Um mosquito e milhões de brasileiros em risco: tudo o que você precisa saber sobre a Dengue

Todo mundo conhece alguém que já teve dengue. Ou talvez você mesmo já tenha passado por isso: uma febre alta que surge de repente, uma dor no corpo que parece não ter fim, um cansaço que dura dias.
A dengue é uma das doenças mais comuns do Brasil e, apesar de familiar, ainda há muitas dúvidas. Quando procurar um médico? Dá para prevenir? Existe vacina? Trazemos aqui estas e outras informações.
- Em 2024, o Brasil registrou mais de 4,7 milhões de casos prováveis de dengue, segundo o Ministério da Saúde.
- De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de metade da população mundial está em risco de contrair dengue, com estimativas de 100 a 400 milhões de infecções por ano no mundo.
- Nos dois primeiros meses de 2025, o Brasil registrou redução de quase 70% nos casos em comparação com o mesmo período de 2024, segundo o painel de monitoramento do Ministério da Saúde. Mesmo assim, a doença continua presente no país.
O que é a dengue e por que ela é tão comum no Brasil?
A dengue é causada por um vírus transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti. Esse mosquito adora o clima quente e úmido do Brasil e se reproduz em qualquer acúmulo de água parada, mesmo que seja a quantidade de uma tampinha de garrafa. Por isso, ele se espalha com tanta facilidade por todo o país.
Existem quatro tipos diferentes do vírus da dengue, chamados sorotipos. É possível ser infectado mais de uma vez ao longo da vida, já que cada sorotipo gera imunidade apenas contra ele mesmo. Exatamente por isso a prevenção é tão importante.
A transmissão direta entre pessoas não acontece: você não pega dengue de alguém que está doente. O caminho sempre passa pelo mosquito. Vale lembrar que o mesmo mosquito também transmite outras doenças, como a zika e a chikungunya, por isso o controle do mosquito vetor protege contra várias arboviroses ao mesmo tempo.
Como saber se estou com dengue? Quais sintomas merecem atenção?
O primeiro sinal costuma ser uma febre alta e súbita, normalmente acima de 39ºC. Junto com ela, aparecem dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos, cansaço, dores no corpo e nas articulações, náuseas e, em muitos casos, manchas avermelhadas na pele. É um conjunto de sintomas que deixa a pessoa bastante debilitada.
Na maioria dos casos, os sintomas mais intensos passam em até sete dias. Mas existe um momento crítico que merece atenção especial: quando a febre baixa, entre o terceiro e o sétimo dia. É nessa fase que podem aparecer sinais de alerta, como dor abdominal forte, vômitos que não param, sangramento na gengiva ou no nariz, tontura e extremo cansaço.
Se isso acontecer, é hora de ir ao médico imediatamente, sem esperar. Esses sinais indicam que a dengue pode estar evoluindo para a dengue grave, com risco de complicações sérias como hemorragias internas e queda brusca de pressão, que exige atenção hospitalar urgente.
Quais os fatores e grupos de risco? E qual médico procurar?
Qualquer pessoa pode pegar dengue. Mas alguns grupos têm maior chance de desenvolver a forma grave: crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas como diabetes, hipertensão e problemas cardíacos. Quem já teve dengue antes também está nesse grupo, porque a segunda infecção com um sorotipo diferente tende a ser mais intensa.
Em 2025, um alerta extra foi emitido pelo Ministério da Saúde: um tipo do vírus que não circulava no Brasil desde 2008 voltou a aparecer, especialmente em São Paulo. Como a maioria das pessoas nunca teve contato com esse tipo, a população está mais vulnerável.
Ao surgir sintomas sugestivos de dengue, a orientação é buscar avaliação médica imediatamente. O infectologista é o especialista indicado para adultos, e o infectologista pediátrico ou o pediatra para crianças e adolescentes. Em casos leves, o clínico geral também pode realizar a avaliação inicial.
Como é feito o diagnóstico da dengue e quais exames podem ser usados?
O diagnóstico da dengue começa com a avaliação clínica: o médico analisa os sintomas, o histórico de saúde e a possibilidade de exposição ao mosquito na região onde o paciente vive ou esteve recentemente.
A partir disso, pode solicitar exames de sangue para confirmar a infecção e monitorar a evolução do quadro. Os exames indicados variam conforme o momento da doença. Nos primeiros cinco dias de sintomas, o exame geralmente mais recomendado é o teste rápido para o antígeno NS1, que detecta uma proteína do vírus diretamente no sangue. Também pode ser solicitada a detecção por PCR, uma técnica mais sensível que identifica o material genético do vírus.
A partir do sexto dia de sintomas, quando o próprio organismo já começa a produzir anticorpos, entram em cena os testes sorológicos: o IgM, que indica uma infecção recente ou em curso, e o IgG, que mostra se a pessoa já teve contato com o vírus anteriormente.
Como é o tratamento da dengue?
O tratamento tem foco, primeiro, na prevenção, e em caso da doença ser contraída, no alívio dos sintomas e manter o paciente bem hidratado enquanto o organismo combate a infecção.
Nos casos mais leves, a partir da orientação médica, o tratamento pode ser feito em casa, com repouso e muita ingestão de líquidos.
Uma coisa importante: em caso de suspeita de dengue, deve-se evitar medicamentos à base de ácido acetilsalicílico (como AAS) e os anti-inflamatórios (como o Ibuprofeno), pois podem aumentar o risco de hemorragias.
Nos casos mais graves, com sinais de alerta ou risco de complicações, o atendimento hospitalar pode ser necessário. Nesses momentos, contar com uma equipe médica experiente faz toda a diferença. A boa notícia: com o acompanhamento correto, a dengue tem cura.
Qual é a vacina contra a dengue? E como é feita a prevenção?
A QDenga é a principal vacina disponível contra a dengue. Ela foi desenvolvida para proteger contra os quatro tipos do vírus da doença e está disponível da Rede D’Or. É aplicada em duas doses, com intervalo de 3 meses entre elas, e pode ser tomada independentemente de a pessoa já ter tido dengue ou não anteriormente.
Estudos clínicos mostraram que a QDenga tem eficácia de cerca de 80% na prevenção da dengue sintomática e reduz em 90% o risco de hospitalização por dengue. Ela é recomendada para pessoas entre 4 e 60 anos. Gestantes e lactantes não devem tomar a vacina. Se você tem dúvida sobre se pode ou não se vacinar, consulte um médico.
Mas a vacina precisa andar junto com outras medidas preventivas. O controle do mosquito Aedes aegypti ainda é essencial e depende da participação de todo mundo. A medida mais importante é eliminar os focos de água parada onde o mosquito se reproduz. Isso significa verificar regularmente a casa: tampar caixas d’água e tonéis, esvaziar pratos de vasos, limpar calhas, descartar objetos que acumulam água, como pneus e garrafas. O Ministério da Saúde recomenda fazer essa inspeção ao menos uma vez por semana.
No dia a dia, usar repelente, manter telas nas janelas e portas e usar roupas que cubram braços e pernas em áreas de maior risco também ajudam a reduzir as chances de ser picado. São hábitos simples que, somados à vacinação, aumentam a proteção e a chance de sucesso no combate à dengue.