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Arrancar a pele da boca pode causar câncer?

Morder ou arrancar a pele da boca, principalmente a parte interna das bochechas e dos lábios, é um comportamento mais comum do que se imagina. Muitas pessoas apresentam esse hábito de forma automática ou inconsciente, geralmente como uma maneira de lidar com situações de estresse, ansiedade, nervosismo, tensão emocional ou até tédio.

O nome clínico desse comportamento é morsicatio buccarum, termo utilizado para descrever a mordida ou mordiscada repetitiva e habitual da mucosa bucal. Esse hábito costuma provocar uma aparência esbranquiçada, áspera e irregular na região afetada, resultado do trauma mecânico contínuo.

Embora à primeira vista parecepare algo inofensivo, a agressão repetida à mucosa da boca pode provocar pequenas lesões, irritações persistentes e, em alguns casos, infecções locais. Diante disso, surge uma dúvida bastante comum: morder e arrancar a pele da boca pode levar ao desenvolvimento de câncer? Ao longo deste texto, vamos entender melhor esse comportamento, suas possíveis consequências e em quais situações é importante procurar ajuda profissional.

Quais são as consequências deste hábito?

Apesar de muitas pessoas considerarem normal morder ou arrancar a pele da boca, esse comportamento repetitivo pode trazer diversas consequências para a saúde bucal.

A fricção constante dos dentes contra a mucosa oral pode levar à formação de lesões que variam desde descamações leves até feridas mais profundas e dolorosas. Entre os principais efeitos desse hábito, destacam-se:

  • Irritação e inflamação da região afetada, que pode apresentar vermelhidão, sensibilidade, inchaço e desconforto ao falar ou se alimentar;
  • Pequenas úlceras dolorosas, que tendem a cicatrizar lentamente;
  • Hiperqueratose, caracterizada pelo espessamento do tecido, geralmente com aspecto esbranquiçado;
  • Maior risco de infecções locais, especialmente quando há feridas abertas;
  • Alterações na anatomia da mucosa e, em casos mais avançados, impacto na mastigação.

Além das consequências físicas, esse comportamento merece atenção por estar frequentemente associado a fatores emocionais e psicológicos, como estresse crônico, ansiedade generalizada, transtornos de ansiedade e, em alguns casos, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

Existe alguma relação com câncer bucal?

De forma isolada, o hábito de arrancar ou morder a pele da boca não é considerado uma causa direta de câncer de boca. No entanto, alguns pontos importantes precisam ser esclarecidos.

O trauma contínuo da mucosa oral, como ocorre na morsicatio buccarum, pode provocar processos inflamatórios crônicos. A inflamação persistente leva a uma renovação celular constante e desorganizada na região lesionada, o que, teoricamente, pode favorecer alterações celulares ao longo do tempo. Isso não significa que toda pessoa com esse hábito desenvolverá câncer, mas sim que lesões que não cicatrizam ou permanecem por longos períodos devem ser avaliadas por um profissional de saúde.

Além disso, o câncer de boca está fortemente associado a outros fatores de risco bem estabelecidos, como:

Portanto, quando o hábito de morder a boca é leve e esporádico, geralmente não representa um risco elevado. No entanto, lesões frequentes, profundas ou persistentes exigem atenção, pois podem aumentar o risco de complicações e dificultar a identificação precoce de doenças mais graves.

Como parar com o hábito?

Interromper o hábito de morder e arrancar a pele da boca pode ser desafiador, especialmente quando ele está relacionado a fatores emocionais. Ainda assim, com apoio adequado, é possível reduzir ou até eliminar esse comportamento.

O primeiro passo costuma ser identificar em quais situações o hábito ocorre com mais frequência. Muitas pessoas mordem a boca sem perceber durante momentos de ansiedade, estresse, concentração intensa, tédio ou até enquanto assistem televisão. Reconhecer esses padrões ajuda a aumentar a consciência e facilita a mudança de comportamento.

Como a morsicatio buccarum está frequentemente ligada ao estado emocional, cuidar da saúde mental é fundamental. Estratégias como meditação, técnicas de respiração, prática regular de exercícios físicos e atividades relaxantes podem ajudar a reduzir a tensão e a necessidade de comportamentos repetitivos.

Em casos mais persistentes, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) pode ser uma importante aliada, pois auxilia o paciente a identificar gatilhos emocionais, modificar padrões de pensamento e desenvolver estratégias mais saudáveis para lidar com o impulso.

Algumas pessoas também se beneficiam do uso de alternativas que desviam a atenção da boca, como chicletes sem açúcar, mordedores de silicone específicos para adultos ou até aumentar a ingestão de água ao longo do dia.

É importante lembrar que parar de morder a boca não acontece de forma imediata. Buscar ajuda de profissionais como dentistas, psicólogos ou psiquiatras é essencial, especialmente quando o hábito causa prejuízos à saúde ou à qualidade de vida.

Quando se preocupar?

Alguns sinais merecem atenção especial, pois o câncer bucal pode se manifestar inicialmente de forma discreta, com sintomas semelhantes aos de lesões traumáticas comuns, como as causadas pela morsicatio buccarum.
É recomendado procurar avaliação médica ou odontológica ao perceber:

  • Feridas na boca que não cicatrizam após 15 dias;
  • Dor persistente na cavidade oral;
  • Presença de caroços, nódulos ou áreas endurecidas;
  • Manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na boca;
  • Sensação constante de algo preso na garganta;
  • Dificuldade para movimentar a língua, falar ou engolir;
  • Limitação na abertura ou movimentação da mandíbula;
  • Sensação de dormência ou formigamento na boca;
  • Mobilidade ou enfraquecimento dos dentes sem causa aparente;
  • Alterações na voz ou rouquidão persistente;
  • Sangramentos espontâneos;
  • Perda de peso não intencional.

Esses sinais não indicam necessariamente câncer, mas precisam ser investigados, especialmente se forem persistentes. O diagnóstico precoce é fundamental, pois aumenta significativamente as chances de sucesso no tratamento e de preservação da qualidade de vida.

Leia também – Câncer de língua: como identificar, tratar e prevenir

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A Oncologia D’Or transforma o cuidado com o câncer por meio de uma rede integrada de clínicas e centros de tratamento presentes em diversos estados do país. Com um corpo clínico especializado e equipes multidisciplinares dedicadas, proporcionamos uma jornada de atendimento que une tecnologia avançada, diagnóstico ágil e tratamentos personalizados.

Como parte da Rede D’Or, a maior rede de saúde da América Latina, garantimos acesso às estruturas hospitalares mais modernas e aos avanços científicos que fazem a diferença na vida dos pacientes.

Nosso compromisso é oferecer excelência, conforto e segurança em todas as etapas do tratamento oncológico, promovendo saúde e qualidade de vida.

Revisor científico
Dra. Fernanda Frozoni Antonacio
Oncologista Clínica
Rede D’or – Hospital Vila Nova Star e Hospital São Luiz Itaim

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