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Malária: a doença que ainda não tem vacina no Brasil e preocupa a região amazônica

Apesar de ter registrado o menor número de casos em quase cinco décadas no Brasil, a malária continua sendo uma das doenças infecciosas mais relevantes do país, concentrada na região amazônica. Reconhecer os sintomas e buscar diagnóstico rápido são fundamentais para um tratamento eficaz
Por: Rede D'Or
ALT: mosquito da malária.
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A malária é uma doença infecciosa causada por protozoários do gênero Plasmodium, transmitidos pela picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles. No Brasil, a doença está fortemente concentrada na região amazônica, que reúne mais de 99% dos casos registrados no país, embora episódios isolados também possam ocorrer em outras regiões, especialmente em áreas de Mata Atlântica.

Embora o Brasil tenha avançado significativamente no controle da doença nos últimos anos, a malária continua sendo uma condição séria, que exige diagnóstico rápido e tratamento adequado para evitar complicações. Entender como ela se transmite, quais sintomas merecem atenção e por que o diagnóstico precoce é tão importante ajuda tanto moradores quanto viajantes da região amazônica a se protegerem melhor.

  • Segundo o Ministério da Saúde, que cita dados da Organização Mundial da Saúde, o mundo registrou 263 milhões de casos de malária em 2023, em 83 países endêmicos, com a região amazônica concentrando mais de 99% dos casos autóctones registrados no Brasil.
  • O Brasil registrou em 2025 queda de 30% nas mortes por malária e o menor número de casos desde 1978, com 118.037 registros da doença contraídos em território nacional, resultado da ampliação do diagnóstico, da oferta de testes e do acesso ao tratamento adequado.
  • Em 2024 o mundo registrou cerca de 282 milhões de casos e 610 mil mortes por malária em 80 países. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS),  crianças menores de 5 anos representaram cerca de 75% de todas as mortes pela doença na África, que concentra 95% de todos os casos do mundo.
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Como a malária é transmitida?

A malária é transmitida exclusivamente pela picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles, mais ativa nos períodos de amanhecer e entardecer. Quando o mosquito pica uma pessoa, o parasita é liberado na corrente sanguínea e se instala no fígado, onde se reproduz antes de passar a infectar e destruir os glóbulos vermelhos.

Apesar de não ser uma doença contagiosa no sentido tradicional, ou seja, não se transmite de pessoa para pessoa por contato casual, a malária pode, em casos raros, ser transmitida pelo compartilhamento de agulhas e seringas contaminadas, ou de mãe para filho durante a gravidez. Qualquer pessoa pode contrair a doença, mas quem já teve vários episódios de malária pode desenvolver um estado de imunidade parcial, apresentando poucos ou nenhum sintoma em novas infecções.

No Brasil, três espécies de Plasmodium estão ativas e podem transmitir a doença para quem vive ou visita áreas endêmicas. A concentração de casos na região amazônica está diretamente ligada às condições ambientais favoráveis à proliferação do mosquito Anopheles, incluindo áreas de garimpo e regiões com grande presença de água parada.

Quais são os sintomas da malária?

Os sintomas da malária costumam se manifestar entre 48 e 72 horas após a picada do mosquito infectado, embora o período de incubação assintomático possa variar de 7 a 28 dias dependendo da espécie de Plasmodium envolvida. Os sinais mais comuns incluem febre alta, calafrios intensos, tremores, sudorese excessiva, dor de cabeça forte, náusea, vômito, cansaço e falta de apetite.

Um padrão característico da doença é a chamada febre terçã, em que a febre se intensifica e diminui em ciclos ao longo dos dias, acompanhando o processo de reprodução do parasita no organismo. Em casos mais avançados, a malária pode evoluir com icterícia, caracterizada pelo amarelamento da pele e dos olhos, sinal de que o fígado está sendo afetado pela infecção.

Como os sintomas iniciais da malária podem lembrar outras doenças febris comuns em regiões tropicais, como dengue e febre amarela, a informação sobre viagens recentes ou residência em área endêmica é essencial para orientar a investigação médica corretamente.

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Quem tem mais risco de contrair malária?

Qualquer pessoa pode contrair malária, mas o risco é significativamente maior para quem vive ou viaja para a região amazônica, área endêmica que concentra a quase totalidade dos casos registrados no Brasil. Trabalhadores de áreas de garimpo, moradores de assentamentos rurais e populações indígenas da região amazônica estão entre os grupos historicamente mais afetados pela doença.

Viajantes que se deslocam para áreas endêmicas, seja dentro do Brasil ou para outros países com transmissão ativa, como regiões da África, também apresentam risco elevado, especialmente quando não adotam medidas preventivas adequadas antes e durante a viagem. Crianças pequenas, gestantes e pessoas com o sistema imunológico comprometido tendem a apresentar formas mais graves da doença quando infectadas.

Pessoas que já tiveram episódios anteriores de malária podem desenvolver certo grau de imunidade parcial, mas isso não elimina o risco de novas infecções nem deve ser motivo para reduzir os cuidados preventivos, especialmente diante de mudanças ambientais e climáticas que podem alterar os padrões de transmissão da doença.

Como é feito o diagnóstico da malária?

O diagnóstico da malária começa pela avaliação clínica realizada por um infectologista, que investiga o histórico de sintomas, viagens recentes e possível exposição em área endêmica. Diante da suspeita, exames de sangue são solicitados para confirmar a presença do parasita.

O exame mais utilizado é a gota espessa, que permite identificar o parasita causador da doença por meio de análise microscópica direta do sangue. Outra forma de investigação é o teste rápido, que detecta antígenos ou anticorpos relacionados à infecção. Em situações específicas, como triagem epidemiológica, avaliação de doadores ou investigação de exposição prévia, pode ser solicitado o exame de anticorpos IgG para malária, que identifica se a pessoa já teve contato com o parasita, embora não seja indicado para confirmar infecção ativa.

A confirmação rápida e precisa do diagnóstico é essencial para o início imediato do tratamento adequado, já que o atraso na identificação da malária está diretamente relacionado a um maior risco de complicações, especialmente nas formas mais graves da doença causadas pela espécie Plasmodium falciparum.

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Como é o tratamento da malária?

O tratamento da malária é feito com medicação específica com o objetivo de impedir a multiplicação do parasita no organismo. A escolha do esquema terapêutico considera fatores como a espécie de Plasmodium identificada, a idade e o peso do paciente, além da gravidade do quadro clínico.

O sucesso do tratamento depende diretamente da adesão completa ao esquema prescrito, sem interrupções, já que a suspensão precoce da medicação aumenta significativamente o risco de recaídas. Determinadas formas da doença, causadas por espécies de Plasmodium que permanecem latentes no fígado, podem provocar novos episódios de malária mesmo após o tratamento da infecção inicial, exigindo abordagens terapêuticas específicas para reduzir esse risco.

Avanços recentes no tratamento têm contribuído para a redução expressiva de casos e óbitos por malária no Brasil, incluindo o uso de medicamentos com ação prolongada capazes de prevenir novas manifestações da doença, especialmente relevantes para populações de difícil acesso, como comunidades indígenas da região amazônica.

Por que não existe vacina contra a malária disponível no Brasil?

As duas vacinas contra a malária que são atualmente recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), as vacinas RTS,S e a R21, são ambas eficazes apenas na prevenção da infecção causada pelo Plasmodium falciparum, que não é a espécie predominante no Brasil.

A espécie predominante no país é o mosquito Plasmodium vivax, e, infelizmente, as vacinas mencionadas não oferecem proteção contra essa forma do parasita. Pesquisas brasileiras ainda buscam desenvolver um imunizante específico para o P. vivax, mas os estudos ainda estão em fase inicial, sem previsão de aprovação.

Como prevenir a malária?

Na ausência de vacina contra a espécie local do mosquito, a prevenção contra a malária no Brasil continua baseada em medidas como repelentes, mosquiteiros e roupas protetoras.

A principal forma de prevenção é evitar a picada do mosquito Anopheles, especialmente nos horários de amanhecer e entardecer, quando o inseto está mais ativo. O uso de repelentes, roupas que cubram a maior parte do corpo e mosquiteiros ao dormir são medidas eficazes para quem vive ou viaja para áreas endêmicas.

Viajantes com destino à região amazônica ou a outros países com transmissão ativa de malária devem buscar orientação médica antes da viagem, já que em algumas situações pode ser indicada medicação preventiva específica, avaliada individualmente conforme o destino, o tempo de exposição e o perfil de saúde do viajante.

Diante de febre alta, calafrios ou outros sintomas sugestivos após visitar ou morar em área endêmica para malária, a orientação é buscar avaliação médica imediatamente, informando claramente o histórico de exposição. O diagnóstico e tratamento precoces continuam sendo os fatores mais determinantes para evitar complicações e reduzir ainda mais os números da doença no país.

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