A amamentação nem sempre acontece da forma como foi planejada. Em alguns momentos, o bebê pode ter dificuldade para mamar diretamente no peito, a mãe precisa se ausentar por algumas horas ou a produção de leite necessita de estímulo. Nessas situações, a ordenha — manual ou com bomba tira-leite — pode ser uma importante aliada para manter a amamentação.
Extrair o leite não significa que a amamentação está chegando ao fim. Na maioria dos casos, acontece justamente o contrário: a ordenha ajuda a manter a produção de leite, aliviar o desconforto causado pelo acúmulo e garantir que o bebê continue recebendo leite materno mesmo quando não é possível mamar diretamente no peito.
Neste conteúdo, você vai entender quando a bomba tira-leite é realmente indicada, como fazer a ordenha de forma segura e quais são os cuidados para armazenar o leite materno corretamente.
Quando a bomba tira-leite pode ser indicada
A ordenha pode fazer parte da amamentação em diferentes momentos da rotina. O retorno ao trabalho é uma das situações mais comuns: ao extrair e armazenar o leite, é possível garantir que o bebê continue recebendo leite materno durante a ausência da mãe.
Ela também pode ser recomendada em outras situações, como:
- Prematuridade ou internação do recém-nascido, quando a mamada direta não é possível;
- Dificuldades na pega, enquanto mãe e bebê se adaptam à amamentação;
- Ingurgitamento mamário, para aliviar o desconforto causado pelo excesso de leite;
- Necessidade de estimular ou manter a produção de leite.
Em cada caso, a frequência das extrações e o método mais adequado devem ser orientados por um profissional de saúde com experiência em amamentação.
Como fazer a ordenha manual
A ordenha manual é uma alternativa simples e não exige equipamentos. Antes de começar, lave bem as mãos com água e sabão e utilize um recipiente limpo e esterilizado para armazenar o leite.
Em seguida, faça uma massagem suave nas mamas, com movimentos circulares em direção à aréola. Depois, posicione o polegar acima e os demais dedos abaixo da aréola, formando um “C” com a mão, sem apertar o mamilo. Pressione delicadamente em direção ao tórax e, em seguida, comprima a região de forma ritmada para favorecer a saída do leite.
É normal que os primeiros jatos demorem alguns instantes para aparecer. Com tempo e prática, a técnica tende a tornar-se mais fácil e eficiente.
Bomba tira-leite: qual é a diferença entre os modelos?
As bombas tira-leite estão disponíveis em diferentes modelos, e a escolha depende da frequência de uso, da rotina da mãe e da indicação do profissional de saúde, podendo ser:
- Bomba manual: compacta, silenciosa e fácil de transportar. Exige mais esforço durante a ordenha e costuma ser indicada para uso ocasional ou em situações específicas;
- Bomba elétrica simples: realiza a extração de uma mama por vez. É uma alternativa prática para quem precisa fazer ordenhas com frequência;
- Bomba elétrica dupla: permite extrair leite das duas mamas simultaneamente, reduzindo o tempo de cada sessão. É frequentemente utilizada por mães de bebês prematuros ou por quem precisa manter a produção de leite com ordenhas frequentes.
Independentemente do modelo, a ordenha deve ser confortável. A sucção não deve causar dor. Se houver desconforto persistente, é importante verificar a regulagem da bomba, o tamanho da flange e a técnica utilizada, com orientação de um profissional de saúde.
Cuidados com a higiene durante a ordenha
Manter uma boa higiene durante a extração é essencial para preservar a qualidade do leite materno. A maior parte das contaminações ocorre durante a coleta ou o armazenamento.
Antes de iniciar a ordenha, lave bem as mãos com água e sabão. Os recipientes e todas as peças da bomba que entram em contato com o leite devem ser esterilizados antes do primeiro uso e higienizados com água e sabão após cada utilização, seguindo as orientações do fabricante.
Como armazenar o leite materno extraído
O leite deve ser armazenado em recipientes de vidro ou plástico rígido livre de BPA, com tampa que permita vedação adequada. Identifique cada recipiente com a data e o horário da extração para controlar o tempo de armazenamento.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR), os prazos recomendados para armazenamento em casa são:
- Temperatura ambiente (até 26 °C): até 6 horas;
- Geladeira (2 °C a 4 °C): até 5 dias;
- Congelador acoplado à geladeira (abaixo de -18 °C): até 15 dias;
- Freezer (abaixo de -18 °C): até 6 meses.
Esses prazos são indicados para bebês nascidos a termo e saudáveis. Quando o leite é destinado a prematuros ou recém-nascidos internados, o armazenamento deve seguir as orientações da equipe de saúde, que podem ser mais restritivas.
Sempre que possível, o leite recém-extraído é a melhor opção por preservar suas características naturais. Quando o uso imediato não for viável, o armazenamento sob refrigeração ou congelamento continua sendo uma alternativa segura para manter a alimentação do bebê.
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Como descongelar e aquecer o leite materno
O leite materno deve ser descongelado, de preferência, na geladeira, algumas horas antes do uso, ou aquecido em banho-maria com água morna. O uso do micro-ondas não é recomendado, pois o aquecimento pode ocorrer de forma desigual, comprometendo alguns componentes do leite e aumentando o risco de queimaduras.
Depois de descongelado, o leite não deve ser recongelado. Se permanecer refrigerado após o descongelamento, deve ser consumido em até 24 horas.
Antes de oferecer o leite ao bebê, observe sua aparência e o cheiro. Um leve odor semelhante ao de sabão pode ocorrer pela ação natural da enzima lipase e não significa que o leite esteja impróprio para consumo.
Já cheiro azedo ou desagradável, alteração importante na coloração ou grumos que não desaparecem após uma leve agitação podem indicar deterioração.
Em caso de dúvida, procure orientação de um profissional de saúde.


