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Câncer de mama HER2+: conheça as opções de tratamento

Saiba o que significa HER2 positivo e conheça as principais terapias utilizadas nesse caso.

Câncer de mama HER2+: conheça as opções de tratamento

O câncer de mama HER2 positivo é um subtipo caracterizado pelo excesso de uma proteína que estimula o crescimento das células tumorais. Historicamente, esse tipo de tumor era associado a um comportamento mais agressivo e a um maior risco de progressão da doença. No entanto, nas últimas décadas, os avanços das terapias-alvo transformaram significativamente o tratamento e o prognóstico desses pacientes.

Atualmente, existem diversas estratégias terapêuticas capazes de controlar a doença de forma bastante eficaz, aumentando as chances de cura nos estágios iniciais e prolongando a sobrevida mesmo em casos avançados. Essas abordagens podem incluir terapias-alvo, quimioterapia, cirurgia, radioterapia e, em alguns casos, hormonioterapia, dependendo das características do tumor e do estágio da doença.

Continue a leitura para entender melhor o que significa HER2+, como é feito o diagnóstico e quais são as principais opções de tratamento disponíveis.

O que é HER2 positivo?

O termo HER2 positivo se refere a um tipo específico de câncer de mama em que as células tumorais apresentam aumento da expressão da proteína HER2 (receptor 2 do fator de crescimento epidérmico humano) em sua superfície. Essa proteína participa de mecanismos relacionados ao crescimento, à divisão e à sobrevivência celular.

Em condições normais, o HER2 exerce funções importantes no funcionamento saudável das células. Entretanto, em alguns tumores ocorre uma amplificação do gene HER2 ou uma superexpressão dessa proteína, fazendo com que as células recebam sinais contínuos para crescer e se multiplicar. Como consequência, o crescimento celular se torna descontrolado, favorecendo o desenvolvimento e a progressão do câncer.

Cerca de 15% a 20% dos cânceres de mama são classificados como HER2 positivos. Antes do desenvolvimento das terapias-alvo, esse subtipo costumava estar associado a pior prognóstico. Hoje, porém, a identificação do HER2 é fundamental justamente porque permite o uso de tratamentos específicos altamente eficazes, capazes de melhorar significativamente os resultados clínicos.

Qual é o tratamento do câncer de mama HER2+?

Atualmente, existem abordagens modernas e eficazes para tratar o câncer de mama HER2+, capazes de aumentar as chances de controle da doença e de cura, especialmente quando o diagnóstico é realizado precocemente.

As terapias-alvo representam um dos principais avanços nessa área. Esses medicamentos foram desenvolvidos para agir especificamente contra a proteína HER2, bloqueando os sinais que estimulam o crescimento e a proliferação das células tumorais. Entre os principais medicamentos utilizados estão o trastuzumabe e o pertuzumabe, que podem ser administrados isoladamente ou em combinação com outros tratamentos.

Além dessas medicações, outros agentes anti-HER2 também podem ser utilizados em situações específicas, como trastuzumabe entansina (T-DM1), trastuzumabe deruxtecana, tucatinibe, lapatinibe e neratinibe, principalmente em casos de doença residual após tratamento inicial ou doença metastática.

A quimioterapia também continua tendo papel importante no tratamento, tanto nos estágios iniciais quanto nos avançados. Frequentemente, ela é administrada antes da cirurgia (tratamento neoadjuvante), com o objetivo de reduzir o tamanho do tumor e aumentar as chances de resposta completa, ou após a cirurgia (tratamento adjuvante), para diminuir o risco de recidiva.

Os tratamentos locais, como cirurgia e radioterapia, também podem ser indicados conforme as características de cada caso. A cirurgia pode variar desde procedimentos conservadores da mama até a mastectomia, dependendo da extensão do tumor e de fatores individuais. Já a radioterapia é frequentemente utilizada para reduzir o risco de retorno da doença na mama, parede torácica ou linfonodos.

Nos tumores HER2 positivos que também apresentam receptores hormonais positivos, a hormonioterapia pode fazer parte do tratamento, geralmente após o término das etapas iniciais.

A definição da melhor estratégia terapêutica depende de fatores como:

  • Estágio da doença;
  • Tamanho do tumor;
  • Comprometimento dos linfonodos;
  • Presença de metástases;
  • Expressão de receptores hormonais;
  • Idade e condições clínicas gerais do paciente.

Leia também: Medicamentos para câncer: descubra os principais e como atuam

Como funciona o trastuzumabe?

O trastuzumabe (Herceptin®) é um anticorpo monoclonal, ou seja, uma molécula desenvolvida em laboratório para reconhecer e se ligar de forma específica ao receptor HER2 presente em excesso nas células tumorais.

Ao se ligar ao HER2, o medicamento bloqueia sinais que estimulam o crescimento e a multiplicação das células cancerígenas. Além disso, o trastuzumabe também ativa mecanismos do sistema imunológico, ajudando o organismo a reconhecer e destruir as células tumorais.

Outro aspecto importante é que ele pode aumentar a sensibilidade das células cancerígenas à quimioterapia, potencializando a eficácia do tratamento combinado.

O trastuzumabe pode ser utilizado em diferentes fases da doença, incluindo:

  • Tratamento neoadjuvante;
  • Tratamento adjuvante;
  • Doença metastática.

Atualmente, também existem formulações subcutâneas do medicamento, que permitem aplicação mais rápida em comparação à infusão intravenosa tradicional.

Para que serve o pertuzumabe?

Assim como o trastuzumabe, o pertuzumabe é um anticorpo monoclonal desenvolvido para agir especificamente contra a proteína HER2. Entretanto, ele se liga a uma região diferente do receptor, proporcionando um bloqueio complementar.

Na prática, o pertuzumabe impede que o HER2 se associe a outros receptores da mesma família, etapa importante para a ativação de vias de crescimento tumoral. Dessa forma, ele ajuda a interromper sinais envolvidos na proliferação e na sobrevivência das células cancerígenas.

Frequentemente, o pertuzumabe é utilizado em combinação com trastuzumabe e quimioterapia. Essa estratégia é conhecida como bloqueio duplo do HER2 e demonstrou melhora significativa nas taxas de resposta, no controle da doença e na sobrevida dos pacientes.

O medicamento pode ser indicado:

  • Antes da cirurgia;
  • Após a cirurgia;
  • Em casos de doença metastática.

A decisão sobre sua utilização deve ser individualizada, considerando as características clínicas e tumorais de cada paciente.

Qual é o prognóstico do câncer de mama HER2+?

Apesar de sua natureza biologicamente mais agressiva, o câncer de mama HER2+ passou por uma verdadeira mudança de prognóstico nas últimas décadas graças ao desenvolvimento das terapias-alvo.

Com tratamentos modernos, muitos pacientes apresentam excelentes respostas terapêuticas, incluindo altas taxas de resposta patológica completa após o tratamento neoadjuvante, especialmente quando a doença é diagnosticada precocemente.

Entre os principais benefícios observados com os tratamentos atuais estão:

  • Redução do risco de recidiva;
  • Aumento da sobrevida global;
  • Melhor controle da doença metastática;
  • Maior preservação da qualidade de vida.

O prognóstico, entretanto, depende de diversos fatores, como:

  • Estágio da doença no momento do diagnóstico;
  • Resposta ao tratamento;
  • Presença ou não de receptores hormonais;
  • Extensão do acometimento linfonodal;
  • Existência de metástases;
  • Condições gerais de saúde do paciente.

Além disso, o acompanhamento contínuo com equipe especializada é fundamental para monitorar a resposta terapêutica, identificar possíveis efeitos adversos e realizar ajustes no tratamento quando necessário.

Câncer de mama HER2+ tem cura?

Sim, im, o câncer de mama HER2 positivo pode ter cura, especialmente quando diagnosticado em estágios iniciais e tratado adequadamente.

Em muitos casos, a combinação de terapias-alvo, quimioterapia, cirurgia e radioterapia permite eliminar completamente a doença. Inclusive, algumas pacientes apresentam resposta patológica completa após o tratamento neoadjuvante, situação associada a prognóstico bastante favorável.

Mesmo nos casos em que a doença é metastática, os avanços terapêuticos permitiram transformar o câncer HER2+ em uma condição potencialmente controlável por longos períodos em muitos pacientes. Nesses cenários, o objetivo do tratamento costuma ser prolongar a sobrevida, controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida.

Quais são os efeitos colaterais da terapia anti-HER2?

As terapias anti-HER2, como trastuzumabe e pertuzumabe, são consideradas tratamentos direcionados e, em geral, apresentam perfil de toxicidade diferente da quimioterapia tradicional. Ainda assim, podem causar efeitos colaterais, que variam de intensidade entre os pacientes.

Entre os efeitos mais comuns estão:

  • Cansaço (fadiga);
  • Diarreia;
  • Náuseas;
  • Dor de cabeça;
  • Reações infusionais ou no local da aplicação;
  • Febre, calafrios e sintomas gripais;
  • Alterações cutâneas leves.

Quando associadas à quimioterapia, podem ocorrer também outros efeitos relacionados ao tratamento sistêmico, como queda de cabelo, redução das células sanguíneas e maior risco de infecções.

Um dos principais pontos de atenção das terapias anti-HER2 é a possibilidade de toxicidade cardíaca. Em alguns casos, essas medicações podem causar redução da função do coração, levando à diminuição da capacidade de bombeamento sanguíneo, geralmente avaliada pela fração de ejeção ventricular.

Por esse motivo, é recomendado acompanhamento cardiológico periódico durante o tratamento, frequentemente com exames como ecocardiograma ou cintilografia cardíaca.

Na maioria das vezes, essas alterações são monitoráveis e potencialmente reversíveis quando identificadas precocemente. Por isso, o acompanhamento médico regular é essencial para garantir segurança e eficácia ao tratamento.

Como saber se o câncer de mama é HER2+?

Para identificar se um câncer de mama é HER2 positivo, é necessário realizar exames laboratoriais a partir de uma amostra do tumor, geralmente obtida por biópsia ou após a cirurgia.

Os principais testes utilizados são:

  • Imuno-histoquímica (IHQ);
  • Hibridização in situ (ISH), incluindo técnicas como FISH.

A imuno-histoquímica avalia a quantidade da proteína HER2 presente na superfície das células tumorais. Os resultados costumam variar de 0 a 3+.

De forma geral:

  • HER2 0 e 1+: considerados negativos;
  • HER2 3+: considerado positivo;
  • HER2 2+: resultado duvidoso, geralmente necessitando confirmação com teste complementar, como ISH/FISH.

Esses exames são fundamentais porque ajudam a definir quais pacientes podem se beneficiar das terapias-alvo anti-HER2, permitindo um tratamento mais personalizado e eficaz.

Confira: Estadiamento do câncer de mama: etapa fundamental para o planejamento do tratamento

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Revisão médica:

Dra. Fernanda Frozoni Antonacio

Oncologista Clínica

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