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Angiogênese tumoral: o que é e como controlá-la?

A angiogênese é o processo natural pelo qual novos vasos sanguíneos se formam a partir de vasos já existentes. Esse mecanismo é essencial para o funcionamento adequado do organismo, pois garante que os tecidos recebam oxigênio e nutrientes por meio da circulação sanguínea.

Um dos exemplos mais conhecidos da importância da angiogênese ocorre durante a cicatrização de feridas. Quando há um corte ou lesão na pele, o corpo desencadeia uma série de reações para reparar o dano. Nesse contexto, a angiogênese permite que novos vasos sanguíneos se desenvolvam na área afetada, fornecendo os elementos necessários para a regeneração dos tecidos.

Esse processo também acontece em outras situações fisiológicas normais, como durante a formação da placenta na gravidez e no desenvolvimento fetal. No entanto, apesar de ser fundamental em condições saudáveis, a angiogênese pode se tornar prejudicial em determinadas doenças, especialmente no câncer.

O que é a angiogênese tumoral?

A angiogênese tumoral é o processo pelo qual os tumores estimulam a formação de novos vasos sanguíneos para garantir seu crescimento e sobrevivência. Assim como os tecidos normais, as células cancerígenas precisam de oxigênio e nutrientes para se multiplicar, mas, no câncer, esse mecanismo é explorado de maneira desregulada.

Inicialmente, um tumor pode crescer utilizando os vasos sanguíneos já existentes ao seu redor. Porém, à medida que aumenta de tamanho, ele atinge um limite em que esse suprimento deixa de ser suficiente. Para continuar crescendo, o tumor passa a induzir a formação de novos vasos, criando sua própria rede de irrigação sanguínea.

Esse estímulo ocorre por meio da liberação de substâncias químicas, como o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), que sinalizam ao organismo a necessidade de formar novos vasos naquela região. O problema é que os vasos criados nesse contexto costumam ser anormais: apresentam estrutura desorganizada, são mais frágeis e têm maior permeabilidade.

Essas características facilitam a entrada das células cancerígenas na corrente sanguínea, favorecendo a disseminação para outros órgãos, processo conhecido como metástase. Dessa forma, a angiogênese tumoral não apenas sustenta o crescimento do tumor, mas também contribui para sua maior agressividade.

Como a angiogênese favorece o câncer?

A angiogênese tumoral é um dos mecanismos que podem contribuir para a progressão do câncer, embora não seja o único. Em muitos tumores, a capacidade de estimular a formação de novos vasos sanguíneos favorece o acesso contínuo a oxigênio e nutrientes, elementos importantes para sustentar o crescimento das células malignas, especialmente à medida que a massa tumoral aumenta.

Entretanto, alguns tumores conseguem crescer, ao menos em fases iniciais ou em determinados órgãos, utilizando vasos sanguíneos já existentes, sem necessariamente induzir intensa formação de novos vasos. Mesmo assim, em muitos casos, a angiogênese passa a ter um papel relevante conforme o tumor se expande e suas demandas metabólicas aumentam.

A formação de novos vasos ou a remodelação dos vasos pré-existentes também contribui para a remoção de resíduos metabólicos, criando um ambiente que pode favorecer a sobrevivência e a proliferação das células cancerígenas. Quando esse suprimento se torna insuficiente, o crescimento tumoral tende a ser limitado, pois a difusão de oxigênio e nutrientes a partir dos vasos normais tem alcance restrito.

Outro aspecto importante é que os vasos associados ao tumor, sejam eles recém-formados ou estruturalmente alterados, costumam apresentar organização irregular, fragilidade e maior permeabilidade. Essas alterações facilitam a entrada das células malignas na corrente sanguínea, aumentando o risco de disseminação para outros tecidos e órgãos, processo conhecido como metástase.

Além disso, as alterações vasculares relacionadas ao tumor participam da formação de um microambiente tumoral específico, que pode dificultar a ação do sistema imunológico e interferir na resposta a alguns tratamentos oncológicos.

Como a angiogênese tumoral pode ser controlada?

O controle da angiogênese tumoral é uma das estratégias utilizadas no tratamento do câncer. Ao interferir no suprimento sanguíneo do tumor ou nas vias que estimulam a formação e a manutenção dos vasos, é possível reduzir o ritmo de crescimento tumoral e dificultar a disseminação da doença.

Para esse fim, foram desenvolvidas as chamadas terapias antiangiogênicas, que atuam inibindo sinais moleculares envolvidos na formação de novos vasos sanguíneos ou na manutenção da vasculatura tumoral. Um dos principais alvos dessas terapias é o VEGF, proteína frequentemente produzida em maior quantidade por tumores.

Medicamentos como o bevacizumabe atuam bloqueando a ação do VEGF, reduzindo a formação de novos vasos e alterando a função dos vasos já existentes no tumor. Com isso, o suprimento de oxigênio e nutrientes pode ser reduzido, o que contribui para desacelerar a progressão da doença em determinados contextos.

As terapias antiangiogênicas costumam ser utilizadas em combinação com outros tratamentos, como quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia, com o objetivo de potencializar os resultados.

É importante destacar que nem todos os tumores respondem da mesma forma às terapias antiangiogênicas. Alguns tipos de câncer conseguem contornar o bloqueio desses mecanismos, utilizando vias alternativas de suprimento sanguíneo ou adaptando seu metabolismo. Por isso, a pesquisa científica segue em constante evolução, buscando novos alvos e combinações terapêuticas mais eficazes e personalizadas.

Leia também: Terapias antiangiogênicas: inibindo o crescimento de vasos sanguíneos em tumores

Quando os inibidores de angiogênese podem ser indicados?

Os inibidores de angiogênese são geralmente indicados em casos de câncer avançado, metastático ou recorrente, em diferentes tipos de tumores, como câncer de pulmão, cólon, mama, fígado, pâncreas, estômago, rim e alguns tumores do sistema nervoso central.

A decisão sobre o uso desses medicamentos é individualizada e baseada em diversos fatores clínicos e biológicos. Em geral, eles são considerados quando há evidências de que o tumor depende, em maior ou menor grau, de mecanismos relacionados à angiogênese ou à alteração da vasculatura para sua progressão.

Quais são os efeitos colaterais dos inibidores de angiogênese?

Os inibidores de angiogênese atuam diretamente nos mecanismos responsáveis pela formação e pela manutenção dos vasos sanguíneos. Por esse motivo, seus efeitos colaterais estão frequentemente relacionados a alterações na função vascular, tanto nos tumores quanto em tecidos saudáveis.

Entre os efeitos adversos mais comuns e clinicamente relevantes estão:

  • Hipertensão arterial, causada por alterações na regulação do tônus dos vasos sanguíneos;
  • Sangramentos, que podem variar desde episódios leves, como sangramento nasal, até eventos mais significativos em situações específicas;
  • Aumento do risco de trombose, incluindo trombose venosa profunda e, mais raramente, eventos arteriais;
  • Problemas de cicatrização, já que a formação de novos vasos é essencial para a reparação dos tecidos;
  • Perfuração gastrointestinal, evento raro, porém grave, observado em alguns pacientes e tipos de tumor;

Proteinúria (presença de proteína na urina), decorrente de alterações nos vasos dos rins;
A ocorrência e a intensidade desses efeitos variam conforme o medicamento utilizado, a dose, o tempo de tratamento e as condições clínicas individuais do paciente. Em muitos casos, os efeitos são manejáveis com monitorização adequada, ajustes de dose e tratamento de suporte.

Apesar dos riscos, os inibidores de angiogênese costumam apresentar uma relação benefício–risco favorável quando bem indicados. Por isso, seu uso exige acompanhamento rigoroso por uma equipe especializada, com avaliações periódicas da pressão arterial, da função renal e de sinais de sangramento ou trombose.

A indicação e o seguimento desse tipo de tratamento são sempre realizados por um médico oncologista, com base em uma avaliação cuidadosa do quadro clínico, dos exames e do histórico de saúde do paciente.

Se precisar, pode contar com a Oncologia D’Or!

A Oncologia D’Or transforma o cuidado com o câncer por meio de uma rede integrada de clínicas e centros de tratamento presentes em diversos estados do país. Com um corpo clínico especializado e equipes multidisciplinares dedicadas, proporcionamos uma jornada de atendimento que une tecnologia avançada, diagnóstico ágil e tratamentos personalizados.

Como parte da Rede D’Or, a maior rede de saúde da América Latina, garantimos acesso às estruturas hospitalares mais modernas e aos avanços científicos que fazem a diferença na vida dos pacientes.

Nosso compromisso é oferecer excelência, conforto e segurança em todas as etapas do tratamento oncológico, promovendo saúde e qualidade de vida.

Revisor científico
Dra. Fernanda Frozoni Antonacio
Oncologista Clínica
Rede D’or – Hospital Vila Nova Star e Hospital São Luiz Itaim

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