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Esclerose Múltipla: a importância do diagnóstico precoce

Diagnóstico capaz de identificar a doença antes mesmo dos primeiros sintomas melhora acesso ao tratamento e à qualidade de vida
Por: Rede D'Or
Imagem com fundo azul escuro, digital e pixelada, do cérebro humano na cor rosa, com linhas azuis brilhantes sustentando o cérebro.
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A esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica e autoimune considerada uma das condições neurológicas mais comuns em adultos jovens. Ela ocorre quando o sistema imunológico ataca a bainha de mielina, estrutura que envolve e protege os neurônios do cérebro e da medula espinhal, comprometendo a condução dos sinais nervosos.

Apesar de não ter cura, o diagnóstico e o tratamento precoces são determinantes para retardar a progressão da doença e preservar a qualidade de vida.

  • A esclerose múltipla é classificada pelo Ministério da Saúde como uma das doenças mais comuns do sistema nervoso central, com prevalência estimada de 8,69 casos para cada 100 mil habitantes no Brasil, totalizando cerca de 40 mil brasileiros afetados.
  • Segundo o Ministério da Saúde, a doença ocorre geralmente dos 20 aos 50 anos, com pico de diagnóstico aos 30 anos, e é em média duas vezes mais frequente em mulheres do que em homens.
  • A OMS estima que 2,9 milhões de pessoas vivam com a doença no mundo, e o número de casos tem crescido gradualmente, especialmente entre mulheres. A cada cinco minutos, uma pessoa recebe o diagnóstico de esclerose múltipla no mundo.
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O que é a Esclerose Múltipla e quais são suas causas?

A esclerose múltipla é uma doença crônica desmielinizante (compromete a bainha de mielina) e imunomediada (resposta anormal do sistema imunológico) que pode afetar a substância branca e cinzenta do sistema nervoso central, tanto em adultos quanto em crianças.

Quando o sistema imunológico ataca a bainha de mielina dos neurônios, essa estrutura protetora é danificada ou destruída, comprometendo a velocidade e a precisão da transmissão dos impulsos nervosos. Com o tempo, as lesões podem acumular-se em diferentes regiões do cérebro e da medula espinhal, causando sintomas variados e progressivos.

As causas da esclerose múltipla ainda não são totalmente conhecidas, mas sabe-se que a doença é multifatorial: envolve uma combinação de predisposição genética e fatores ambientais que, juntos, desencadeiam a resposta autoimune contra a mielina.

A esclerose múltipla se apresenta em quatro formas principais, classificadas conforme o padrão dos surtos e a progressão da doença:

  • Remitente-Recorrente (EMRR), a mais comum, caracterizada por surtos com períodos de remissão;
  • Primariamente Progressiva (EMPP), com deterioração neurológica contínua desde o início;
  • Secundariamente Progressiva (EMSP), que evolui a partir de uma EMRR;
  • Progressiva Recorrente (EMPR), a forma mais grave e menos frequente, com piora contínua associada a surtos.

A identificação do tipo de esclerose múltipla pelo neurologista é essencial para definir a estratégia terapêutica mais adequada, de acordo com a recomendação médica.

Quais são os sintomas da Esclerose Múltipla e quais os fatores de risco?

Os sintomas da esclerose múltipla variam de pessoa para pessoa, dependendo das regiões do sistema nervoso central afetadas. Os sintomas mais comuns incluem visão embaçada ou perda de visão em um dos olhos, dormência ou formigamento em braços, pernas ou face, fraqueza muscular, dificuldade para caminhar ou manter o equilíbrio, fadiga intensa, tontura, alterações urinárias (urgência ou incontinência) e dificuldade de concentração ou memória. Em homens, também pode ocorrer disfunção erétil.

Uma característica marcante da esclerose múltipla é que os sintomas podem surgir e desaparecer ao longo do tempo, o que é chamado de surto. Um surto ocorre quando um novo sintoma neurológico surge ou um sintoma já existente se agrava, com duração geralmente superior a 24 horas. O tratamento precoce do surto pode reduzir o risco de sequelas permanentes. Na fase inicial da esclerose múltipla, os sintomas costumam ser transitórios, o que frequentemente leva ao atraso no diagnóstico. Com a progressão da doença, as lesões se tornam mais intensas e o sistema nervoso central perde a capacidade de se reorganizar, resultando em comprometimento neurológico permanente. Sintomas emocionais e psicológicos também são frequentes e fazem parte do quadro clínico da doença.

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento da esclerose múltipla incluem histórico familiar da doença, sexo feminino e faixa etária entre 20 e 40 anos. Entre os fatores genéticos, variações no gene HLA-DRB1 estão associadas a maior risco de desenvolver a doença. Entre os fatores ambientais, destacam-se a deficiência de vitamina D, infecção prévia pelo vírus Epstein-Barr, o tabagismo e a obesidade. A combinação de mais de um fator de risco pode aumentar a probabilidade de desenvolvimento da condição em pessoas geneticamente predispostas.

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Qual médico consultar em caso de Esclerose Múltipla, como é feito o diagnóstico e quais exames podem ser necessários?

O especialista indicado para o diagnóstico e o tratamento da esclerose múltipla é o neurologista, preferencialmente com experiência em neuroimunologia e em doenças desmielinizantes. O clínico geral também pode iniciar a investigação e encaminhar o paciente ao especialista. Diante de qualquer sintoma neurológico persistente, como alterações de sensibilidade, visão, tontura, desequilíbrio ou fraqueza muscular, recomenda-se buscar avaliação médica especializada sem demora.

O diagnóstico da esclerose múltipla é clínico e baseado em exames complementares, seguindo os critérios diagnósticos estabelecidos. Para a confirmação do diagnóstico, podem ser necessárias evidências de que a doença acomete diferentes regiões do sistema nervoso central em momentos distintos, os chamados critérios de “disseminação no espaço” e “disseminação no tempo”. O exame de ressonância magnética do crânio é o principal instrumento diagnóstico, pois permite identificar lesões características da doença com alta sensibilidade, inclusive em fase subclínica, quando o paciente ainda não apresenta sintomas. A análise do liquor por ressonância magnética e a avaliação da medula espinhal também podem ser solicitadas, de acordo com a recomendação médica.

Além dos exames de imagem, podem ser necessários exames laboratoriais para excluir outras condições que se apresentam com sintomas semelhantes. Entre eles, pode ser recomendado o hemograma completo, dosagem de vitamina B12, função tireoidiana, marcadores autoimunes e análise do líquido cefalorraquidiano (líquor), coletado por punção lombar, que pode revelar a presença de bandas oligoclonais, marcador laboratorial associado à esclerose múltipla.

Como prevenir a Esclerose Múltipla e como é o tratamento?

Ainda não existe uma forma comprovada de prevenir a esclerose múltipla. No entanto, como alguns fatores de risco são modificáveis, adotar hábitos saudáveis pode reduzir a probabilidade de desenvolver a doença em pessoas com predisposição genética. Entre as recomendações estão: manter níveis adequados de vitamina D por meio de exposição solar segura ou suplementação, quando indicada pelo médico; evitar o tabagismo; manter peso saudável; praticar atividade física regular; e adotar uma alimentação equilibrada. Essas medidas podem não garantir a prevenção, mas contribuem para a saúde neurológica geral e podem influenciar o curso da doença.

O tratamento da esclerose múltipla é individualizado e definido pelo neurologista com base no tipo e estágio da doença, perfil do paciente e objetivos terapêuticos. Durante os surtos, pode ser recomendado o uso de medicamentos intravenosos em pulsoterapia, de acordo com a recomendação médica, com o objetivo de reduzir a inflamação e acelerar a recuperação dos sintomas.

Para o controle da atividade da doença ao longo do tempo, podem ser indicados medicamentos modificadores da doença (DMT), que atuam no sistema imunológico para reduzir a frequência dos surtos, diminuir o surgimento de novas lesões e retardar a progressão. Conforme a recomendação médica, esses medicamentos podem ser administrados por via oral, subcutânea ou por infusão venosa em ambiente monitorado por equipe especializada, como é o caso do Centro de Infusão.

O cuidado integral da pessoa com esclerose múltipla envolve uma equipe multidisciplinar. Além do neurologista, podem integrar o acompanhamento: o fisioterapeuta, para preservar a mobilidade e reduzir a espasticidade; o psicólogo, para o manejo da depressão e da ansiedade; o urologista, para tratar disfunções urinárias; e especialistas em nutrição e fonoaudiologia, quando necessário.

O acompanhamento regular com ressonância magnética é fundamental para monitorar a progressão da doença mesmo nos períodos sem sintomas, pois a doença pode estar ativa sem sinais aparentes.

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Existem formas melhores de detectar a Esclerose Múltipla? Isso significa que a doença pode ter cura?

Órgãos internacionais de referência sobre esclerose múltipla estão propondo mudanças que, quando incorporadas, podem representar um salto significativo na capacidade diagnóstica. A proposta é incorporar novos marcadores genéticos que permitiriam identificar a doença em estágios muito iniciais, antes mesmo dos primeiros sintomas clínicos. A proposta também inclui a melhoria dos critérios de imagem para a ressonância magnética, com a possibilidade de detalhar com mais precisão os padrões de lesão característicos da esclerose múltipla em diferentes regiões do sistema nervoso central.

Quando o diagnóstico puder ser feito em um momento mais precoce da doença, pode ser maior a chance de preservação neurológica, pois o tratamento seria iniciado numa fase em que o potencial modificador é maior. Os possíveis benefícios incluem redução das sequelas, diminuição da frequência de surtos graves e melhora sustentada da qualidade de vida dos pacientes ao longo do tempo.

A esclerose múltipla não tem cura. No entanto, os avanços terapêuticos das últimas décadas transformaram radicalmente o prognóstico da doença. Com o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, muitos pacientes conseguem controlar a atividade da doença, preservar as funções neurológicas e manter uma vida ativa e com qualidade.

O acompanhamento regular com o neurologista especializado em esclerose múltipla, aliado ao suporte multidisciplinar, é o caminho mais eficaz para garantir o melhor resultado possível para cada paciente.

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