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Câncer de colo do útero: sintomas, HPV e tratamento

Tudo o que você precisa saber sobre câncer de colo do útero, incluindo sinais de alerta, causas, diagnóstico, estadiamento, tratamentos e prevenção.

O câncer de colo do útero é um dos tipos de câncer mais frequentes entre as mulheres no Brasil. Também chamado de câncer cervical, ele se desenvolve na porção inferior do útero, conhecida como colo do útero, região que conecta o útero à vagina.

Na maioria dos casos, a doença evolui lentamente e se inicia a partir de alterações nas células do colo uterino. Essas alterações, chamadas de lesões precursoras, podem levar anos para se transformar em câncer quando não são identificadas e tratadas adequadamente.

Quais são os sintomas do câncer de colo do útero?

Nos estágios iniciais, o câncer de colo do útero geralmente não provoca sintomas, o que torna o acompanhamento ginecológico regular essencial para o diagnóstico precoce. Conforme a doença evolui, podem surgir sinais e sintomas como:

  • Sangramento vaginal anormal, especialmente após relações sexuais, entre menstruações ou após a menopausa;
  • Dor pélvica persistente;
  • Dor durante a relação sexual;
  • Corrimento vaginal com odor desagradável, por vezes amarronzado ou com presença de sangue.

Em fases mais avançadas, também podem ocorrer:

  • Dificuldade para urinar ou evacuar;
  • Inchaço nas pernas;
  • Dor lombar;
  • Cansaço excessivo;
  • Perda de peso sem causa aparente.

Esses sintomas não são exclusivos do câncer de colo do útero e também podem estar relacionados a outras doenças ginecológicas. Ainda assim, qualquer alteração persistente deve ser avaliada por um médico para investigação adequada.

HPV causa câncer de colo do útero?

Sim. O HPV (papilomavírus humano) é o principal fator relacionado ao desenvolvimento do câncer de colo do útero. Estima-se que mais de 95% dos casos estejam associados à infecção persistente por tipos de alto risco do vírus, especialmente os HPV 16 e HPV 18.

O HPV é uma infecção sexualmente transmissível muito comum. A maior parte das pessoas terá contato com o vírus em algum momento da vida. Na maioria dos casos, o próprio sistema imunológico elimina a infecção naturalmente, sem causar problemas.

No entanto, quando a infecção persiste por muitos anos, principalmente pelos tipos oncogênicos do HPV, podem ocorrer alterações nas células do colo do útero que aumentam o risco de desenvolvimento do câncer.

Por isso, exames de rotina, como o Papanicolau, têm papel fundamental na identificação precoce dessas alterações antes mesmo do aparecimento de sintomas.

Papanicolau detecta câncer de colo do útero?

Também conhecido como exame preventivo, o Papanicolau é uma das principais ferramentas de rastreamento e prevenção do câncer de colo do útero. Seu principal objetivo não é diagnosticar diretamente o câncer, mas identificar alterações celulares que podem evoluir para a doença.

Durante o exame, são coletadas células do colo do útero para análise em laboratório. Essa avaliação pode detectar lesões pré-cancerosas, alterações relacionadas ao HPV e outras alterações ginecológicas.

Quando o resultado do Papanicolau apresenta alterações, o médico pode solicitar exames complementares, como:

  • Colposcopia, exame que permite avaliar detalhadamente o colo do útero;
  • Biópsia, utilizada para confirmar o diagnóstico por meio da análise do tecido.

Leia também: Como descobrir câncer no útero?

Quando fazer o Papanicolau?

O exame de Papanicolau deve ser realizado periodicamente, mesmo na ausência de sintomas. No Brasil, a recomendação é iniciar o rastreamento aos 25 anos em pessoas com vida sexual ativa.

Nos dois primeiros exames, o teste deve ser realizado anualmente. Se ambos os resultados forem normais, o rastreamento pode passar a ser feito a cada três anos.

A frequência pode variar conforme o histórico clínico de cada paciente. Pessoas com infecção persistente por HPV, alterações anteriores no exame, imunossupressão ou outros fatores de risco podem necessitar de acompanhamento mais frequente, conforme orientação médica.

O câncer de colo do útero tem cura?

Sim. O câncer de colo do útero pode ter cura, principalmente quando diagnosticado precocemente. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de tratamento eficaz e recuperação completa.

Nos estágios iniciais, o tratamento costuma apresentar altas taxas de sucesso e pode envolver procedimentos menos agressivos. Já em casos mais avançados, o tratamento geralmente é mais complexo e pode incluir a combinação de cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Mesmo assim, dependendo da situação, ainda pode haver possibilidade de controle prolongado da doença e até cura.

Como é feito o tratamento do câncer de colo do útero?

O tratamento do câncer de colo do útero depende principalmente do estágio da doença, do tamanho e da localização do tumor, das condições clínicas da paciente, da idade e do desejo de preservar a fertilidade. A definição da melhor estratégia terapêutica deve ser individualizada e realizada por uma equipe multidisciplinar.

As principais opções de tratamento incluem:

1. Cirurgia

A cirurgia é mais frequentemente indicada nos estágios iniciais da doença. O procedimento pode variar desde a retirada de uma pequena área do colo do útero até a remoção completa do útero (histerectomia), podendo incluir também tecidos adjacentes e linfonodos da pelve, dependendo da extensão do tumor.

Em casos selecionados, especialmente em mulheres jovens com desejo de engravidar futuramente, podem ser considerados tratamentos com preservação da fertilidade, como a conização ou a traquelectomia.

2. Radioterapia

A radioterapia utiliza radiação para destruir as células cancerígenas. Ela pode ser realizada externamente (teleterapia) ou internamente, por meio da braquiterapia, técnica em que a fonte de radiação é posicionada próxima ao tumor.

Esse tratamento é amplamente utilizado em tumores localmente avançados e, frequentemente, é combinado à quimioterapia para aumentar a eficácia do tratamento e melhorar o controle da doença.

3. Quimioterapia

A quimioterapia utiliza medicamentos capazes de destruir ou impedir o crescimento das células tumorais. Em muitos casos, ela é administrada simultaneamente à radioterapia, estratégia conhecida como quimiorradioterapia, considerada um dos principais tratamentos para doença localmente avançada.

Além disso, a quimioterapia também pode ser utilizada em casos de recidiva ou doença metastática.

4. Imunoterapia e antiangiogênicos

Nos últimos anos, houve avanços importantes no tratamento do câncer de colo do útero avançado ou recorrente. Em alguns pacientes, especialmente em casos metastáticos ou recidivados, a imunoterapia pode ser utilizada para estimular o sistema imunológico a reconhecer e combater as células cancerígenas.

Outra opção disponível em situações selecionadas é o uso de medicamentos antiangiogênicos, que atuam bloqueando a formação de novos vasos sanguíneos responsáveis por nutrir o tumor e favorecer seu crescimento.

Esses tratamentos podem ser utilizados em combinação com a quimioterapia, dependendo das características da doença e da avaliação da equipe médica.

O acompanhamento por uma equipe multidisciplinar, incluindo ginecologistas, oncologistas clínicos e radioterapeutas, é fundamental para definir o tratamento mais adequado em cada caso.

Quais são os estágios do câncer de colo do útero?

O câncer de colo do útero é classificado em estágios que indicam o grau de extensão da doença no organismo. Essa classificação é importante para definir o tratamento e avaliar o prognóstico.

Classificação Características
Estágio 0 (carcinoma in situ) Presença de células anormais apenas na camada superficial do colo do útero. Ainda não é considerado um câncer invasivo, mas uma lesão pré-cancerosa.
Estágio I O câncer está restrito ao colo do útero.
Estágio II O câncer se espalhou além do colo do útero, atingindo estruturas próximas, como a parte superior da vagina, sem alcançar a parede pélvica.
Estágio III A doença se estende para a parede pélvica e/ou parte inferior da vagina, podendo causar comprometimento urinário e alterações nos rins.
Estágio IV Estágio mais avançado, em que o câncer invade órgãos próximos, como bexiga e reto, ou se dissemina para outras partes do corpo, como pulmões, fígado e ossos.

Como as lesões pré-cancerosas são tratadas?

O principal objetivo do tratamento das lesões pré-cancerosas é impedir que elas evoluam para um câncer invasivo.

A escolha do tratamento depende do tipo e da gravidade da lesão, além da idade, histórico clínico e desejo reprodutivo da paciente.

Em muitos casos, especialmente nas lesões de baixo grau, pode ser indicado apenas acompanhamento periódico, já que algumas alterações podem regredir espontaneamente, principalmente em mulheres mais jovens.

Quando há necessidade de tratamento, os métodos mais utilizados incluem:

  • Métodos ablativos: destruição da área alterada por crioterapia, cauterização química ou laser;
  • Métodos excisionais: retirada do tecido alterado por procedimentos como cirurgia de alta frequência (CAF/LEEP) ou conização.

Após o tratamento, é essencial manter acompanhamento regular com o ginecologista e realizar exames periódicos, como o Papanicolau e, em alguns casos, testes para HPV.

Quando a conização é indicada?

A conização é um procedimento indicado principalmente quando há suspeita ou confirmação de lesões pré-cancerosas de alto grau no colo do útero ou quando existe dúvida diagnóstica após outros exames.

A decisão é baseada na avaliação conjunta do Papanicolau, da colposcopia e da biópsia.

Em geral, a conização pode ser recomendada nas seguintes situações:

  • Lesões de alto grau;
  • Alterações persistentes no Papanicolau;
  • Achados suspeitos na colposcopia;
  • Biópsia inconclusiva ou sugestiva de lesão extensa;
  • Suspeita de câncer em estágio muito inicial.

Além disso, fatores como idade, desejo de engravidar futuramente e histórico clínico também são considerados antes da indicação do procedimento.

Confira: É possível ter filhos após o câncer? Conheça a oncofertilidade

Como prevenir o câncer de colo do útero?

A prevenção do câncer de colo do útero é possível e envolve principalmente vacinação, rastreamento regular e cuidados com a saúde sexual.

As principais medidas preventivas incluem:

  • Vacinação contra o HPV;
  • Uso de preservativos nas relações sexuais;
  • Realização periódica do exame de Papanicolau;
  • Acompanhamento ginecológico regular.

A vacina contra o HPV é uma das formas mais eficazes de prevenção e ajuda a proteger contra os principais tipos do vírus relacionados ao câncer de colo do útero.

Além disso, evitar o tabagismo também é importante, já que o cigarro aumenta o risco de persistência da infecção pelo HPV e favorece o desenvolvimento do câncer.

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Revisão médica:

Dra. Fernanda Frozoni Antonacio

Oncologista Clínica

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