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Fibromialgia: saiba mais sobre a doença que afeta milhões de brasileiros

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, em torno de 6 milhões de brasileiros convivem com a fibromialgia, número que representa cerca de 3% da população do país
Por: Rede D'Or
Imagem mostra uma mulher á beira da janela, com a mão na cabeça, com um semblante preocupado e pensativo.
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A fibromialgia vai além da dor. É uma síndrome com manifestações amplas e variadas, que diferem de pessoa para pessoa. Mas mesmo frequente e atingindo tantos brasileiros, a doença ainda enfrenta muitas dúvidas e estigmas.

  • Apesar de afetar muito a qualidade de vida, a fibromialgia não causa deformidades nem lesões estruturais, não compromete órgãos internos nem causa sequelas físicas.
  • Estudo publicado no Brazilian Journal of Pain mostra um perfil populacional da fibromialgia: são 5,5 mulheres para cada homem diagnosticado com a doença, especialmente na faixa dos 35 aos 60 anos.
  • A fibromialgia é uma doença crônica reconhecida pelo INSS e pode gerar direito a benefícios previdenciários, dependendo da gravidade do quadro e do impacto que a doença causa na capacidade de trabalho do paciente.
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O que é Fibromialgia?

A fibromialgia é uma doença crônica caracterizada por dor muscular e articular generalizada, acompanhada de fadiga intensa e alterações no sono. Diferente de doenças inflamatórias como a artrite, a fibromialgia não causa danos visíveis aos tecidos ou articulações. O problema está na forma como o sistema nervoso central processa os sinais de dor, tornando-os amplificados e persistentes. Por isso, é classificada como uma síndrome de sensibilização central: o cérebro e a medula espinhal interpretam estímulos comuns como dolorosos, mesmo na ausência de uma lesão real.

Reconhecida oficialmente pela Organização Mundial da Saúde desde 1992, a fibromialgia afeta predominantemente mulheres entre 30 e 55 anos, embora homens, crianças e idosos também possam desenvolvê-la. Estima-se que entre 2% e 4% da população mundial conviva com a condição, que impacta diretamente a qualidade de vida, a capacidade de trabalho e o bem-estar emocional dos pacientes.

Quais os sintomas da Fibromialgia?

Os sintomas costumam oscilar ao longo do tempo — há períodos de melhora e períodos de piora, chamadas de crises ou flares, que podem ser desencadeados por estresse, mudanças climáticas, esforço físico excessivo ou privação de sono.

Os sintomas predominantes são:

  • Dor generalizada e persistente em músculos, tendões e articulações;
  • Fadiga crônica, mesmo após noites de sono aparentemente adequadas;
  • Distúrbios do sono: dificuldade para adormecer, sono não reparador ou insônia;
  • Névoa mental: dificuldade de concentração, lapsos de memória e raciocínio lentificado;
  • Rigidez muscular, especialmente pela manhã;
  • Dores de cabeça frequentes ou enxaquecas;
  • Síndrome do intestino irritável: dores abdominais, constipação ou diarreia;
  • Formigamento ou dormência em mãos e pés;
  • Sensibilidade aumentada a ruídos, luz, temperatura e cheiros;
  • Alterações de humor: ansiedade e depressão são frequentemente associadas à doença.

Qual a especialidade médica que trata a Fibromialgia?

O paciente com suspeita de fibromialgia deve procurar, em primeiro lugar, um reumatologista, especialista em doenças que afetam músculos, articulações e tecidos moles. Ele será o principal responsável pelo diagnóstico e tratamento da doença.

O clínico geral ou médico de família também pode iniciar a investigação e encaminhar ao especialista adequado. Por se tratar de uma síndrome complexa, o tratamento mais eficaz costuma envolver uma equipe multidisciplinar:

  • Neurologista: quando há sintomas neurológicos proeminentes, como formigamentos e cefaleia
  • Psiquiatra ou psicólogo: para o manejo de ansiedade, depressão e alterações emocionais associadas
  • Fisioterapeuta: para alívio da dor e reabilitação funcional
  • Nutricionista: para suporte alimentar e controle de inflamação
  • Educador físico: para elaboração de um programa de exercícios adaptado

A integração entre esses profissionais é o que garante um tratamento mais completo e eficaz para o paciente.

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Como é feito o diagnóstico da Fibromialgia?

O diagnóstico da fibromialgia é essencialmente clínico, baseia-se na avaliação médica detalhada dos sintomas e no histórico do paciente e não em exames laboratoriais ou de imagem, que geralmente não mostram alterações na fibromialgia.

Os critérios mais utilizados atualmente para a avaliação clínica para fibromialgia são:

  • Índice de dor generalizada (WPI): o médico verifica em quais regiões do corpo o paciente sentiu dor na última semana, de uma lista de 19 áreas.
  • Escala de Gravidade dos Sintomas (SSS): avalia-se a intensidade da fadiga, do sono não reparador e dos problemas cognitivos, além de outros sintomas somáticos.

Para o diagnóstico ser confirmado, os sintomas devem estar presentes há pelo menos três meses e não devem ser explicados por outra doença. Parte essencial do processo diagnóstico é justamente descartar outras condições que podem causar dor generalizada, como hipotireoidismo, artrite reumatoide, lúpus e polimialgia reumática.

Quais exames detectam a Fibromialgia?

Não existe um exame específico que detecte a fibromialgia. Os exames laboratoriais e de imagem têm como objetivo excluir outras doenças que poderiam explicar os sintomas, como doenças autoimunes, alterações hormonais ou problemas estruturais. Os mais comuns incluem:

  • Hemograma completo: para identificar infecções ou anemias
  • Velocidade de hemossedimentação (VHS) e proteína C-reativa (PCR): marcadores de inflamação, geralmente normais na fibromialgia
  • FAN (Fator Antinuclear): para descartar lúpus e outras doenças autoimunes
  • Fator reumatoide: para excluir artrite reumatoide
  • TSH, T3 e T4: função da tireoide
  • Vitamina D e vitamina B12: deficiências que podem causar dor e fadiga
  • Creatinoquinase (CK): para avaliar lesão muscular

Na fibromialgia, todos esses exames costumam apresentar resultados normais — mas são exatamente esses resultados que ajudam na confirmação do diagnóstico, ao afastar outras hipóteses.

Como é a dor da Fibromialgia?

A dor da fibromialgia é particular e diferente de outros tipos de dor. Ela é descrita pelos pacientes de formas diversas: uma queimação constante, uma sensação de peso nos músculos, uma dor profunda semelhante à de quem acabou de fazer um exercício intenso, ou ainda como se o corpo inteiro estivesse “machucado” sem motivo aparente.

Essa dor é difusa e migratória, pode começar nas costas, migrar para os ombros, depois para as pernas, sem um padrão fixo. Ela tende a ser bilateral, ou seja, afeta os dois lados do corpo de forma simétrica, e está presente tanto na parte superior quanto na inferior do tronco. Outro aspecto marcante é a alodinia: a pessoa sente dor a partir de estímulos que normalmente não deveriam causar desconforto, como um toque leve na pele ou a pressão de uma roupa.

A intensidade da dor varia ao longo do dia e é fortemente influenciada por fatores externos. Frio, umidade, estresse emocional, esforço físico e noites mal dormidas costumam agravar o quadro. Já o calor, o relaxamento e uma boa noite de sono tendem a proporcionar algum alívio. Compreender esse padrão é fundamental tanto para o diagnóstico quanto para o manejo da doença no dia a dia.

Qual o tratamento para a Fibromialgia?

O tratamento da fibromialgia é multidisciplinar e individualizado — não existe uma solução única, e a combinação de diferentes abordagens é o que traz os melhores resultados. O objetivo não é necessariamente eliminar a dor por completo, mas reduzir sua intensidade, melhorar a qualidade do sono, a disposição e a qualidade de vida do paciente.

Exercício físico é considerado o tratamento não farmacológico mais eficaz. Atividades aeróbicas de baixo impacto — como caminhada, hidroginástica, natação e ciclismo — realizadas de forma regular e progressiva, ajudam a reduzir a sensibilidade à dor e melhorar o humor e o sono. A musculação leve e práticas como yoga e pilates também têm demonstrado benefícios.

Psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental (TCC), auxilia o paciente a lidar com a dor crônica, modificar padrões de pensamento negativos e desenvolver estratégias de enfrentamento mais saudáveis. O suporte psicológico é fundamental, dado que ansiedade e depressão frequentemente acompanham a síndrome.

Fisioterapia contribui com técnicas de alívio da dor, como TENS (estimulação elétrica), calor local, massoterapia e exercícios de alongamento e mobilidade.

Em relação aos medicamentos, anti-inflamatórios tradicionais e opioides fortes geralmente não são eficazes para fibromialgia e devem ser evitados. Os medicamentos mais usados são os antidepressivos (atuam nos neurotransmissores relacionados à dor e ao sono, anticonvulsivantes (reduzem a hiperexcitabilidade do sistema nervoso), relaxantes musculares (auxiliam no alívio da rigidez e na melhora do sono) e analgésicos (para alívio pontual da dor).

Todos esses profissionais e tratamentos podem ser encontrados reunidos na Clínica da Dor, uma especialidade médica voltada para dores agudas e crônicas. O objetivo é identificar a origem da dor, definir a melhor abordagem terapêutica e garantir o acompanhamento e integração dos tratamentos.

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O que causa a Fibromialgia?

A ciência ainda não sabe a causa exata da fibromialgia, mas o mecanismo central envolve uma disfunção no processamento da dor pelo sistema nervoso central.

Nos pacientes com fibromialgia, o cérebro e a medula espinhal amplificam os sinais de dor de forma desproporcional — como se o “volume” da dor estivesse permanentemente elevado, mesmo sem uma lesão tecidual que o justifique. Estudos de neuroimagem mostram que o cérebro de pessoas com fibromialgia apresenta alterações nas áreas responsáveis pelo processamento e pela modulação da dor, além de desequilíbrios nos neurotransmissores envolvidos nesse processo, como serotonina, dopamina e substância P.

Acredita-se que a fibromialgia se desenvolve a partir da combinação de fatores genéticos, biológicos e ambientais, frequentemente desencadeada ou agravada por eventos específicos, como infecções graves, traumas físicos, cirurgias ou períodos intensos de estresse emocional.

Quais os fatores de risco para Fibromialgia?

Embora qualquer pessoa possa desenvolver fibromialgia, alguns fatores aumentam a predisposição. Um dos principais fatores é o paciente ser do sexo feminino: mulheres são diagnosticadas com fibromialgia de 7 a 9 vezes mais do que homens. Além disso, pacientes com doenças reumáticas, como artrite reumatoide, lúpus ou espondilite anquilosante têm maior probabilidade de desenvolver fibromialgia. Outros fatores são ansiedade e depressão, traumas físicos e emocionais, como acidentes, cirurgias, abuso ou situações de estresse intenso podem desencadear o início dos sintomas. A privação crônica de sono pode tanto anteceder quanto agravar a fibromialgia, e o sedentarismo pode aumentar a sensibilidade à dor.

A Fibromialgia tem cura?

Atualmente, a fibromialgia não tem cura definitiva. Por ser uma condição crônica relacionada à forma como o sistema nervoso central processa a dor, não existe tratamento capaz de eliminar completamente a síndrome. No entanto, isso não significa que o paciente está condenado a sofrer indefinidamente.

Com tratamento adequado e mudanças no estilo de vida, muitos pacientes alcançam uma melhora significativa dos sintomas e conseguem retomar suas atividades cotidianas com qualidade de vida satisfatória. Alguns chegam a períodos prolongados de remissão, com dor mínima ou ausente. O prognóstico está diretamente ligado ao engajamento do paciente no tratamento, à qualidade do suporte emocional que recebe e à adoção de hábitos saudáveis — especialmente a prática regular de exercícios e a higiene do sono.

Por isso, a importância de manter acompanhamento com um reumatologista e o time médico interdisciplinar.