Você está em Oncologia D`Or
Você está em Oncologia D`Or

A terapia hormonal para câncer pode afetar os ossos?

Saiba como a hormonioterapia pode afetar a densidade óssea e quais medidas ajudam na prevenção de complicações como fraturas.

Determinados tipos de terapia hormonal utilizados no tratamento do câncer podem favorecer a perda de massa óssea. Esse efeito ocorre porque muitos desses tratamentos reduzem os níveis de hormônios sexuais ou bloqueiam sua ação no organismo. Embora isso seja fundamental para controlar alguns tumores, como os cânceres de mama e de próstata, essa redução hormonal também pode comprometer a saúde dos ossos.

Em pacientes com câncer de mama, por exemplo, medicamentos que diminuem a produção de estrogênio podem acelerar a perda de densidade mineral óssea, principalmente em mulheres na pós-menopausa. Já no câncer de próstata, a terapia de privação androgênica, que reduz os níveis de testosterona, está associada ao aumento do risco de osteopenia, osteoporose e fraturas.

Isso não significa que todos os pacientes desenvolverão problemas ósseos, mas esse risco pode aumentar dependendo de fatores como idade, menopausa, tempo de tratamento, histórico familiar de osteoporose, baixo peso corporal, sedentarismo, tabagismo, deficiência de vitamina D e outras condições de saúde.

Como os hormônios influenciam a saúde óssea?

Os ossos são tecidos vivos que passam por um processo contínuo de renovação ao longo da vida. Esse mecanismo ocorre por meio do equilíbrio entre a formação de novo tecido ósseo, realizada pelos osteoblastos, e a reabsorção do osso antigo, realizada pelos osteoclastos. Diversos fatores participam dessa dinâmica, incluindo alimentação, atividade física, idade e, principalmente, os hormônios.

Entre os hormônios mais importantes para a manutenção da saúde óssea estão o estrogênio e a testosterona. Eles ajudam a preservar a densidade e a resistência dos ossos ao reduzir a reabsorção óssea e favorecer o equilíbrio da remodelação do tecido ósseo.

Quando ocorre diminuição desses hormônios, a perda óssea pode acontecer mais rapidamente do que a formação de novo tecido. Com o passar do tempo, os ossos tornam-se mais frágeis e suscetíveis ao desenvolvimento de osteopenia, osteoporose e fraturas.

Anastrozol causa osteoporose?

O anastrozol pode aumentar o risco de perda de massa óssea e favorecer o desenvolvimento de osteopenia e osteoporose. Esse é um dos efeitos adversos mais conhecidos do medicamento e ocorre porque ele reduz de forma significativa os níveis de estrogênio no organismo.

O anastrozol pertence ao grupo dos inibidores da aromatase e é amplamente utilizado no tratamento do câncer de mama hormônio-receptor positivo, principalmente em mulheres na pós-menopausa. Seu mecanismo de ação consiste em bloquear a enzima aromatase, responsável pela conversão de outros hormônios em estrogênio.

Como muitos tumores de mama utilizam o estrogênio para crescer, reduzir sua produção é uma estratégia eficaz para diminuir o risco de recorrência e progressão da doença. No entanto, como o estrogênio exerce papel fundamental na manutenção da massa óssea, sua redução também pode acelerar a perda de densidade mineral dos ossos.

Por esse motivo, pacientes em uso de anastrozol costumam realizar acompanhamento periódico da saúde óssea durante o tratamento.

Tamoxifeno afeta os ossos?

O tamoxifeno também é utilizado no tratamento do câncer de mama hormônio-receptor positivo, mas seu efeito sobre os ossos é diferente daquele observado com os inibidores da aromatase.

Esse medicamento bloqueia a ação do estrogênio nas células tumorais, mas pode exercer efeito semelhante ao desse hormônio em outros tecidos, incluindo o tecido ósseo.

Em mulheres na pós-menopausa, o tamoxifeno costuma apresentar efeito protetor sobre a massa óssea, contribuindo para reduzir a velocidade da perda de densidade mineral.

Já em mulheres na pré-menopausa, esse efeito pode ser diferente. Dependendo do contexto clínico, principalmente quando associado ao bloqueio hormonal da função ovariana ou à menopausa induzida pelo tratamento, pode ocorrer redução da densidade óssea.

Confira: Medicamentos para câncer: descubra os principais e como atuam

A saúde óssea no câncer de mama

A saúde óssea merece atenção especial durante o tratamento do câncer de mama. Tanto a própria doença quanto algumas terapias utilizadas podem comprometer a densidade mineral e a resistência dos ossos.

Esse impacto varia conforme fatores como idade, estado menopausal, tipo de tratamento, tempo de exposição às terapias hormonais e condições clínicas pré-existentes. Por isso, o acompanhamento da saúde óssea faz parte do cuidado integral de muitas pacientes ao longo da jornada oncológica.

Grande parte dos casos de câncer de mama é hormônio-receptor positivo, ou seja, o crescimento do tumor depende da ação do estrogênio. Para controlar a doença, muitos tratamentos têm como objetivo reduzir os níveis desse hormônio ou bloquear sua ação.

Entre as terapias mais associadas à perda de massa óssea estão:

  • Inibidores da aromatase, como anastrozol, letrozol e exemestano;
  • Bloqueio da função ovariana;
  • Quimioterapia, principalmente quando induz menopausa precoce;
  • Uso prolongado de corticosteroides.

A saúde óssea no câncer de próstata

A saúde óssea também merece atenção especial durante o tratamento do câncer de próstata, principalmente em pacientes submetidos à terapia de privação androgênica.

Esse tratamento tem como principal objetivo reduzir a produção ou bloquear a ação da testosterona, hormônio que estimula o crescimento de muitos tumores prostáticos.

Embora seja uma estratégia extremamente eficaz para controlar a doença, a redução prolongada dos níveis de testosterona acelera a perda de densidade mineral óssea. Além disso, pode favorecer a diminuir a massa muscular, aumentando o risco de quedas e fraturas.

Por esse motivo, preservar a saúde óssea faz parte do tratamento oncológico. O acompanhamento adequado contribui para manter a mobilidade, a independência e a qualidade de vida ao longo do tratamento.

Como prevenir a osteoporose no câncer?

Embora alguns tratamentos oncológicos possam aumentar a fragilidade óssea, diversas medidas ajudam a preservar a saúde dos ossos e reduzir o risco de osteopenia, osteoporose e fraturas.

Entre elas estão:

  • Praticar atividade física regularmente, principalmente exercícios com impacto e fortalecimento muscular, quando liberados pela equipe médica;
  • Manter alimentação rica em cálcio;
  • Garantir níveis adequados de vitamina D;
  • Evitar o tabagismo;
  • Limitar o consumo de bebidas alcoólicas;
  • Realizar acompanhamento periódico da saúde óssea.

Quando necessário, cálcio e a vitamina D podem ser utilizados na forma de suplementos, sempre com orientação médica.

Em pacientes com osteopenia, osteoporose ou alto risco de fraturas, também podem ser indicados medicamentos específicos para proteção óssea.

Entre os principais estão:

  • Bisfosfonatos, como ácido zoledrônico;
  • Denosumabe.

Leia também: Osteoporose pode virar câncer? Entenda a relação entre as doenças

Sinais e sintomas de enfraquecimento ósseo

A perda de massa óssea costuma ocorrer de forma silenciosa, principalmente nas fases iniciais. Muitas pessoas descobrem que apresentam osteopenia ou osteoporose apenas após realizar exames de rotina ou sofrer uma fratura por trauma de baixa energia.

Por isso, pacientes em hormonioterapia devem estar atentos a sinais que podem sugerir enfraquecimento dos ossos, como:

  • Dor óssea, principalmente na coluna, quadril e punhos;
  • Fraturas após quedas leves ou pequenos impactos;
  • Redução gradual da estatura;
  • Aumento da curvatura da coluna;
  • Fraqueza muscular;
  • Dificuldade para caminhar ou realizar atividades do dia a dia.

Vale lembrar que a osteoporose, isoladamente, normalmente não causa dor. Na maioria das vezes, a dor surge quando ocorrem fraturas vertebrais ou em outros ossos.

O enfraquecimento ósseo costuma acontecer de forma silenciosa, principalmente nas fases iniciais. Muitas pessoas só descobrem que apresentam perda de massa óssea após realizar exames de rotina ou sofrer uma fratura.

Por isso, pacientes em hormonioterapia para o câncer devem estar atentos aos sinais e sintomas que podem indicar osteopenia ou osteoporose:

  • Dor óssea, sobretudo na coluna, quadril e pernas;
  • Fraturas após quedas leves ou traumas mínimos;
  • Diminuição gradual da altura ao longo do tempo;
  • Aumento da curvatura das costas;
  • Fraqueza muscular;
  • Dificuldade de mobilidade.

Como é feito o acompanhamento da saúde óssea?

O acompanhamento da saúde óssea é parte importante do tratamento de muitos pacientes com câncer, especialmente daqueles que utilizam terapias hormonais associadas à perda de massa óssea.

Esse monitoramento permite identificar precocemente alterações da densidade mineral óssea e iniciar medidas preventivas antes do surgimento de fraturas.

A densitometria óssea (DXA) é o principal exame utilizado para essa avaliação. Simples, rápida e indolor, ela mede a densidade mineral dos ossos, principalmente na coluna lombar e no quadril, regiões mais frequentemente afetadas pela osteoporose.

Além da densitometria, podem ser solicitados exames laboratoriais para avaliar fatores relacionados ao metabolismo ósseo, como vitamina D, cálcio, fósforo, função renal e, em alguns casos, paratormônio (PTH).

Com acompanhamento adequado e abordagem multidisciplinar, é possível preservar a saúde óssea, reduzir o risco de fraturas e tornar o tratamento oncológico mais seguro e completo.

Se precisar, pode contar com a Oncologia D’Or!

A Oncologia D’Or transforma o cuidado com o câncer por meio de uma rede integrada de clínicas e centros de tratamento em diversos estados do país.

Com um corpo clínico especializado e equipes multidisciplinares, proporcionamos uma jornada de atendimento que une tecnologia avançada, diagnóstico ágil e tratamentos personalizados.

Como parte da Rede D’Or, a maior rede de saúde da América Latina, garantimos acesso às estruturas hospitalares mais modernas e aos avanços científicos que fazem a diferença na vida dos pacientes.

Nosso compromisso é oferecer excelência, conforto e segurança em todas as etapas do tratamento oncológico, promovendo saúde e qualidade de vida.

Revisão médica:

Dra. Fernanda Frozoni Antonacio

Oncologista Clínica

Compartilhe este artigo