Receber o diagnóstico de diabetes gestacional pode trazer muitas dúvidas. E conforme o parto se aproxima, é natural que novas perguntas surjam. O que isso significa para o bebê? Será preciso antecipar o parto? O parto normal continua sendo uma possibilidade?
O diabetes gestacional é uma alteração nos níveis de glicose identificada durante a gravidez, geralmente nos exames de rotina do pré-natal. Na maioria dos casos, pode ser controlado com uma alimentação adequada, atividade física orientada e, quando necessário, medicação. Ao longo do terceiro trimestre, manter a glicose sob controle continua sendo uma parte importante do acompanhamento.
Mas o que, de fato, pode mudar nessa fase? E o que esperar no parto e nas primeiras semanas após o nascimento?
A seguir, reunimos as principais informações para ajudar você a entender melhor esse momento e chegar ao parto mais preparada e tranquila.
Por que o controle da glicemia continua importante no terceiro trimestre?
Na reta final da gestação, o bebê continua ganhando peso, e o acompanhamento do crescimento ganha importância. Quando a glicose da mãe fica elevada por muito tempo, o excesso de açúcar chega ao bebê pela placenta e pode estimular um crescimento acima do esperado.
Por isso, o diabetes gestacional no terceiro trimestre pede atenção contínua às medições de glicemia e às orientações da equipe. Os ajustes de dieta ou de medicação, quando necessários, são feitos pelo médico a partir dos registros que você leva às consultas.
Diabetes gestacional traz riscos para o bebê na reta final?
Quando a glicemia está bem controlada, o risco de complicações diminui bastante. Ainda assim, o acompanhamento costuma ser mais próximo, para identificar cedo algumas situações que merecem cuidado, como:
- Crescimento acima do esperado: um bebê maior do que o previsto para a idade gestacional pode influenciar a escolha do momento e da via de parto
- Queda da glicose após o nascimento: alguns bebês de mães com diabetes gestacional podem apresentar glicose baixa nas primeiras horas de vida, situação que costuma ser acompanhada e manejada ainda na maternidade
O bebê precisa de mais exames no fim da gravidez?
Sim, o acompanhamento costuma ser mais frequente. Entre os cuidados mais comuns estão:
- Contagem dos movimentos do bebê: a partir do terceiro trimestre, a gestante pode ser orientada a observar os movimentos fetais diariamente. Se perceber que o bebê está se mexendo bem menos do que no dia anterior, procure atendimento na maternidade
- Ultrassom de crescimento: estima o peso do bebê e ajuda a acompanhar se o desenvolvimento segue o esperado
- Exames de bem-estar fetal: como a cardiotocografia e o perfil biofísico, indicados conforme o tratamento e a avaliação da equipe
Esses exames não indicam que algo está errado. Eles ajudam a equipe a planejar o parto com mais segurança.
Diabetes gestacional antecipa o parto?
Nem sempre. Ter diabetes gestacional não significa, por si só, que o parto precisará ser antecipado.
Quando a glicemia está bem controlada e o bebê apresenta crescimento e bem-estar adequados, a gestação pode seguir até o início espontâneo do trabalho de parto.
A definição do melhor momento para o nascimento é feita pela equipe que acompanha a gestante, levando em conta o controle da glicemia, o tratamento realizado e as condições do bebê.
Em algumas situações, como quando o controle da glicose está mais difícil ou o bebê apresenta crescimento acima do esperado, a equipe pode recomendar que o parto aconteça antes.
Quem tem diabetes gestacional pode ter parto normal?
Sim. Ter diabetes gestacional não significa, por si só, que será necessária uma cesárea. O parto normal continua sendo uma possibilidade e a via de parto é definida individualmente, de acordo com as condições de cada gestação.
Um dos aspectos avaliados é o peso estimado do bebê no ultrassom. Quando o crescimento está dentro do esperado, o parto normal pode seguir como uma opção.
Se houver suspeita de que o bebê esteja muito grande, a equipe também considera outros fatores, como o histórico da gestante e as condições da mãe e do bebê, para definir a forma mais segura de conduzir o parto.
O mais importante é que essa decisão seja conversada com a equipe que acompanha a gestação.
Como fica a glicemia no dia do parto?
Durante o trabalho de parto, a glicemia é monitorada pela equipe da maternidade, que faz os ajustes necessários. A maioria das gestantes com diabetes gestacional não precisa de insulina nesse momento.
Após o nascimento e a saída da placenta, a resistência à insulina diminui rapidamente. Por isso, na maioria dos casos, a medicação usada na gestação é suspensa logo após o parto, sempre por orientação médica.
O que muda depois que o bebê nasce?
Para o bebê: a glicose pode ser acompanhada nas primeiras horas de vida. A amamentação logo após o nascimento é uma aliada importante, porque ajuda a prevenir a queda da glicose no recém-nascido.
Para você: o diabetes gestacional costuma desaparecer após o parto, mas o acompanhamento continua. Um novo exame de glicose costuma ser indicado entre seis e oito semanas após o parto e, se o resultado for normal, a reavaliação passa a ser feita uma vez por ano, já que ter tido diabetes gestacional aumenta a chance de desenvolver diabetes tipo 2 ao longo da vida. Amamentar também contribui para o equilíbrio da glicemia materna nesse período.
A excelência da nossa equipe de especialistas ao seu alcance.
Planejamento e acompanhamento na reta final
Com a glicemia controlada e o pré-natal em dia, você pode conversar com a equipe sobre as possibilidades para o momento e a via do nascimento. Levar suas dúvidas para as consultas ajuda a construir esse planejamento de forma individualizada, com mais segurança e tranquilidade.
Algumas unidades da Rede D’Or contam com Vigilância Materno-Fetal, para acompanhar de perto gestações que precisam de atenção especial, além de equipes de Medicina Neonatal, preparadas para oferecer os cuidados necessários ao recém-nascido nas primeiras horas de vida.
Cada gestação tem sua história e seu tempo. Ter informação, acompanhamento e uma equipe ao seu lado pode fazer toda a diferença para viver a reta final com mais confiança e tranquilidade.


