A quimioterapia é um tratamento que utiliza medicamentos para destruir as células cancerígenas e impedir que elas se multipliquem. Esses fármacos podem ser administrados por via oral, intravenosa (pela veia), intramuscular (no músculo) ou por outras formas, dependendo do tipo e da localização do câncer.
Apesar de ser um tratamento amplamente conhecido, nem todos sabem que existem diferentes tipos de quimioterapia, e uma das formas mais populares de classificá-los é por cores. Essa divisão não tem base científica formal, mas é amplamente usada por profissionais da saúde e pacientes como uma forma prática de identificar os medicamentos e suas principais características.
A seguir, entenda como funciona essa classificação e o que representa cada cor.
Como a quimioterapia atua no tratamento do câncer
Diferentemente da cirurgia ou da radioterapia, que agem de forma localizada, a quimioterapia atua de maneira sistêmica, ou seja, em todo o corpo. Isso ocorre porque os medicamentos circulam pelo sangue e podem atingir células tumorais que migraram para outras regiões do organismo (as chamadas metástases).
Os quimioterápicos afetam principalmente células que se dividem rapidamente, característica típica das células cancerígenas. No entanto, algumas células saudáveis que também se multiplicam com rapidez, como as da medula óssea, do trato digestivo e dos folículos capilares, podem ser atingidas. Essa ação explica diversos efeitos colaterais do tratamento.
A quimioterapia pode ser indicada em diferentes tipos de câncer, tanto em estágios iniciais quanto avançados. O oncologista define o esquema terapêutico com base no tipo e estágio do tumor, nas condições clínicas do paciente e na presença ou não de metástases.
Em alguns casos, o tratamento é indicado mesmo após a cirurgia, com o objetivo de eliminar possíveis células residuais e reduzir o risco de recidiva.
Como funciona a classificação por cores
A chamada classificação por cores é uma forma não científica, mas bastante difundida, de identificar grupos de medicamentos quimioterápicos. Essa diferenciação leva em conta características como mecanismo de ação, toxicidade e cor da substância quando diluída para aplicação.
De modo geral, a quimioterapia é dividida em quatro categorias principais: vermelha, amarela, branca e azul. Cada uma delas está associada a um grupo específico de fármacos e mecanismos de ação.
1. Quimioterapia vermelha
A quimioterapia vermelha reúne medicamentos conhecidos como antraciclinas, entre os quais se destacam a doxorrubicina e a epirrubicina. Esses fármacos têm coloração avermelhada, o que originou o nome popular.
As antraciclinas atuam diretamente sobre o DNA das células tumorais, inibindo sua replicação e provocando a morte celular programada (apoptose). São administradas por via intravenosa, em ciclos definidos de acordo com o tipo e o estágio do câncer, além das condições gerais do paciente.
Por sua potência, as antraciclinas estão entre os medicamentos mais eficazes, mas também podem causar efeitos colaterais importantes, como queda de cabelo, náuseas e risco de toxicidade cardíaca, motivo pelo qual o uso é cuidadosamente monitorado pelo oncologista.
2. Quimioterapia amarela
A quimioterapia amarela agrupa fármacos que, após diluição, apresentam coloração amarelada. Entre os principais estão o metotrexato, a cisplatina e o fluorouracil (5-FU), pertencentes a diferentes classes de quimioterápicos.
Essas substâncias atuam inibindo a síntese de DNA e RNA, impedindo a multiplicação das células cancerígenas. A administração pode ser oral ou intravenosa, conforme o protocolo de tratamento.
Com frequência, esses medicamentos são combinados com outros agentes para potencializar o efeito terapêutico e reduzir o risco de resistência tumoral.
3. Quimioterapia branca
A chamada quimioterapia branca é um termo popular usado para descrever medicamentos que, após diluição, apresentam aparência translúcida ou incolor. Entre os principais estão o paclitaxel, docetaxel, cisplatina, gemcitaniba, carboplatina e, em alguns esquemas, a ciclofosfamida.
Esses fármacos interferem em etapas específicas do ciclo celular, bloqueando a multiplicação das células tumorais.
A aplicação é feita por via intravenosa e pode seguir diferentes intervalos, semanal (a cada 7 dias), quinzenal (a cada 14 dias) ou a cada 21 dias, dependendo do tipo de câncer, do medicamento utilizado e das condições clínicas do paciente.
Efeitos colaterais comuns incluem fadiga, queda de cabelo, neuropatia periférica (formigamentos) e alterações nas taxas sanguíneas, exigindo acompanhamento contínuo durante o tratamento.
4. Quimioterapia azul
A quimioterapia azul é menos conhecida pelo público. A cor azulada decorre da presença de substâncias como a mitoxantrona, principal representante dessa categoria.
A mitoxantrona é um análogo das antraciclinas, com ação semelhante à da quimioterapia vermelha. Ela interfere na síntese de DNA e RNA, bloqueando a divisão celular e levando à destruição das células cancerígenas.
A administração é feita por via intravenosa, em ciclos controlados, de acordo com o tipo e a gravidade da doença. Entre os possíveis efeitos adversos estão náuseas, fadiga, alterações nas células do sangue e, em alguns casos, toxicidade cardíaca leve.
Tipos de quimioterapia para além da cor
Além da divisão por cores, a quimioterapia pode ser classificada conforme o objetivo terapêutico. Essa definição é feita pelo oncologista, levando em conta o tipo de câncer, o estágio da doença e o estado geral do paciente.
Os principais tipos incluem:
- Curativa: busca eliminar completamente o câncer;
- Adjuvante: aplicada após cirurgia ou radioterapia, para destruir possíveis células remanescentes;
- Neoadjuvante: realizada antes de outros tratamentos, com o objetivo de reduzir o tamanho do tumor e facilitar sua remoção;
- Paliativa: indicada quando a cura não é possível, visando aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida.
Cuidados essenciais durante o tratamento
Independentemente da cor ou do tipo de quimioterapia, algumas medidas ajudam a minimizar os efeitos colaterais e garantem melhores resultados:
- Respeitar rigorosamente os intervalos entre os ciclos de quimioterapia;
- Informar o médico sobre qualquer sintoma incomum ou efeito adverso;
- Manter uma alimentação equilibrada, conforme orientação nutricional;
- Ingerir líquidos adequadamente para proteger os rins e o fígado;
- Evitar aglomerações e contato com pessoas doentes, especialmente em períodos de neutropenia (queda da imunidade);
- Cuidar da pele e mucosas, com hidratação regular e proteção solar;
- Ter uma rotina adequada de sono e descanso;
- Realizar acompanhamentos médicos e exames periódicos para monitorar a resposta ao tratamento.
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Revisor científico
Dra. Fernanda Frozoni Antonacio
Oncologista Clínica
Rede D’or – Hospital Vila Nova Star e Hospital São Luiz Itaim


