Períodos de chuvas intensas e enchentes aumentam o risco de leptospirose, uma infecção causada pela bactéria Leptospira. A doença está associada principalmente ao contato com água, lama ou solo contaminados pela urina de animais infectados, especialmente roedores.
- A bactéria pode entrar no organismo pela pele, inclusive íntegra quando permanece muito tempo em contato com água contaminada, além de ferimentos e mucosas.
- Os sintomas podem aparecer entre 1 e 30 dias após a exposição.
- Febre, dor de cabeça e dor muscular, principalmente nas panturrilhas, estão entre os sinais mais comuns.
- Casos graves podem comprometer rins, pulmões e outros órgãos.
- O diagnóstico e o início precoce do tratamento ajudam a reduzir o risco de complicações.
Por que as enchentes aumentam o risco de leptospirose?
Durante enchentes e alagamentos, a água da chuva pode se misturar a esgoto, lixo e urina de animais infectados. Isso facilita a dispersão da bactéria no ambiente e aumenta as chances de contato durante a travessia de áreas alagadas ou a limpeza dos locais atingidos.
O risco não termina quando a água baixa. A lama deixada pela enchente também pode estar contaminada, e os sintomas podem demorar para aparecer.
Como a leptospirose é transmitida?
A leptospirose é uma (zoonose), ou seja, uma doença que pode ser transmitida entre animais e seres humanos.
A infecção acontece principalmente quando a pele ou as mucosas entram em contato com água ou solo contaminados pela urina de animais infectados. Ratos são os reservatórios mais associados à transmissão em áreas urbanas, mas outros animais também podem carregar a bactéria.
A leptospirose não costuma ser transmitida diretamente de uma pessoa para outra.
Quais são os sintomas da leptospirose?
Os primeiros sintomas podem ser confundidos com outras infecções. Entre os mais frequentes estão:
- febre;
- dor de cabeça;
- dores musculares, principalmente nas panturrilhas;
- falta de apetite;
- náuseas e vômitos.
Também podem ocorrer diarreia, dor nas articulações e alterações nos olhos. Nos quadros graves, podem surgir icterícia, caracterizada pelo amarelamento da pele e dos olhos, insuficiência renal, sangramentos e dificuldade para respirar.
Por isso, quem teve contato recente com enchentes ou lama deve informar essa exposição durante o atendimento médico, mesmo que ela tenha acontecido dias ou semanas antes.
Como é feito o diagnóstico da leptospirose?
A avaliação considera os sintomas, o histórico de exposição e exames laboratoriais.
Testes de sangue podem ajudar a identificar anticorpos contra a bactéria. Entre os exames disponíveis estão a [Leptospirose IgM], que auxilia na investigação de infecção mais recente, e a [Leptospirose IgG], utilizada de acordo com a indicação médica e o momento da investigação.
O diagnóstico precoce é importante porque o tratamento com antibióticos deve ser iniciado diante da suspeita clínica e costuma apresentar maior benefício quando realizado nas fases iniciais da doença.
Como prevenir a leptospirose após enchentes?
Sempre que possível, o contato com água e lama de enchentes deve ser evitado. Quando a limpeza de áreas atingidas for necessária, botas e luvas impermeáveis ajudam a reduzir a exposição.
Também é importante proteger cortes e arranhões, descartar alimentos que tiveram contato com a água da enchente, manter alimentos e lixo armazenados adequadamente e combater condições que favoreçam a presença de roedores.
Quando procurar atendimento médico?
Quem teve contato com água ou lama de enchente e apresentar febre, dor de cabeça, dores musculares ou outros sintomas deve procurar avaliação médica e relatar a exposição.
Sinais como pele ou olhos amarelados, sangramentos, falta de ar ou confusão mental exigem atendimento rápido.
Na Rede D’Or, especialistas em Clínica Médica e Infectologia podem avaliar os sintomas, solicitar os exames necessários e orientar o tratamento de acordo com cada caso.
