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Câncer de próstata tem cura? Entenda os avanços recentes

Diagnóstico precoce e avanços no tratamento aumentaram as chances de controle e cura do câncer de próstata nos últimos anos.

O câncer de próstata é o tipo mais comum entre homens no Brasil, com cerca de 77.920 novos casos por ano, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio de 2026 e 2028. Apesar da sua alta incidência, é uma doença com altas chances de cura quando diagnosticada e tratada precocemente.

Graças aos avanços da medicina nas últimas décadas, as chances de controle e recuperação da doença aumentaram de forma considerável, viabilizando tratamentos mais precisos, menos invasivos e com melhores resultados.

O cenário atual é mais positivo do que no passado. Hoje, exames modernos ajudam na detecção precoce, enquanto novas técnicas cirúrgicas, terapias-alvo, imunoterapia e tratamentos personalizados ampliam as possibilidades de sucesso.

Além disso, o conhecimento sobre a doença evoluiu. Nem todo câncer de próstata apresenta o mesmo comportamento biológico: alguns tumores crescem lentamente e podem ser apenas acompanhados, enquanto outros exigem tratamento imediato. Por isso, o diagnóstico correto e o acompanhamento médico especializado são fundamentais.

Como é feito o diagnóstico precoce?

O diagnóstico precoce é uma das principais estratégias para ampliar as chances de controle do câncer de próstata. Estima-se que as taxas de sucesso do tratamento podem ultrapassar 90% quando o tumor ainda está localizado, isto é, sem disseminação das células cancerígenas para outras regiões do corpo.

Muitas vezes, a doença se desenvolve lentamente e pode não causar sintomas nas fases iniciais. Por isso, os exames de rastreamento são indicados para homens acima dos 50 anos, ou a partir dos 45 anos em grupos de maior risco.

Os principais exames utilizados no diagnóstico inicial são o antígeno prostático específico (PSA), feito por meio de um teste de sangue, e o toque retal.

O PSA ajuda a identificar alterações na próstata, embora seus níveis também possam se elevar devido a outras condições benignas. Já o toque retal possibilita ao médico avaliar alterações no tamanho, na textura e a presença de nódulos.

Quando há suspeita de câncer, exames de imagem podem complementar a investigação. Nos últimos anos, a ressonância magnética multiparamétrica da próstata se tornou um dos principais avanços no diagnóstico precoce, uma vez que consegue identificar áreas suspeitas de forma precisa.

A biópsia prostática de fusão também tem se destacado. Essa técnica moderna combina as imagens da ressonância magnética ao ultrassom em tempo real. Assim, o médico pode coletar tecido das áreas suspeitas com alta precisão.

Além disso, a medicina vem avançando no uso da análise genômica e dos biomarcadores para avaliar o câncer de próstata de forma mais personalizada e definir tratamentos mais direcionados às particularidades do tumor e do paciente.

PSA alto significa câncer de próstata?

Embora o PSA elevado possa ser um sinal de câncer de próstata, esse exame isoladamente não confirma o diagnóstico.

O PSA é uma proteína produzida naturalmente pela próstata, e seus níveis podem se elevar por diferentes motivos, incluindo condições benignas, como a hiperplasia prostática benigna e a prostatite (inflamação da próstata).

Por isso, quando há alteração no PSA, o médico avalia também outros fatores e resultados de outros exames antes de concluir qualquer diagnóstico.

Avanços no tratamento do câncer próstata

Os avanços da medicina transformaram o tratamento do câncer de próstata nos últimos anos. Atualmente, as abordagens estão cada vez mais personalizadas, menos invasivas e mais eficazes. Conheça as principais a seguir.

1. PET-CT com PSMA

  • Esse exame utiliza um radiofármaco que se liga preferencialmente ao PSMA (antígeno de membrana específico da próstata), proteína altamente expressa nas células tumorais, o que possibilita localizar focos da doença com alta precisão.
  • A tecnologia é indicada principalmente para: Detectar tumores menores; Identificar metástases precocemente; Avaliar chances de recidiva (retorno do câncer após o tratamento); Definir tratamentos mais adequados; Acompanhar a resposta terapêutica.

2. Cirurgia robótica

  • A cirurgia robótica é uma das principais evoluções no tratamento cirúrgico do câncer de próstata. Essa inovação oferece maior precisão nos movimentos, visão ampliada da região operada e menor impacto nos tecidos saudáveis.
  • Entre os benefícios estão: Menor sangramento; Recuperação mais rápida; Menos dor no pós-operatório; Menor tempo de internação; Menor chance de complicações urinárias e sexuais.

3. Radioterapia de alta precisão

  • As técnicas modernas de radioterapia conseguem direcionar a radiação com mais precisão para o tumor, preservando as estruturas saudáveis ao redor da próstata.
  • Entre os avanços estão: Radioterapia modulada por intensidade (IMRT); Radioterapia guiada por imagem; Radiocirurgia estereotáxica; Braquiterapia.

4. Terapias-alvo

  • As terapias-alvo, como os inibidores de PARP, são tratamentos que atuam diretamente em alterações moleculares específicas das células cancerígenas, com o objetivo de bloquear os mecanismos envolvidos no crescimento e na disseminação do tumor.
  • No câncer de próstata, esse tratamento pode ser indicado sobretudo para pacientes com doença avançada e alterações genéticas, como mutações relacionadas aos genes BRCA1 e BRCA2, identificadas por testes moleculares e análise genômica.

5. Imunoterapia

  • A imunoterapia estimula o próprio sistema imunológico a reconhecer e atacar as células cancerígenas. Embora ainda seja indicada para casos específicos, essa abordagem amplia as possibilidades de tratamento para pacientes com doença avançada.

6. Terapias focais minimamente invasivas

  • O Conselho Federal de Medicina (CFM) autorizou no Brasil duas novas abordagens minimamente invasivas para casos selecionados de câncer de próstata localizado: o ultrassom focado de alta intensidade (HIFU) e a crioablação. O objetivo dessas técnicas é reduzir os impactos que os tratamentos convencionais podem causar, principalmente sobre a função urinária e sexual.

Escore de Gleason: o que significa e como funciona?

O Escore de Gleason é uma das principais ferramentas usadas para avaliar a agressividade do câncer de próstata. Ele ajuda os médicos a entenderem o comportamento do tumor e a definir o tratamento adequado para cada paciente.

O escore é determinado após a análise das células retiradas na biópsia da próstata. No microscópio, o patologista observa o quanto as células cancerígenas se diferenciam das células normais da próstata. De forma geral:

Células mais parecidas com as normais indicam tumores menos agressivos; Células muito alteradas sugerem tumores com maior chance de crescimento e de disseminação.

O sistema tradicional avalia os dois padrões celulares mais presentes no tumor, atribuindo notas que variam de 1 a 5 para cada um deles.

Essas notas são somadas para formar o escore final. Exemplos:

Gleason 6 (3+3): tumor menos agressivo; Gleason 7 (3+4 ou 4+3): agressividade intermediária; Gleason 8 a 10: tumores mais agressivos.

Atualmente, além do sistema tradicional, muitos laudos também utilizam os chamados grupos prognósticos (Grade Groups), que facilitam a compreensão do risco da doença.

Como o câncer de próstata inicial é tratado?

Quando o câncer de próstata é diagnosticado nas fases iniciais, as chances de cura costumam ser altas. O tratamento depende principalmente da agressividade do tumor, da idade do paciente e de suas condições gerais de saúde.

Nos casos de baixo risco, pode ser indicada a vigilância ativa, com acompanhamento periódico por exames, sem necessidade de tratamento imediato.

Quando o tratamento é necessário, as principais opções incluem:

Cirurgia para retirada da próstata; Radioterapia de alta precisão; Braquiterapia, em casos selecionados; Terapias focais minimamente invasivas.

Como o câncer de próstata agressivo é tratado?

O tratamento do câncer de próstata agressivo costuma demandar uma abordagem mais intensiva e, muitas vezes, combinada. O objetivo é controlar o avanço da doença, reduzir a chance de metástase e aumentar a sobrevida do paciente.

As principais opções incluem: Cirurgia; Radioterapia; Terapia hormonal; Quimioterapia; Terapias-alvo; Imunoterapia, em casos específicos.

Crescimento de casos entre homens mais jovens

O câncer de próstata é mais comum após os 65 anos, mas um dado recente tem chamado a atenção dos especialistas: homens mais jovens têm aparecido com maior frequência nos consultórios e hospitais por causa da doença.

Dados do Ministério da Saúde apontam que os atendimentos relacionados ao câncer de próstata em homens com até 49 anos aumentaram 32% entre 2020 e 2024 no Brasil. O número passou de cerca de 2,5 mil para 3,3 mil no período.

O aumento da procura por acompanhamento urológico, exames preventivos e avaliações iniciais, assim como o crescimento dos diagnósticos nessa faixa etária, pode estar relacionado a diferentes fatores. Entre eles estão o maior acesso à informação sobre saúde, a ampliação do acesso aos serviços médicos e a conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

Além disso, fatores já conhecidos por aumentar a chance de desenvolvimento do câncer de próstata também contribuem para esse cenário, como a obesidade, o sedentarismo e o histórico familiar da doença.

A medicina personalizada no câncer de próstata

A personalização dos tratamentos tem revolucionado a maneira como o câncer de próstata é diagnosticado e tratado. Essa abordagem utiliza informações genéticas, moleculares e clínicas do paciente e do tumor para definir estratégias mais individualizadas e eficazes.

Dessa forma, dois pacientes com o mesmo diagnóstico podem receber tratamentos diferentes, de acordo com as particularidades de cada caso. Entre os recursos utilizados na medicina personalizada estão:

Análise genômica; Biomarcadores; Testes moleculares; PET-CT com PSMA; Avaliação do perfil genético do tumor.

Essas ferramentas colaboram para identificar tumores mais agressivos, prever a resposta aos tratamentos e selecionar terapias mais direcionadas, como as terapias-alvo. Além de aumentar a precisão do tratamento, a medicina personalizada também contribui para evitar terapias desnecessárias e reduzir efeitos colaterais, melhorando a qualidade de vida do paciente.

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Revisão médica:

Dra. Fernanda Frozoni Antonacio

Oncologista Clínica

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