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Blastos no hemograma: o que esse resultado significa?

Blastos no hemograma são células jovens da medula óssea. Entenda o que o achado pode significar e por que o resultado costuma pedir avaliação médica.

Ver a palavra “blastos” em um resultado de hemograma costuma gerar preocupação, principalmente quando o exame é de uma criança.

Os blastos são células muito jovens, ainda em processo de amadurecimento, produzidas na medula óssea, o tecido localizado no interior dos ossos onde são formadas as células do sangue. Em condições normais, essas células permanecem na medula enquanto amadurecem e não costumam ser encontradas no sangue periférico, que é o sangue coletado para o hemograma.

Por isso, quando blastos são identificados no sangue, o achado precisa ser avaliado com atenção. Isso não significa automaticamente que a pessoa tenha leucemia, mas pode ser um sinal de que é necessário investigar como a medula óssea está produzindo as células do sangue.

Neste texto, vamos explicar o que são os blastos, por que eles podem aparecer no hemograma e quais exames podem ser necessários para esclarecer o resultado.

O que são blastos no exame de sangue?

Blastos são células muito jovens da medula óssea, que ainda não completaram seu processo de amadurecimento.

A medula óssea funciona como uma espécie de fábrica de células sanguíneas. A partir de células-tronco hematopoéticas, são produzidas as diferentes linhagens que darão origem às hemácias, responsáveis pelo transporte de oxigênio; aos leucócitos, que participam da defesa do organismo; e às plaquetas, importantes para a coagulação.

Os blastos representam uma das etapas mais iniciais desse processo de formação.

À medida que amadurecem, essas células passam por várias transformações até se tornarem células sanguíneas capazes de exercer suas funções. Em condições normais, os blastos ficam principalmente na medula óssea e não circulam em quantidade significativa no sangue.

Células blásticas e blastos são a mesma coisa?

Os termos “blasto” e “célula blástica” são usados para descrever células muito imaturas, que ainda estão no início do processo de diferenciação e amadurecimento.

Existem diferentes tipos de blastos, dependendo da linhagem à qual pertencem. Mieloblastos, por exemplo, são células blásticas da linhagem mieloide, que dará origem a diferentes tipos de células do sangue.

Por isso, quando um laudo menciona um tipo específico de blasto, o nome ajuda o médico a entender qual linhagem celular está sendo identificada.

Por que os blastos normalmente não circulam no sangue?

O sangue periférico é formado predominantemente por células que já passaram por grande parte do processo de amadurecimento e estão prontas para exercer suas funções.

Os blastos permanecem principalmente na medula óssea durante as fases iniciais de sua formação. Por isso, em condições normais, eles não são encontrados no sangue periférico ou aparecem em quantidades extremamente pequenas, dependendo da metodologia utilizada pelo laboratório.

Quando essas células são identificadas no sangue, é importante confirmar o achado e investigar por que células tão imaturas estão chegando à circulação.

Qual é o valor de referência dos blastos no hemograma?

De maneira geral, não se espera encontrar blastos no sangue periférico de pessoas saudáveis.

Por isso, quando o laboratório identifica essas células, o achado costuma ser sinalizado no hemograma. Entretanto, o significado depende de vários fatores: quantidade de blastos, características dessas células, idade do paciente e resultados das demais células do sangue.

Além disso, um equipamento automatizado pode identificar células que precisam ser confirmadas por um profissional no exame microscópico da lâmina de sangue.

Assim, o número informado no hemograma deve sempre ser interpretado no contexto do exame completo e da situação clínica do paciente.

A presença de blastos significa leucemia?

Não necessariamente. Mas é um achado que precisa ser investigado.

A presença de blastos no sangue periférico pode ocorrer em diferentes situações. Entre as possibilidades estão algumas doenças da medula óssea, incluindo leucemias agudas, mas também existem situações reacionais ou de recuperação da medula em que células muito imaturas podem aparecer transitoriamente na circulação.

Por isso, não é possível diagnosticar leucemia apenas pela presença de blastos no hemograma.

Quando existe essa alteração, o médico avalia o hemograma completo, o exame clínico e, quando necessário, solicita exames complementares para determinar a origem dessas células.

Leia também: Leucemia tem cura? Prognóstico, tratamentos e tipos

É preciso repetir o hemograma quando aparecem blastos?

Muitas vezes, o hemograma é repetido e o sangue é submetido a uma avaliação microscópica, especialmente quando o equipamento automatizado sinaliza a presença de células imaturas.

Essa etapa é importante porque o analisador automático pode identificar células que precisam ser classificadas por um profissional. O exame da lâmina permite observar diretamente a aparência das células e confirmar se realmente existem blastos circulando.

A necessidade de repetir o exame ou realizar outras avaliações depende da quantidade de células identificadas, dos demais resultados do hemograma e da condição clínica do paciente.

A repetição do exame não significa que o médico esteja supondo um diagnóstico grave. Ela faz parte da confirmação do achado e ajuda a definir os próximos passos.

O que o médico costuma solicitar quando encontra blastos?

Quando há suspeita ou confirmação de blastos no sangue, o paciente pode ser encaminhado para avaliação com um hematologista, especialista nas doenças do sangue e da medula óssea.

Dependendo do caso, podem ser solicitados:

  • Revisão do hemograma e análise da lâmina de sangue periférico;
  • Mielograma (aspirado de medula óssea), que permite analisar diretamente as células produzidas na medula;
  • Biópsia de medula óssea, em situações selecionadas;
  • Imunofenotipagem por citometria de fluxo, que identifica características específicas das células e ajuda a determinar sua linhagem;
  • Exames citogenéticos e moleculares, quando indicados.

Esses exames não são necessários para todas as pessoas. A escolha depende do resultado do hemograma, da quantidade e das características dos blastos e dos demais achados clínicos e laboratoriais.

Blastos no hemograma de criança são comuns?

Não. A presença de blastos no sangue periférico não deve ser considerada uma alteração normal da infância.

É verdade que a medula óssea das crianças é muito ativa e que algumas situações, como determinadas infecções ou períodos de recuperação da produção sanguínea, podem provocar alterações transitórias no hemograma. Entretanto, isso não significa que blastos circulantes sejam um achado esperado em crianças saudáveis.

Por isso, quando um laudo de uma criança menciona blastos, o resultado deve ser avaliado pelo pediatra e, quando necessário, por um hematologista pediátrico.

A presença de blastos, isoladamente, não permite concluir que a criança tenha leucemia. O diagnóstico depende da avaliação conjunta do hemograma, da análise das células e, quando indicado, de exames da medula óssea e estudos complementares.

Blastos no hemograma: quando procurar atendimento médico?

A presença de blastos deve ser discutida com o médico, especialmente quando aparece associada a outras alterações do hemograma ou a sintomas como:

  • Palidez;
  • Cansaço ou fraqueza incomuns;
  • Febre persistente ou recorrente;
  • Infecções frequentes;
  • Sangramentos ou manchas roxas sem causa aparente;
  • Perda de peso sem explicação;
  • Aumento de gânglios (linfonodos);
  • Dor óssea persistente;
  • Aumento do baço ou do fígado.

Esses sintomas não significam necessariamente leucemia. Eles podem ocorrer em diversas outras condições. O objetivo da avaliação médica é justamente identificar a causa.

Encontrar blastos no sangue periférico não significa automaticamente que existe leucemia, mas também não deve ser considerado um achado normal.

Os blastos são células muito jovens que normalmente permanecem na medula óssea durante seu processo de amadurecimento. Quando aparecem no sangue, o médico precisa avaliar o resultado com atenção, confirmar o achado quando necessário e investigar sua causa.

Na maioria das vezes, o diagnóstico não pode ser definido apenas pelo hemograma. Quando existe suspeita de uma doença da medula óssea, exames como a análise da lâmina de sangue, o mielograma, a imunofenotipagem e os estudos genéticos e moleculares podem ser necessários para esclarecer o diagnóstico.

Se o resultado do hemograma apresentou blastos, não é preciso tirar conclusões apenas pelo laudo. O mais importante é levar o exame ao médico, que poderá interpretar o achado considerando a idade, os sintomas e todas as demais informações do hemograma.

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Revisão médica:

Dra. Fernanda Frozoni Antonacio

Oncologista Clínica

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