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Câncer do sistema nervoso central: o que é, sintomas e tratamentos

O câncer do sistema nervoso central (SNC) é uma condição caracterizada pelo crescimento descontrolado de células anormais no cérebro ou na medula espinhal, resultando na formação de tumores malignos. Essas estruturas são responsáveis por controlar funções essenciais do organismo, como movimento, sensibilidade, linguagem, respiração e até o batimento do coração. Por isso, alterações em seu funcionamento podem ter impactos significativos na saúde.

As neoplasias malignas do sistema nervoso central representam cerca de 1,4 a 1,8% de todos os cânceres no mundo, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Embora não estejam entre os tipos mais frequentes, os tumores do SNC são considerados graves, principalmente em razão da sua localização. Eles podem comprometer funções vitais, provocar sintomas neurológicos importantes e interferir de forma relevante na qualidade de vida do paciente. Dessa forma, o diagnóstico precoce e o tratamento especializado são fundamentais.

Tipos de câncer do sistema nervoso central

Os cânceres do SNC podem se originar diretamente no cérebro ou na medula espinhal, ou ainda resultar da disseminação de tumores malignos provenientes de outras partes do corpo, fenômeno conhecido como metástase. Assim, eles são classificados em dois grandes grupos: tumores primários e tumores metastáticos.

1. Primários

Os tumores malignos primários do SNC têm origem nas próprias estruturas do sistema nervoso central, como o tecido cerebral, a medula espinhal ou as membranas que os revestem (meninges). Podem acometer tanto adultos quanto crianças, e a gravidade varia de acordo com o tipo do tumor, sua localização e a velocidade de crescimento.
Entre os principais tipos de câncer primário do SNC estão:

  • Glioblastoma, o tipo mais comum e agressivo, que se desenvolve a partir das células da glia, responsáveis por sustentar e proteger os neurônios;
  • Astrocitoma anaplásico, outra forma de glioma maligno, com crescimento acelerado e difícil controle;
  • Meduloblastoma, tumor maligno mais frequente na infância, geralmente localizado no cerebelo, região relacionada à coordenação motora e ao equilíbrio;
  • Ependimoma maligno, que se origina nas células que revestem os ventrículos cerebrais ou o canal central da medula espinhal;
  • Linfoma primário do sistema nervoso central, tipo raro de câncer que surge a partir de células do sistema imunológico dentro do cérebro, sendo mais comum em pessoas com imunidade comprometida.

2. Metastáticos

Os tumores metastáticos do SNC são mais comuns do que os primários em adultos. Eles ocorrem quando células cancerígenas originadas em outros órgãos, como pulmão, mama, rim ou cólon, se disseminam para o sistema nervoso central por meio da corrente sanguínea ou do líquido cefalorraquidiano. Essas metástases podem acometer o cérebro, a medula espinhal ou as meninges e, muitas vezes, indicam progressão da doença de base. Embora não se originem no SNC, causam sintomas neurológicos relevantes e exigem tratamento especializado.

Sinais e sintomas mais comuns

As manifestações do câncer do sistema nervoso central variam conforme o tamanho do tumor, sua localização exata no cérebro ou na medula espinhal e a velocidade de crescimento. Em geral, os sintomas surgem de forma progressiva e tendem a se intensificar ao longo do tempo. Entre os sinais mais frequentes, destacam-se:

  • Dor de cabeça persistente, especialmente quando é recente, progressiva, localizada e associada ou não a náuseas e vômitos;
  • Epilepsia ou crises convulsivas sem diagnóstico prévio;
  • Perda de força, sensibilidade ou coordenação nos membros;
  • Alterações na audição e/ou na visão;
  • Dificuldades na fala ou na compreensão da linguagem;
  • Prejuízos na capacidade intelectual, como alterações no raciocínio, memória e atenção;
  • Mudanças de comportamento, como apatia, agitação ou agressividade.

Esses sinais não são exclusivos do câncer do SNC. No entanto, a persistência, a progressão ou a combinação de múltiplos sintomas neurológicos devem sempre ser avaliadas por um médico. O diagnóstico precoce pode ampliar as opções terapêuticas e contribuir para a preservação da qualidade de vida.

Causas e fatores associados

As causas exatas do câncer do sistema nervoso central ainda não são totalmente conhecidas. Sabe-se, porém, que o seu desenvolvimento está relacionado a alterações genéticas adquiridas ao longo da vida, que podem ocorrer de forma espontânea ou associadas a predisposição genética e exposições ambientais. Algumas condições hereditárias, como a neurofibromatose, estão associadas a maior risco.

A exposição prévia à radioterapia na região da cabeça ou da medula espinhal é um dos fatores de risco mais bem estabelecidos para tumores malignos do SNC. Além disso, a exposição a altos níveis de radiação ionizante, seja por acidentes ou em ambientes ocupacionais específicos, também pode estar relacionada ao aumento do risco.

Indivíduos com comprometimento do sistema imunológico, como pacientes transplantados, pessoas vivendo com HIV/Aids ou em uso prolongado de medicamentos imunossupressores, apresentam maior probabilidade de desenvolver certos tipos de tumores do sistema nervoso central, especialmente linfomas.

Diagnóstico

O diagnóstico do câncer do sistema nervoso central começa com uma avaliação clínica e neurológica detalhada, realizada pelo médico. Com base nessa análise inicial, podem ser solicitados exames de imagem, como tomografia computadorizada e, principalmente, ressonância magnética, que permitem identificar a presença do tumor, sua localização, extensão e possíveis efeitos sobre estruturas adjacentes. Em alguns casos, exames complementares e a biópsia são necessários para confirmar o diagnóstico e definir o tipo exato do tumor.

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Tratamento

O tratamento do câncer do SNC é sempre individualizado e leva em consideração o tipo do tumor, sua localização, grau de agressividade, idade do paciente e condições clínicas gerais. A abordagem costuma envolver a combinação de diferentes terapias, com o objetivo de controlar a doença, aliviar os sintomas e preservar ao máximo as funções neurológicas.

Sempre que viável, a cirurgia é o primeiro passo do tratamento. O objetivo é remover o tumor total ou parcialmente, reduzindo a pressão sobre o tecido nervoso e possibilitando a análise do material retirado para confirmação diagnóstica. Em determinadas situações, a localização do tumor impede a remoção completa, mas mesmo a retirada parcial pode trazer alívio dos sintomas e favorecer a eficácia de outras terapias.

Quando indicado, o tratamento pode incluir radioterapia e quimioterapia, utilizadas isoladamente ou em conjunto. Muitos pacientes também necessitam de terapias de reabilitação, como fisioterapia, fonoaudiologia e acompanhamento psicológico, para auxiliar na recuperação das funções motoras, cognitivas e emocionais. O suporte clínico e familiar é fundamental durante todo o processo.

Desde o diagnóstico até o período pós-tratamento, o acompanhamento por uma equipe multidisciplinar, que pode incluir neurocirurgião, oncologista clínico, radioterapeuta, fisioterapeuta e fonoaudiólogo, é essencial para garantir um plano terapêutico mais completo e uma melhor qualidade de vida.

Prognóstico e qualidade de vida

O prognóstico, que corresponde à estimativa da evolução da doença, varia conforme fatores como o tipo e o grau do tumor, sua localização, a possibilidade de remoção cirúrgica, a resposta ao tratamento e o estado geral de saúde do paciente.

Alguns tumores malignos do SNC, como os gliomas de alto grau, apresentam comportamento mais agressivo e exigem tratamentos intensivos. Outros, quando localizados e diagnosticados precocemente, podem ter um prognóstico mais favorável com o tratamento adequado.

A identificação do tumor em fases iniciais aumenta as chances de controle da doença e de preservação das funções neurológicas. Por isso, é fundamental procurar avaliação médica diante de sintomas persistentes, como dores de cabeça fora do padrão habitual, alterações motoras ou crises convulsivas.

Mesmo quando a cura não é possível, muitos casos de câncer do sistema nervoso central podem ser controlados por longos períodos. Nesses cenários, o tratamento tem como foco reduzir o crescimento tumoral, aliviar os sintomas e manter a melhor qualidade de vida possível. O acompanhamento regular permite ajustes terapêuticos conforme a evolução do quadro clínico.

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Revisor científico
Dra. Fernanda Frozoni Antonacio
Oncologista Clínica
Rede D’or – Hospital Vila Nova Star e Hospital São Luiz Itaim

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