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Brasil poderá registrar 781 mil casos de câncer ao ano até 2028

Estimativa do INCA aponta aumento nos casos de câncer no Brasil. Saiba quais são os tipos mais frequentes e a importância do diagnóstico precoce.

O câncer já é uma das principais causas de morte no Brasil e no mundo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país poderá registrar cerca de 781 mil novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028. Esse número representa um aumento de aproximadamente 10% em relação às estimativas do triênio anterior (2023–2025).

O crescimento dos casos de câncer está relacionado a diferentes fatores. Entre eles, destaca-se o aumento da expectativa de vida da população, já que o envelhecimento é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de diversos tipos de tumores malignos.

O sedentarismo e a obesidade também têm contribuído para esse cenário. Cada vez mais frequentes no país, essas condições estão associadas a alterações hormonais, metabólicas e inflamatórias que aumentam o risco de desenvolvimento de diferentes tipos de câncer. A esse contexto somam-se ainda desafios como as desigualdades no acesso aos serviços de saúde e as dificuldades para a realização do diagnóstico precoce.

Os dados reforçam um alerta importante: o câncer vem se consolidando como um dos maiores desafios para a saúde pública no Brasil, aproximando-se das doenças cardiovasculares entre as principais causas de adoecimento e mortalidade.

Apesar dos números preocupantes, muitos casos podem ser prevenidos ou tratados com maiores chances de sucesso quando descobertos precocemente.

Os cânceres mais comuns no Brasil

O termo “câncer” se refere a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células, capazes de invadir tecidos e órgãos e, em alguns casos, se espalhar para outras partes do corpo, processo conhecido como metástase. Cada tipo de câncer possui características próprias, diferentes formas de evolução e tratamentos específicos.

Ainda de acordo com o relatório do INCA Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil, os 15 tipos de câncer mais frequentes no país são:

  • Câncer de pele não melanoma;
  • Câncer de mama feminina;
  • Câncer de próstata;
  • Câncer colorretal;
  • Cânceres de traqueia, brônquios e pulmão;
  • Câncer de estômago;
  • Câncer do colo do útero;
  • Câncer da cavidade oral;
  • Câncer da glândula tireoide;
  • Câncer de pâncreas;
  • Câncer de bexiga;
  • Linfoma não Hodgkin;
  • Câncer de fígado;
  • Leucemia;
  • Câncer do sistema nervoso central.

Embora alguns tipos atinjam homens e mulheres de forma semelhante, existem diferenças importantes na incidência conforme o sexo. Essas diferenças são influenciadas por fatores hormonais, genéticos, comportamentais, ambientais e pela exposição a fatores de risco ao longo da vida.

O câncer mais comum em homens

Nos homens, o câncer de próstata continua sendo o mais frequente no Brasil, desconsiderando os casos de câncer de pele não melanoma. A doença ocorre principalmente após os 65 anos e, nas fases iniciais, costuma evoluir de forma silenciosa, sem provocar sintomas.

Confira os cinco tipos mais comuns entre os homens:

  • Próstata (30,5%);
  • Cólon e reto (10,3%);
  • Pulmão (7,3%);
  • Estômago (5,4%);
  • Cavidade oral (4,8%)

O câncer mais comum em mulheres

Entre as mulheres, o câncer de mama segue liderando as estatísticas no país. Além de ser um dos tumores mais incidentes, também está entre aqueles que apresentam maiores chances de cura quando diagnosticado precocemente.

Confira os cinco tipos mais comuns entre as mulheres, desconsiderando os casos de câncer de pele não melanoma:

  • Mama (30,0%);
  • Cólon e reto (10,5%);
  • Colo do útero (7,4%);
  • Pulmão (6,4%);
  • Tireoide (5,1%).

Sinais silenciosos do câncer

O câncer pode se manifestar de diferentes formas, dependendo do tipo, do órgão afetado e do estágio da doença. Em muitos casos, os sintomas iniciais são discretos e facilmente confundidos com problemas menos graves, o que pode atrasar o diagnóstico. Por isso, é importante estar atento a sinais persistentes e procurar avaliação médica sempre que houver mudanças incomuns no organismo.

Entre os principais sinais de alerta, muitos deles silenciosos, estão:

  • Perda de peso sem causa aparente;
  • Cansaço excessivo e persistente;
  • Dor contínua que não melhora;
  • Presença de caroços ou nódulos;
  • Feridas que não cicatrizam;
  • Sangramentos incomuns;
  • Mudanças persistentes no funcionamento do intestino ou da bexiga;
  • Tosse persistente;
  • Rouquidão prolongada;
  • Dificuldade para engolir;
  • Alterações em pintas ou manchas na pele;
  • Sudorese noturna;
  • Febre frequente sem explicação.

Esses sintomas nem sempre indicam câncer, mas precisam ser investigados, principalmente quando persistem por várias semanas ou apresentam piora progressiva. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores costumam ser as chances de sucesso no tratamento.

A importância do diagnóstico precoce

O diagnóstico precoce é um dos fatores mais importantes para aumentar as chances de sucesso do tratamento e reduzir a mortalidade causada pelo câncer. Quando identificado em estágios iniciais, o tumor geralmente pode ser tratado com terapias menos agressivas e apresenta melhores resultados.

Nas fases iniciais, o câncer costuma estar localizado, sem comprometimento de outros órgãos ou disseminação para outras partes do corpo. Além de aumentar as chances de cura e sobrevida, o diagnóstico precoce também pode reduzir o risco de complicações, preservar a qualidade de vida e diminuir a necessidade de tratamentos mais intensivos.

Como prevenir o câncer

Embora nem todos os casos de câncer possam ser evitados, estima-se que uma parcela significativa esteja relacionada a fatores de risco modificáveis e possa ser prevenida com a adoção de hábitos saudáveis e medidas de proteção ao longo da vida.

É importante diferenciar os fatores de risco que podem ser modificados daqueles que estão fora do nosso controle. Idade, sexo, histórico familiar e algumas alterações genéticas hereditárias são exemplos de fatores não modificáveis. Por outro lado, hábitos relacionados ao estilo de vida podem ser modificados e contribuir para reduzir o risco de desenvolver a doença.

Por isso, a prevenção do câncer deve se concentrar em escolhas saudáveis e sustentáveis ao longo do tempo. Entre as principais recomendações estão:

  • Não fumar;
  • Manter uma alimentação saudável;
  • Reduzir o consumo de carnes vermelhas;
  • Evitar carnes processadas, como presunto, salsicha e bacon;
  • Manter um peso corporal adequado;
  • Praticar atividade física regularmente;
  • Evitar ou limitar o consumo de bebidas alcoólicas;
  • Vacinar-se contra o HPV e a hepatite B;
  • Consultar um médico regularmente;
  • Realizar exames preventivos quando indicados;
  • Evitar a exposição excessiva ao sol e utilizar proteção adequada.

Leia também: Prevenção do câncer: alimentação, exames e estilo de vida

Exames preventivos e rastreamento

Os exames de rastreamento têm como objetivo identificar determinados tipos de câncer antes mesmo do aparecimento dos sintomas ou detectar lesões que podem evoluir para a doença, aumentando as chances de tratamento bem-sucedido.

O rastreamento é recomendado para pessoas que se enquadram em critérios específicos de idade, sexo ou fatores de risco, como histórico familiar, tabagismo ou predisposição genética. Nem todos os exames são indicados para toda a população, e sua realização deve seguir as recomendações das diretrizes médicas.

Entre os principais exames utilizados no rastreamento do câncer estão:

  • Mamografia;
  • Exame de Papanicolau;
  • Teste para HPV (quando indicado);
  • Colonoscopia;
  • Pesquisa de sangue oculto nas fezes;
  • PSA associado ou não ao toque retal, após decisão compartilhada entre médico e paciente;
  • Tomografia computadorizada de baixa dose para pessoas com alto risco para câncer de pulmão;
  • Avaliação clínica da pele por dermatologista, especialmente em pessoas com maior risco.

Além dos exames, as consultas médicas regulares são fundamentais para avaliar os fatores de risco individuais e definir quais estratégias de prevenção e rastreamento são mais adequadas para cada pessoa. A indicação e a frequência dos exames variam conforme idade, sexo, histórico familiar, fatores de risco e condições de saúde.

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Revisão médica:

Dra. Fernanda Frozoni Antonacio

Oncologista Clínica

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