Câncer de unha: o que é o melanoma acral? Tem cura?
O melanoma acral, também denominado melanoma ungueal quando afeta as unhas, é um subtipo raro e agressivo de melanoma cutâneo (câncer de pele) que se manifesta em áreas da pele com menor exposição solar, como as palmas das mãos, as plantas dos pés e o leito ungueal (unha). Representando entre 1% e 3% de todos os casos de melanoma, sua gravidade reside no diagnóstico frequentemente tardio e em seu potencial invasivo.
Melanoma acral: o que é?
O melanoma acral é classificado como uma variante do melanoma lentiginoso acral, distinguindo-se por sua origem em regiões da pele que não foram cronicamente expostas à radiação solar ultravioleta (UV). Ao contrário de outros melanomas, a etiologia do melanoma acral está primariamente associada a fatores genéticos, mutações celulares e, possivelmente, traumas repetitivos, e não à exposição solar cumulativa. Observa-se uma maior prevalência em indivíduos com fototipos de pele mais escuros, como afrodescendentes, embora possa ocorrer em qualquer etnia.
Quais são os sintomas do câncer de unha?
Os sinais iniciais do melanoma acral podemser confundidos com condições benignas comuns, como hematomas subungueais (manchas roxas por trauma) ou onicomicose (infecção fúngica da unha), o que frequentemente leva a um atraso no diagnóstico. Os sintomas mais característicos incluem:
- Melanoníquia longitudinal: Presença de uma mancha ou faixa escura (marrom a preta) na unha, com tendência a aumentar em largura e comprimento ao longo do tempo.
- Alterações na lâmina ungueal: alteração na textura ou deformidade da unha.
- Sinal de Hutchinson: Escurecimento da pele ao redor da cutícula
- Hemorragia subungueal: Sangramento sob a unha sem histórico de trauma significativo.
- Ulceração ou nodulação: Formação de ferida ou nódulo na região da unha ou ao redor.
- Dor: Sintoma menos comum nos estágios iniciais, podendo surgir em fases mais avançadas.
A semelhança desses sinais com condições benignas reforça a importância da avaliação médica especializada diante de qualquer alteração persistente na unha.
Câncer de unha pode matar?
Sim, o melanoma acral pode ser fatal se não tratado precocemente. Por sua natureza agressiva e localização delicada, ele tende a se espalhar para outros órgãos (metástase) quando diagnosticado em estágios avançados.
Diagnóstico
O diagnóstico preciso do melanoma acral envolve uma abordagem multimodal:
- Exame clínico detalhado: Avaliação visual das alterações na unha, na pele periungueal e em outras áreas do corpo, buscando por sinais suspeitos.
- Dermatoscopia: Utilização de um microscópio de superfície da pele (dermatoscópio) para visualizar padrões de mancha específicos não visíveis a olho nu, auxiliando na diferenciação entre lesões benignas e malignas. A dermatoscopia da unha possui critérios específicos para o melanoma acral.
- Biópsia: Remoção cirúrgica de uma amostra da lesão suspeita para análise. A biópsia é essencial para confirmar o diagnóstico, determinar o tipo celular, a espessura de Breslow (indicador de profundidade e risco de metástase) e o índice mitótico (velocidade de proliferação celular), informações cruciais para o estadiamento e planejamento terapêutico.
A conscientização limitada sobre o melanoma acral e a apresentação clínica inicial inespecífica contribuem para o diagnóstico tardio, impactando negativamente as chances de cura.
Câncer de unha tem cura?
O melanoma acral tem cura quando detectado precocemente. O tratamento principal é a retirada cirúrgica completa do tumor, com uma margem de segurança ao redor, determinada pela profundidade do câncer (medida de Breslow). No melanoma de unha, a cirurgia pode remover toda a estrutura da unha. Em situações mais avançadas, pode ser preciso amputar parte do dedo ou da extremidade para controlar a doença na região e evitar recidivas.
Quando o câncer já se espalhou para outras partes do corpo (metástase), outros tratamentos podem ser usados, como:
Em casos de doença metastática, opções terapêuticas adicionais podem incluir:
- Terapia sistêmica: Quimioterapia, imunoterapia (inibidores de checkpoint imunológico, como anti-PD-1 e anti-CTLA-4), e terapia-alvo (inibidores de BRAF e MEK para pacientes com mutações específicas no gene BRAF). A escolha da terapia sistêmica depende do perfil molecular do tumor e do estado geral do paciente.
- Radioterapia: Pode ser utilizada para controle local de metástases ou em casos selecionados de doença primária irressecável.
- Cirurgia para metástases: Em alguns casos, a remoção cirúrgica de metástases isoladas pode ser considerada.
A reconstrução cirúrgica da área afetada pode ser realizada após a remoção do tumor para melhorar a funcionalidade e o aspecto estético.
O prognóstico do melanoma acral está fortemente relacionado ao estágio do diagnóstico. Pacientes diagnosticados e tratados em estágios iniciais apresentam taxas de sucesso terapêutico superiores a 80%.
Prevenção
A detecção precoce é crucial para o tratamento do melanoma acral, já que a prevenção primária não é totalmente definida. As estratégias incluem autoexame regular das unhas e extremidades, atenção aos sinais como manchas escuras e alterações, consulta imediata ao dermatologista diante de qualquer suspeita e exames dermatoscópicos de rotina para grupos de risco. A vigilância e a busca por avaliação médica especializada são as melhores formas de aumentar as chances de cura.



