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Câncer de endométrio: o que é, sintomas e tratamento

A imunoterapia faz parte das estratégias para tratar o câncer de endométrio, um tumor maligno que se desenvolve na camada interna que reveste o útero.

O câncer de endométrio é o tumor ginecológico mais comum em países desenvolvidos e afeta principalmente mulheres após a menopausa, embora também possa ocorrer antes dessa fase. Muitas vezes, a doença é diagnosticada em estágios iniciais, sobretudo porque costuma provocar sintomas precoces.

O que é câncer de endométrio?

O câncer de endométrio é um tipo de tumor maligno que se desenvolve no tecido que reveste a parte interna do útero, chamado endométrio. Esse revestimento sofre alterações ao longo do ciclo menstrual e se prepara para uma possível gravidez.

Quando algumas células do endométrio apresentam alterações em seu material genético, elas podem passar a crescer e se multiplicar de maneira desordenada, dando origem ao tumor.

Existem diferentes tipos de câncer de endométrio. O mais frequente é o adenocarcinoma endometrioide, geralmente associado à exposição prolongada ao estrogênio sem a ação equilibradora da progesterona. Há ainda subtipos menos comuns, como o carcinoma seroso e o carcinoma de células claras, que costumam apresentar comportamento mais agressivo.

Diversos fatores podem aumentar o risco de desenvolver a doença, entre eles:

  • Obesidade;
  • Diabetes;
  • Hipertensão arterial;
  • Histórico de infertilidade ou anovulação crônica;
  • Menopausa tardia;
  • Menarca precoce;
  • Uso isolado de estrogênio na terapia hormonal;
  • Uso prolongado de tamoxifeno, em situações específicas;
  • Síndromes hereditárias, como a síndrome de Lynch.

No entanto, a presença de um ou mais fatores de risco não significa que a mulher necessariamente desenvolverá a doença.

Leia também: Anticoncepcionais aumentam a chance de ter câncer?

Sintomas do câncer de endométrio

O principal sinal de alerta do câncer de endométrio é o sangramento vaginal anormal. Esse sintoma está presente na maioria dos casos e costuma ser o motivo que leva muitas mulheres a procurar atendimento médico.

Após a menopausa, qualquer episódio de sangramento vaginal deve ser investigado, mesmo que seja pequeno ou aconteça apenas uma vez. Já em mulheres que ainda menstruam, alterações no padrão menstrual, como sangramentos mais intensos, prolongados ou fora do período menstrual, também merecem atenção.

Além do sangramento, outros sintomas podem estar associados à doença, principalmente em fases mais avançadas, como:

  • Corrimento vaginal aquoso, rosado ou com sangue;
  • Dor ou pressão na região pélvica;
  • Desconforto ou dor durante as relações sexuais;
  • Dificuldade ou dor para urinar;
  • Dor abdominal persistente;
  • Perda de peso sem causa aparente;
  • Cansaço excessivo.

Qualquer alteração persistente ou incomum deve ser avaliada por um ginecologista para que a causa seja identificada e tratada adequadamente.

Como é o tratamento do câncer de endométrio?

O tratamento é definido de forma individualizada, considerando fatores como o estágio da doença, o tipo e o grau do tumor, as alterações moleculares, a idade da paciente e seu estado geral de saúde.

A cirurgia é o principal tratamento para a maioria das pacientes. O procedimento geralmente consiste na retirada do útero (histerectomia), das trompas de Falópio e dos ovários. Também costuma ser realizada a avaliação dos linfonodos, frequentemente por meio da técnica do linfonodo sentinela ou, em situações específicas, da retirada de linfonodos para verificar se houve disseminação da doença.

Após a cirurgia, algumas pacientes podem necessitar de tratamentos complementares para reduzir o risco de recorrência. Entre eles estão:

Após o término do tratamento, o acompanhamento médico periódico é fundamental para monitorar a recuperação, identificar precocemente possíveis sinais de recorrência e orientar os cuidados ao longo do tempo.

Imunoterapia: a revolução no tratamento

A imunoterapia representa um dos principais avanços no tratamento do câncer de endométrio.

Essa abordagem utiliza medicamentos capazes de estimular ou modificar a resposta do sistema imunológico para que ele reconheça e combata as células cancerígenas com maior eficiência.

Embora o sistema imunológico seja naturalmente capaz de identificar células anormais, alguns tumores desenvolvem mecanismos que dificultam esse reconhecimento. A imunoterapia atua bloqueando essas estratégias, permitindo que as células de defesa voltem a atacar o câncer.

No câncer de endométrio, esse tratamento tem apresentado excelentes resultados principalmente em tumores com deficiência do sistema de reparo do DNA (dMMR) ou instabilidade de microssatélites (MSI-H).

Além disso, estudos recentes demonstraram benefícios da associação entre imunoterapia e quimioterapia como tratamento inicial de alguns casos de doença avançada ou recorrente, ampliando o número de pacientes que podem se beneficiar dessa estratégia.

Por esse motivo, a realização de testes moleculares no tecido tumoral tornou-se uma etapa importante do planejamento terapêutico.

Dependendo das características do tumor, a imunoterapia pode ser utilizada isoladamente ou em combinação com quimioterapia e, em algumas situações, com terapias-alvo.

Apesar dos resultados promissores, esse tratamento não é indicado para todas as pacientes. Sua utilização depende de uma avaliação individualizada realizada pela equipe médica.

Medicina personalizada e biomarcadores

Nem todos os casos de câncer de endométrio apresentam o mesmo comportamento. Por isso, além do estágio da doença e das características observadas ao microscópio, os médicos podem solicitar exames que avaliam alterações moleculares nas células tumorais.

Essas alterações, chamadas de biomarcadores, ajudam a prever o comportamento do tumor e a identificar quais tratamentos têm maior probabilidade de benefício.

Entre os biomarcadores mais importantes estão:

  • Deficiência do sistema de reparo do DNA (dMMR);
  • Instabilidade de microssatélites (MSI-H);
  • Alterações na proteína p53;
  • Mutações no gene POLE.

Esses exames fazem parte da medicina personalizada, abordagem que adapta o tratamento às características específicas de cada tumor, permitindo decisões mais precisas e individualizadas.

Câncer de endométrio tem cura?

Sim. O câncer de endométrio apresenta altas chances de cura, principalmente quando é diagnosticado em estágios iniciais.

Como a doença costuma provocar sintomas precoces, especialmente o sangramento vaginal anormal, muitas pacientes recebem o diagnóstico antes que o tumor se espalhe para outras partes do corpo.

Mesmo quando a doença é diagnosticada em estágios mais avançados, os avanços da oncologia têm ampliado significativamente as opções terapêuticas. Atualmente, tratamentos como quimioterapia, imunoterapia, terapias-alvo e hormonioterapia podem contribuir para controlar a doença por períodos prolongados, aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida de muitas pacientes.

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Revisão médica:

Dra. Fernanda Frozoni Antonacio

Oncologista Clínica

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