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Retirada dos testículos: o que acontece após a cirurgia?

A retirada de um ou dos dois testículos, chamada orquiectomia, é uma cirurgia realizada por diferentes motivos. Entre as principais indicações estão o tratamento do câncer de testículo e do câncer de próstata avançado, além de traumas graves na região e das cirurgias de afirmação de gênero em pessoas transgênero. Em situações mais raras, o procedimento também pode ser necessário devido a infecções severas ou torção testicular irreversível.

A orquiectomia pode provocar impactos físicos e emocionais significativos. Isso porque os testículos são responsáveis pela produção de espermatozoides e de testosterona, o principal hormônio masculino. Assim, é natural surgirem dúvidas sobre as mudanças no corpo, na fertilidade, na saúde sexual e na aparência após a cirurgia.

Neste conteúdo, você vai entender o que acontece depois da orquiectomia e quais cuidados são importantes para uma recuperação segura e tranquila.

Quais são os tipos de orquiectomia?

1. Orquiectomia simples: É a forma mais comum fora do contexto oncológico.

Como é feita: o testículo é removido por uma pequena incisão no escroto.

Indicações:

  • Câncer de próstata avançado (como forma de castração cirúrgica);
  • Atrofia ou infecção irreversível do testículo;
  • Cirurgias de afirmação de gênero (pessoas transmasculinas).

Observação: o epidídimo e o cordão espermático geralmente são preservados parcialmente.

2. Orquiectomia inguinal radical (ou radical por via inguinal)

É o padrão ouro no tratamento do câncer de testículo.

Como é feita: a remoção é feita por uma incisão na virilha (via inguinal), retirando todo o testículo, o epidídimo e o cordão espermático até o anel inguinal interno.

Motivo: essa via evita disseminar células tumorais pelo escroto, o que poderia ocorrer se fosse feita por via escrotal.

Indicação: sempre que há suspeita de tumor maligno testicular.

3. Orquiectomia subcapsular

Como é feita: apenas o tecido glandular interno (onde é produzida a testosterona) é removido, preservando-se a cápsula externa do testículo.

Objetivo: reduzir os níveis de testosterona mantendo a aparência escrotal.

Indicações: usada em alguns casos de câncer de próstata avançado quando se busca castração cirúrgica com menor impacto estético.

Situação atual: pouco utilizada hoje, substituída pelas terapias hormonais medicamentosas (análogos de LHRH), mas ainda praticada em alguns centros ou países com recursos limitados.

4. Orquiectomia parcial (ou tumorectomia testicular)

Como é feita: apenas o tumor é removido, preservando parte do testículo saudável.

Indicação: casos selecionados de tumores benignos ou pequenos tumores malignos localizados, especialmente quando há apenas um testículo funcional (para preservar fertilidade e função hormonal).

Exige: margens cirúrgicas livres e acompanhamento rigoroso com exames de imagem e marcadores tumorais.

5. Orquiectomia bilateral

Como é feita: remoção de ambos os testículos (pode ser simples, inguinal ou subcapsular).

Indicações:

  • Castração definitiva em câncer de próstata metastático;
  • Cirurgias de afirmação de gênero;
  • Condições raras como torção bilateral, infecção ou trauma grave.

Consequências: perda total da produção de testosterona e infertilidade irreversível.

Como é feita a cirurgia?

A orquiectomia é um procedimento geralmente simples e seguro, realizado por um urologista em ambiente hospitalar. O tipo de anestesia e o tempo de internação variam conforme o caso e a técnica utilizada.

Antes da cirurgia, o paciente passa por uma avaliação clínica completa, com exames laboratoriais, de imagem e de risco cirúrgico. Durante a operação, o testículo é retirado, e os vasos sanguíneos e o canal deferente são ligados e cortados. A incisão é então fechada com pontos absorvíveis ou removíveis. O procedimento dura, em média, 30 minutos a 1 hora e pode ser feito com anestesia geral, raquidiana ou peridural, conforme indicação médica.

Na maioria dos casos, o paciente recebe alta no mesmo dia ou após uma curta observação hospitalar. A dor costuma ser leve a moderada e pode ser controlada com analgésicos simples.

O que acontece após a cirurgia?

O pós-operatório costuma ser tranquilo, mas requer cuidados. Nos primeiros dias, podem surgir dor leve ou moderada, inchaço, hematoma e desconforto ao caminhar. Esses sintomas tendem a melhorar em poucos dias com o uso das medicações prescritas.

A recuperação completa geralmente leva de três a quatro semanas. Nesse período, é importante seguir todas as orientações médicas e evitar atividades físicas intensas, levantar peso ou ter relações sexuais até liberação profissional.

Caso ocorra febre, dor intensa ou secreção na ferida cirúrgica, o médico deve ser procurado imediatamente.

Quais são os impactos hormonais, na fertilidade e na vida sexual?

Os testículos são a principal fonte de testosterona, hormônio que regula o desejo sexual, a força muscular, o humor e várias funções do organismo.

  • Após a retirada de um testículo, o outro normalmente compensa essa produção, preservando os níveis hormonais, a fertilidade e a função sexual.
  • Após a retirada dos dois, ocorre uma queda acentuada da testosterona, que pode causar sintomas como diminuição da libido, fadiga, mudanças de humor, perda de massa muscular, aumento da gordura corporal e, a longo prazo, redução da densidade óssea.

Nesses casos, o médico pode indicar reposição hormonal, que ajuda a controlar os efeitos da deficiência de testosterona e manter a qualidade de vida.

Quanto à fertilidade, a orquiectomia unilateral raramente causa infertilidade, pois o testículo remanescente continua produzindo espermatozoides. Já a orquiectomia bilateral leva à infertilidade definitiva. Assim, em casos planejados, como no câncer ou em cirurgias de afirmação de gênero, é possível realizar o congelamento do sêmen antes da cirurgia, preservando a possibilidade de ter filhos biológicos no futuro.

A vida sexual pode continuar ativa e satisfatória após a cirurgia. Com acompanhamento médico, reposição hormonal e, se necessário, apoio psicológico, a maioria dos pacientes consegue manter o desejo e o desempenho sexual.

Prótese testicular: quando é uma opção viável?

A colocação de uma prótese testicular é uma alternativa para quem deseja manter a aparência natural da bolsa escrotal após a cirurgia. Embora não tenha função hormonal ou reprodutiva, a prótese, feita de silicone macio, com formato semelhante ao testículo natural, pode ajudar na autoestima e no bem-estar emocional.

Ela pode ser implantada durante a orquiectomia ou em um segundo momento, conforme a escolha do paciente e a avaliação médica. A decisão é totalmente individual e deve considerar o conforto físico e psicológico de cada pessoa.

A importância do acompanhamento multiprofissional

O suporte de uma equipe multidisciplinar é fundamental antes e depois da orquiectomia. Urologistas, oncologistas, endocrinologistas, cirurgiões, fisioterapeutas, psicólogos e psiquiatras podem atuar juntos para garantir uma recuperação completa e o bem-estar a longo prazo.

Esse acompanhamento integral ajuda o paciente a lidar melhor com as mudanças físicas e emocionais, promovendo autonomia, confiança e qualidade de vida.

Se precisar, pode contar com a Oncologia D’Or!

A Oncologia D’Or transforma o cuidado com o câncer por meio de uma rede integrada de clínicas e centros de tratamento presentes em diversos estados do país. Com um corpo clínico especializado e equipes multidisciplinares dedicadas, proporcionamos uma jornada de atendimento que une tecnologia avançada, diagnóstico ágil e tratamentos personalizados.

Como parte da Rede D’Or, a maior rede de saúde da América Latina, garantimos acesso às estruturas hospitalares mais modernas e aos avanços científicos que fazem a diferença na vida dos pacientes.

Nosso compromisso é oferecer excelência, conforto e segurança em todas as etapas do tratamento oncológico, promovendo saúde e qualidade de vida.

Revisor científico
Dra. Fernanda Frozoni Antonacio
Oncologista Clínica
Rede D’or – Hospital Vila Nova Star e Hospital São Luiz Itaim

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