Alzheimer: a principal causa de demência no mundo e a luta pelo diagnóstico precoce e a qualidade de vida

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que causa dificuldade de raciocínio e memória, comportamentos anormais ou confusão mental, prejudicando a pessoa em suas tarefas diárias e em sua autonomia. É a forma mais comum de demência em todo o mundo, mas isso não significa que seja parte esperada do envelhecimento: trata-se de uma condição clínica, com causas biológicas específicas e características que a diferenciam do esquecimento natural que acompanha o avanço da idade.
Acredita-se que o Alzheimer seja provocado pelo acúmulo de proteínas anormais no cérebro, chamadas de beta-amiloide e proteína tau fosforilada, que causam a morte de neurônios ao longo do tempo, gerando atrofia cerebral progressiva. Como a doença evolui de forma lenta e muitas vezes silenciosa nos primeiros anos, reconhecer os sinais precoces e buscar avaliação especializada é um dos fatores mais determinantes para o acompanhamento adequado.
- Segundo o Ministério da Saúde, a doença de Alzheimer é a causa mais frequente de demência, representando de 60% a 70% dos casos no mundo. No Brasil, estima-se que quase 60% dos casos de demência poderiam ser prevenidos com o controle de 14 fatores de risco modificáveis, o que reforça a importância de hábitos de vida saudáveis ao longo de toda a vida.
- De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2021, 57 milhões de pessoas viviam com demência em todo o mundo, com quase 10 milhões de novos casos surgindo a cada ano, sendo o Alzheimer a causa mais comum, contribuindo para 60% a 70% dos casos.
- Pesquisas conduzidas por cientistas brasileiros, incluindo o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, estudos recentes confirmam a proteína p-tau217 como o biomarcador mais promissor para identificar a doença por meio de exame de sangue, uma possibilidade que pode ampliar o acesso ao diagnóstico precoce nos próximos anos.
Quais são os sintomas do Alzheimer?
Os sintomas do Alzheimer costumam surgir de forma gradual, começando com esquecimentos pontuais, como troca de nomes, repetição da mesma pergunta ou história, e dificuldade para lembrar de acontecimentos recentes. Nas fases iniciais, esses sinais podem ser sutis o suficiente para passarem despercebidos, tanto pela própria pessoa quanto pelos familiares.
Com a progressão da doença, os sintomas se tornam mais evidentes, incluindo dificuldade de raciocínio, desorientação em relação a tempo e espaço, alterações de comportamento e humor, dificuldade para realizar tarefas cotidianas antes simples, e confusão mental. Em estágios mais avançados, a perda de autonomia costuma ser significativa, exigindo apoio constante de cuidadores.
Como a perda de memória recente é frequentemente o primeiro sinal de alerta, é importante que familiares e cuidadores fiquem atentos a mudanças persistentes no comportamento e na cognição de pessoas idosas, buscando avaliação médica assim que esses sinais se tornarem recorrentes, e não apenas ocasionais.
O que causa o Alzheimer e quem tem mais risco?
O acúmulo de proteínas beta-amiloide e tau fosforilada no cérebro ainda não tem causas totalmente definidas, mas acredita-se na existência de um componente genético, principalmente para os casos em que a doença ocorre em sua forma precoce, antes dos 60 anos de idade. A maioria dos casos, no entanto, ocorre de forma esporádica, associada a fatores de risco adquiridos ao longo da vida, e não a uma herança genética direta.
Entre os principais fatores de risco para o Alzheimer estão a idade avançada, baixo desenvolvimento cognitivo ao longo da vida, hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto e sedentarismo. Fatores como baixa escolaridade, perda auditiva não tratada, isolamento social e tabagismo também estão entre os elementos modificáveis que podem influenciar o risco de desenvolver algum tipo de demência.
Embora a doença tenha um componente genético, existem mutações específicas, como alterações nos genes APP, PSEN1 e PSEN2, que elevam consideravelmente a chance de desenvolvimento da forma precoce do Alzheimer. Nesses casos, o histórico familiar tem maior peso na avaliação de risco, o que reforça a importância de relatar esse contexto ao médico durante a investigação diagnóstica.
Como é feito o diagnóstico do Alzheimer?
O diagnóstico do Alzheimer começa pela avaliação clínica detalhada realizada por um neurologista ou geriatra, que investiga o histórico de sintomas, o impacto na rotina do paciente e realiza testes cognitivos específicos para avaliar memória, linguagem e funções executivas.
Exames de neuroimagem têm papel importante na investigação, permitindo avaliar alterações estruturais e bioquímicas do cérebro. A ressonância magnética de crânio com espectroscopia e perfusão, por exemplo, é indicada especificamente para diagnosticar e avaliar condições que alteram a bioquímica cerebral, como o Alzheimer, além de outras doenças neurodegenerativas.
Exames de sangue voltados ao monitoramento de doenças neurodegenerativas também vêm ganhando espaço na prática clínica, como a dosagem de neurofilamento de cadeias leves, que auxilia no acompanhamento da progressão de condições como o Alzheimer. A confirmação diagnóstica definitiva, em alguns casos, ainda depende de exames mais específicos, como a análise do líquido cefalorraquidiano, sempre avaliados em conjunto com o quadro clínico apresentado pelo paciente.
Existe tratamento para o Alzheimer?
O Alzheimer ainda não tem cura, mas o diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento para amenizar os sintomas da doença e elevar a qualidade de vida do paciente. A abordagem terapêutica costuma combinar acompanhamento medicamentoso, estímulo cognitivo, fisioterapia, fonoaudiologia e suporte multiprofissional, sempre definida de forma individualizada pelo médico responsável.
Avanços recentes têm ampliado as possibilidades terapêuticas disponíveis para a fase inicial da doença. Na Rede D’Or, está disponível um tratamento inovador voltado ao estágio inicial do Alzheimer, baseado em um anticorpo monoclonal capaz de atuar na redução das placas de beta-amiloide no cérebro, com o objetivo de retardar a progressão dos sintomas cognitivos e funcionais. A indicação e o acompanhamento desse tipo de terapia devem ser sempre avaliados individualmente pelo médico especialista, considerando o estágio da doença e as características de cada paciente.
O acompanhamento com o geriatra também é fundamental ao longo de todo o tratamento, já que o cuidado integral da pessoa idosa com Alzheimer envolve não apenas o manejo dos sintomas cognitivos, mas também a atenção a outras condições de saúde comuns nessa fase da vida, o bem-estar emocional e o suporte à família e aos cuidadores.
Diante de sintomas de Alzheimer, quando procurar um médico?
A orientação é buscar avaliação com neurologista ou geriatra diante de esquecimentos frequentes que interferem na rotina, dificuldade para realizar tarefas antes familiares, desorientação recorrente ou mudanças perceptíveis de comportamento e humor em uma pessoa idosa, especialmente quando esses sinais são percebidos também por familiares próximos.
Não é preciso esperar que os sintomas se tornem incapacitantes para buscar ajuda. Diante da suspeita de Alzheimer, quanto mais cedo a avaliação médica acontece, maiores são as chances de iniciar o tratamento a tempo de preservar a qualidade de vida e a autonomia do paciente pelo maior tempo possível.
Cuidar da saúde cerebral ao longo da vida, controlando fatores de risco modificáveis como pressão alta, diabetes, sedentarismo e isolamento social, é hoje uma das estratégias mais importantes para reduzir o impacto do Alzheimer e de outras formas de demência na população.