A colocação de próteses de silicone nas mamas está entre os procedimentos cirúrgicos mais realizados no Brasil, tanto por razões estéticas quanto reconstrutivas. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), cerca de 319 mil implantes mamários são colocados anualmente no país, número que posiciona o Brasil como o segundo maior realizador desse tipo de cirurgia no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
Por outro lado, o percentual de pacientes que optam pela retirada das próteses também vem crescendo nos últimos anos. Somente em 2023, foram registrados mais de 41 mil explantes mamários, de acordo com dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS).
Apesar da popularidade do procedimento, muitas pessoas ainda têm dúvidas e preocupações sobre a segurança dos implantes mamários, especialmente quando o assunto é a possível associação entre silicone e câncer de mama. Essas incertezas vão desde o medo de que o silicone possa causar tumores até questionamentos sobre como as próteses podem interferir na detecção da doença.
Neste artigo, esclarecemos as principais questões relacionadas ao tema. Acompanhe para entender melhor.
A segurança dos implantes de silicone
Os implantes de silicone utilizados nas mamas passam por rigorosos testes de qualidade, segurança e resistência antes de serem aprovados para uso médico. No Brasil, esses produtos precisam da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que garante que os materiais sejam biocompatíveis e adequados para permanecer no organismo por longos períodos.
Ao longo dos anos, os avanços tecnológicos tornaram os implantes mamários progressivamente mais seguros. As próteses modernas apresentam múltiplas camadas em sua estrutura externa e um gel interno altamente coeso, o que reduz de forma significativa o risco de vazamento mesmo em casos de ruptura.
Ainda assim, como qualquer dispositivo médico implantável, as próteses de silicone podem estar associadas a complicações em situações específicas. Por isso, é fundamental que o procedimento seja realizado por um profissional qualificado e que as orientações médicas no pós-operatório sejam seguidas corretamente. Além disso, o acompanhamento periódico com exames de imagem e avaliações clínicas é essencial para monitorar tanto a integridade do implante quanto a saúde das mamas ao longo do tempo.
Para a grande maioria das mulheres, os implantes de silicone são considerados seguros quando bem indicados e acompanhados por médicos especialistas. A decisão de colocá-los deve ser tomada de forma consciente, com acesso a informações claras e confiáveis sobre benefícios, riscos e alternativas disponíveis.
Silicone pode causar câncer de mama?
Atualmente, não existem evidências científicas que demonstrem uma relação direta entre o uso de implantes de silicone e o desenvolvimento do câncer de mama.
No entanto, é importante destacar duas associações raras já reconhecidas pela literatura médica: o linfoma anaplásico de grandes células associado ao implante mamário (BIA-ALCL) e o carcinoma espinocelular associado ao implante mamário (BIA-SCC).
O BIA-ALCL é um tipo incomum de câncer do sistema linfático, e não da mama, que pode se desenvolver no tecido ao redor do implante, especialmente em próteses com superfície texturizada. Já o BIA-SCC é ainda mais raro, com apenas algumas dezenas de casos descritos no mundo. Trata-se de um tumor agressivo, geralmente associado a um processo inflamatório crônico na cápsula que envolve o implante, surgindo após muitos anos de uso. Em 2025, foi registrado o primeiro caso confirmado no Brasil.
Os sinais e sintomas dessas condições podem incluir aumento súbito do volume da mama, dor, acúmulo de líquido ao redor da prótese (seroma tardio), presença de nódulos, endurecimento ou alterações na cápsula do implante. Apesar de extremamente raras, essas doenças exigem diagnóstico precoce para melhores resultados no tratamento.
Por isso, é importante que pessoas com implantes mamários estejam atentas a qualquer alteração e tenham conhecimento da existência, ainda que pouco frequente dessas complicações. O acompanhamento regular com profissionais especializados e a realização de exames adequados são as principais formas de garantir segurança e tranquilidade a longo prazo.
O silicone pode esconder o câncer de mama?
A presença da prótese mamária pode dificultar parcialmente a visualização de todo o tecido mamário em exames como a mamografia convencional. Por essa razão, é fundamental que a paciente informe sobre o implante antes da realização do exame, permitindo que o radiologista utilize técnicas específicas, como as manobras de deslocamento do implante (técnica de Eklund).
Além da mamografia, exames complementares como a ultrassonografia e a ressonância magnética podem ser indicados, especialmente em mulheres com mamas densas, histórico familiar de câncer de mama ou risco aumentado para a doença.
Vale reforçar que o silicone não impede a detecção precoce do câncer de mama, desde que os exames apropriados sejam realizados por profissionais experientes e em serviços capacitados.
Leia também: Descubra os mitos e verdades sobre o câncer de mama
Quem teve câncer de mama pode colocar silicone?
Sim. Pessoas que tiveram câncer de mama podem colocar próteses de silicone. Em muitos casos, esse procedimento faz parte do processo de reconstrução mamária após o tratamento oncológico, contribuindo para a recuperação da autoestima e da qualidade de vida.
A reconstrução com implantes pode ser realizada imediatamente após a mastectomia ou em um momento posterior, dependendo das características do tumor, do tipo de tratamento realizado (como quimioterapia ou radioterapia), das condições dos tecidos locais e da avaliação individualizada de cada paciente.
O uso de próteses de silicone não aumenta o risco de recidiva do câncer de mama. Além disso, os exames de imagem continuam sendo eficazes no acompanhamento oncológico, desde que realizados com as técnicas adequadas.
Confira também: Reconstrução mamária: quem pode fazer?
Possíveis complicações dos implantes
Embora os implantes de silicone sejam considerados seguros para a maioria das mulheres, é importante lembrar que, como qualquer procedimento cirúrgico, existem riscos. As complicações podem ser mais comuns ou raras e incluem:
- Contratura capsular;
- Ruptura do implante;
- Acúmulo de líquido ao redor da prótese;
- Infecções;
- Alterações de sensibilidade;
- Linfoma anaplásico de grandes células associado ao implante;
- Carcinoma espinocelular associado ao implante;
- Sintomas sistêmicos inespecíficos, por vezes referidos como reações imunológicas.
Essas complicações são pouco frequentes, especialmente quando a cirurgia é realizada por profissionais experientes, com técnica adequada e em ambiente seguro. O acompanhamento médico regular é fundamental para a saúde das mamas e para a durabilidade do implante.
Quando procurar um médico?
Recomenda-se que pacientes com implantes mamários realizem consultas periódicas com o cirurgião plástico e o mastologista, sobretudo nos primeiros anos após a cirurgia. Mesmo na ausência de sintomas, as avaliações de rotina permitem identificar precocemente alterações como contratura capsular ou rupturas silenciosas.
No entanto, a avaliação médica deve ser antecipada caso surjam sinais ou sintomas como:
- Dor persistente na mama;
- Endurecimento ou deformidade;
- Inchaço súbito;
- Alterações na forma ou na posição da prótese;
- Sinais de infecção, como febre, vermelhidão ou secreção local.
Com acompanhamento adequado, os riscos são minimizados e a segurança do procedimento pode ser mantida ao longo do tempo.
Se precisar, pode contar com a Oncologia D’Or!
A Oncologia D’Or transforma o cuidado com o câncer por meio de uma rede integrada de clínicas e centros de tratamento presentes em diversos estados do país. Com um corpo clínico especializado e equipes multidisciplinares dedicadas, proporcionamos uma jornada de atendimento que une tecnologia avançada, diagnóstico ágil e tratamentos personalizados.
Como parte da Rede D’Or, a maior rede de saúde da América Latina, garantimos acesso às estruturas hospitalares mais modernas e aos avanços científicos que fazem a diferença na vida dos pacientes.
Nosso compromisso é oferecer excelência, conforto e segurança em todas as etapas do tratamento oncológico, promovendo saúde e qualidade de vida.



