintomas incluem vermelhidão, coceira, descamação e pequenas lesões na glande.

Na presença de sintomas de candidíase, a indicação do especialista depende da região afetada. Para a candidíase feminina, o especialista indicado é o ginecologista; para a masculina, o urologista; para a candidíase de pele ou unhas, o dermatologista; e para a candidíase oral, o gastroenterologista ou clínico geral. O infectologista é o especialista mais indicado para qualquer tipo de candidíase, especialmente nos casos recorrentes, invasivos ou em pacientes imunossuprimidos.

Na maioria dos casos, o diagnóstico é clínico, realizado diretamente pelo médico pela observação das lesões características. Para confirmação ou em casos recorrentes, podem ser solicitados exames laboratoriais, como o exame micológico direto, que analisa ao microscópio uma amostra da secreção ou raspado da área afetada para identificar a presença do fungo; a cultura de fungos, que permite identificar a espécie de Candida e seu perfil de sensibilidade aos antifúngicos; e a cultura da secreção vaginal, indicada nos casos de candidíase vaginal persistente ou recorrente.

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Quais são os fatores de risco e como prevenir a candidíase?

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento da candidíase incluem: uso recente ou prolongado de antibióticos de amplo espectro; uso de corticosteroides ou outros medicamentos imunossupressores; diabetes mal controlado, pois o excesso de glicose no sangue favorece o crescimento do fungo; infecção pelo HIV ou outras condições que comprometem o sistema imunológico; na gravidez e no pós-parto, por causa das alterações hormonais que modificam o pH vaginal; obesidade; uso de roupas íntimas sintéticas e apertadas que favorecem o ambiente úmido e quente; higiene inadequada ou excessiva com duchas vaginais; e estresse crônico, que pode enfraquecer o sistema imunológico.

A prevenção da candidíase envolve medidas simples de higiene e hábitos de vida saudáveis. Entre as principais recomendações estão: usar roupas íntimas de algodão, que permitem a ventilação da pele; evitar roupas apertadas na região genital; realizar a higiene íntima com sabonetes neutros e sem duchas vaginais; secar bem a região genital após o banho; evitar o uso desnecessário de antibióticos; manter o controle adequado do diabetes e outras doenças crônicas; adotar uma alimentação equilibrada com baixo consumo de açúcar, pois o fungo Candida se prolifera em ambientes ricos em glicose; trocar roupas molhadas logo após atividades físicas ou banho de piscina; e manter o sistema imunológico fortalecido com sono de qualidade, atividade física e alimentação saudável.

Como é o tratamento e por que a candidíase pode ser recorrente?

O tratamento da candidíase é feito com medicamentos antifúngicos e varia conforme o tipo e a gravidade da infecção. Na candidíase vaginal, o tratamento pode envolver o uso de óvulos ou cremes vaginais antifúngicos ou antifúngicos orais em dose única, a depender da recomendação médica.

Na candidíase oral, podem ser utilizados antifúngicos em suspensão oral ou sistêmico nos casos mais graves. Na candidíase peniana, o tratamento pode incluir cremes antifúngicos tópicos, de aplicação local. Em todos os casos, o uso dos medicamentos deve ser feito conforme prescrição e acompanhamento médico.

Na candidíase invasiva, que ocorre em pacientes hospitalizados com imunossupressão grave, o tratamento pode ser realizado com antifúngicos intravenosos de alta potência. Nesses casos, o tratamento é conduzido pelo infectologista em ambiente hospitalar e pode ser prolongado, dependendo da gravidade do quadro e da resposta do paciente. A sepse de origem fúngica, complicação grave da candidíase invasiva, exige manejo intensivo em UTI.

A candidíase é considerada recorrente quando ocorrem quatro ou mais episódios por ano. Essa situação afeta cerca de 5 a 8% das mulheres em idade reprodutiva e pode ter causas diversas: falha no tratamento anterior; reinfecção pelo parceiro sexual; persistência de fatores predisponentes não controlados (como diabetes ou uso contínuo de antibióticos); infecção por espécies de Candida resistentes aos antifúngicos convencionais, como a Candida glabrata ou a Candida auris; e alterações na microbiota vaginal que criam condições favoráveis para o fungo.

Nos casos recorrentes, o controle exige um tratamento mais prolongado e, principalmente, a identificação e o manejo dos fatores que favorecem a recidiva. O ginecologista ou o infectologista pode indicar uma terapia de manutenção com antifúngico oral de uso prolongado, além da investigação de causas subjacentes.

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A candidíase tem cura?

Sim, a candidíase tem cura. Os episódios isolados respondem bem ao tratamento antifúngico adequado e, na maioria dos casos, a resolução ocorre em poucos dias.

No entanto, como o Candida habita naturalmente o organismo, é importante lembrar que não existe erradicação completa e definitiva do fungo. Por isso, o que o tratamento faz é reequilibrar a microbiota e controlar o crescimento excessivo do fungo.

O acompanhamento médico regular e a adesão ao tratamento prescrito são fundamentais para o controle efetivo da doença e para a preservação da qualidade de vida do paciente.