Entre os 18 meses e os cinco anos, a birra costuma fazer parte da rotina de muitas famílias. Ela pode aparecer de repente, mudar de intensidade e surgir pelos motivos mais inesperados. O pico geralmente acontece entre os dois e três anos, fase em que a criança descobre o mundo, afirma a própria vontade e começa a entender que nem sempre tudo acontece como ela gostaria.
Apesar de cansativa e, às vezes, constrangedora, a birra faz parte do desenvolvimento emocional. É a maneira que a criança encontra para expressar frustrações, cansaço, medo ou desejo quando ainda não tem maturidade emocional nem palavras suficientes para dizer o que sente.
O que é a birra infantil?
A birra é uma descarga intensa de emoções. Pode envolver choro alto, gritos, jogar-se no chão, rigidez corporal, agressividade ou resistência extrema. Em geral, aparece quando a criança se sente sobrecarregada emocionalmente e não consegue se autorregular.
Nessa fase da vida, o cérebro infantil ainda está em construção, especialmente as áreas responsáveis pelo controle emocional. Por isso, pedir que a criança “se acalme” ou “pense melhor” não funciona – ela ainda não é capaz de fazer isso sozinha.
Por que esse comportamento acontece?
As birras costumam ter duas grandes origens. A primeira está ligada às limitações naturais da idade. Fome, sono, cansaço, excesso de estímulos, mudanças de rotina ou frustrações simples, como não conseguir alcançar um objeto, podem gerar um acúmulo de tensão que explode em forma de birra.
A segunda está relacionada à busca por autonomia. A criança começa a testar limites, a afirmar vontades e a descobrir até onde pode ir.
Como lidar com a birra no dia a dia?
A forma como o adulto reage influencia diretamente a intensidade e a duração da birra. Confira algumas dicas que ajudam no dia a dia:
- Mantenha um tom de voz calmo e evite gritos ou punições impulsivas;
- Valide o sentimento da criança com frases simples, como “eu sei que você ficou bravo” ou “entendo que você queria isso”;
- Evite ceder apenas para encerrar o choro, pois isso pode reforçar a birra como estratégia;
- Seja coerente com os limites já combinados, sem mudá-los a cada situação;
- Ofereça escolhas possíveis, como roupas ou pequenos detalhes;
- Transforme tarefas em brincadeiras e respeite os momentos de cansaço ou fome.
E quando a criança bate, morde ou agride?
Com crianças pequenas, comportamentos agressivos geralmente não são intencionais. Eles surgem porque a criança ainda não sabe expressar a frustração de outra forma. Nessas situações, o mais eficaz é interromper com firmeza, explicar que machucar dói e oferecer alternativas seguras para descarregar a emoção, como bater em um travesseiro, apertar um brinquedo ou respirar junto com o adulto.
Manter a calma, falar com voz tranquila e demonstrar segurança ajuda a não aumentar ainda mais a tensão do momento. A criança precisa entender que o comportamento não é aceitável, mas que ela continua sendo amada e acolhida.
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E se essa fase se prolongar?
Com o amadurecimento emocional e a capacidade de lidar com frustrações, a tendência é que as birras diminuam gradualmente. No entanto, quando os episódios se tornam muito frequentes, intensos ou prolongados, persistem por vários anos ou passam a interferir de forma significativa na vida familiar, social ou escolar, é importante buscar orientação profissional.
Também merecem atenção as birras acompanhadas de agressividade intensa e recorrente, grande dificuldade de adaptação ou regressões no comportamento. Nesses casos, a avaliação de um profissional pode ajudar a compreender o que a criança está comunicando e orientar a família da melhor forma possível.


