Você está em Oncologia D`Or
Você está em Oncologia D`Or

Carcinogênese: como as células se tornam cancerígenas

Entenda o processo de carcinogênese, como surge o câncer e o que influencia esse desenvolvimento.

O câncer está entre as principais causas de morbidade e mortalidade no mundo. No Brasil, a estimativa é de cerca de 781 mil novos casos por ano até 2028, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Apesar de ser uma doença amplamente conhecida e frequente, ainda existem muitas dúvidas sobre como os tumores malignos se formam no organismo.

Entender os processos envolvidos no desenvolvimento do câncer, conhecidos como carcinogênese, é fundamental não apenas para ampliar o conhecimento sobre a doença, mas também para orientar estratégias de prevenção, rastreamento, diagnóstico precoce e tratamento.

O que é a carcinogênese?

A carcinogênese é o processo pelo qual células normais passam por alterações e se transformam em células cancerígenas. Esse fenômeno não ocorre de forma repentina: trata-se de uma sequência gradual de mudanças no material genético (DNA) e no funcionamento celular, capazes de afetar os mecanismos que controlam crescimento, divisão e morte das células.

Em condições normais, as células do organismo crescem, dividem-se e morrem de maneira organizada, obedecendo a mecanismos rigorosos de controle. No entanto, quando ocorrem mutações no DNA, provocadas tanto por fatores internos quanto externos, esse equilíbrio pode ser perdido. Como consequência, algumas células passam a se multiplicar de forma descontrolada, podendo dar origem a tumores.

Além das alterações genéticas, hoje se sabe que mudanças epigenéticas, que modificam a forma como os genes são ativados ou silenciados sem alterar diretamente a sequência do DNA, também desempenham papel importante no desenvolvimento do câncer.

Quais são as etapas da carcinogênese?

A carcinogênese é geralmente dividida em três etapas principais:

Iniciação: ocorre quando o DNA da célula sofre uma mutação permanente;

Promoção: as células alteradas passam a se multiplicar de forma anormal, geralmente estimuladas por fatores que favorecem sua proliferação;

Progressão: as células acumulam novas alterações genéticas e adquirem características mais agressivas, tornando-se capazes de invadir tecidos e se disseminar para outras regiões do corpo.

Esse processo costuma levar anos ou até décadas para se desenvolver, o que cria oportunidades importantes para prevenção, rastreamento, diagnóstico precoce e tratamento em fases iniciais.

Como o câncer se forma?

A formação do câncer começa quando células do corpo passam a se comportar de maneira desordenada, crescendo e se multiplicando sem controle. Esse processo está relacionado principalmente a alterações no DNA, o material genético responsável por regular o funcionamento das células.

Chamadas de mutações, essas alterações podem afetar genes que controlam o ciclo celular. Entre eles estão os proto-oncogenes, que estimulam o crescimento celular, os genes supressores de tumor, que limitam a proliferação excessiva, e os genes de reparo do DNA, responsáveis por corrigir danos genéticos.

Ao longo do tempo, essas células alteradas acumulam novas mutações e tornam-se progressivamente diferentes das células normais. Elas passam a ignorar sinais que indicariam a necessidade de interromper a divisão celular ou até mesmo de entrar em morte celular programada, conhecida como apoptose.

Além disso, as células cancerígenas podem desenvolver outras capacidades importantes para a progressão tumoral, como estimular a formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese), escapar da ação do sistema imunológico e invadir tecidos vizinhos.

Diversos fatores podem contribuir para o surgimento dessas alterações, incluindo tabagismo, exposição excessiva à radiação ultravioleta, obesidade, alimentação inadequada, sedentarismo, consumo excessivo de álcool, infecções e predisposição genética hereditária. Em geral, o câncer não surge por uma única causa, mas pela combinação de múltiplos fatores ao longo do tempo.

O que são células cancerígenas?

Células cancerígenas são células do organismo que sofreram alterações genéticas e passaram a se comportar de maneira anormal. Diferentemente das células saudáveis, elas crescem e se dividem de forma descontrolada, sem respeitar os mecanismos naturais que regulam o funcionamento dos tecidos.

Essas células também podem apresentar capacidade de sobreviver por mais tempo do que o esperado, resistir à morte celular programada e invadir estruturas vizinhas.

Como as células cancerígenas diferem das células normais?

As células cancerígenas apresentam diferenças importantes em relação às células normais, especialmente na maneira como crescem, se dividem e interagem com o organismo.

Característica Células normais Células cancerígenas
Crescimento Controlado e equilibrado Descontrolado e acelerado
Divisão celular Ocorre apenas quando necessário Acontece de forma contínua
Morte celular (apoptose) Programada e regulada Reduzida ou evitada
Resposta aos sinais do corpo Respondem aos sinais que controlam o crescimento Ignoram sinais que inibem a multiplicação
Organização Mantêm a estrutura e a função dos tecidos Perdem organização e função
Invasão de tecidos Não invadem outros tecidos Invadem tecidos vizinhos
Metástase Não se espalham pelo corpo Podem se disseminar para outros órgãos
Diferenciação São especializadas na sua função Tendem a ser menos especializadas
Relação com o sistema imunológico Geralmente reconhecidas e eliminadas Podem escapar do sistema imune
Formação de vasos (angiogênese) Não estimulam crescimento anormal de vasos Estimulam novos vasos para nutrir o tumor

Quais mutações causam câncer?

O câncer surge a partir do acúmulo de mutações em genes que controlam o funcionamento celular. Essas alterações geralmente não acontecem em apenas um gene, mas se desenvolvem progressivamente ao longo do tempo. Os principais tipos envolvidos são:

1. Mutações em proto-oncogenes

Os proto-oncogenes são genes normais que participam do crescimento e da divisão celular. Quando sofrem mutações ou passam por ativação excessiva, transformam-se em oncogenes, enviando sinais contínuos para que a célula se divida, mesmo sem necessidade.

2. Mutações em genes supressores de tumor

Esses genes funcionam como “freios” do crescimento celular. Quando são inativados por mutações, a célula perde parte da capacidade de controlar sua divisão. Um dos exemplos mais conhecidos é o gene TP53, frequentemente alterado em diversos tipos de câncer.

3. Mutações em genes de reparo do DNA

Esses genes são responsáveis por corrigir erros que surgem naturalmente no DNA. Quando estão alterados, os danos genéticos deixam de ser reparados adequadamente, favorecendo o acúmulo progressivo de mutações.

O que são oncogenes?

Oncogenes são genes alterados que estimulam o crescimento e a divisão celular de maneira excessiva e descontrolada. Eles se originam a partir de genes normais do organismo, chamados proto-oncogenes.

Quando sofrem mutações, amplificações ou outras alterações, passam a atuar de forma hiperativa, enviando sinais constantes para que a célula continue se multiplicando. Esse comportamento contribui diretamente para o desenvolvimento e a progressão do câncer.

Diferentemente dos genes supressores de tumor, nos quais geralmente é necessária a perda das duas cópias do gene para ocorrer alteração importante, uma única cópia alterada de um oncogene já pode ser suficiente para impactar o funcionamento celular.

Quais agentes são considerados cancerígenos?

Agentes cancerígenos, ou carcinógenos, são substâncias, exposições ou fatores capazes de aumentar o risco de câncer ao provocar danos celulares e alterações no DNA. Eles costumam ser divididos em três grandes grupos:

Agentes físicos: como a radiação ultravioleta (UV) e a radiação ionizante;

Agentes químicos: como substâncias presentes no tabaco, álcool, amianto, poluição atmosférica e benzeno;

Agentes biológicos: como alguns vírus, bactérias e parasitas associados ao câncer, incluindo o HPV, os vírus das hepatites B e C e a bactéria Helicobacter pylori.

A exposição prolongada ou combinada a esses agentes pode aumentar significativamente a chance de mutações celulares e, consequentemente, do desenvolvimento do câncer.

Quais hábitos causam câncer?

Existem hábitos cotidianos que podem aumentar o risco de desenvolver câncer, especialmente quando mantidos por longos períodos. Eles podem expor o organismo a agentes cancerígenos ou favorecer alterações celulares e inflamação crônica. Entre os principais estão:

1. Tabagismo

O cigarro contém dezenas de substâncias cancerígenas capazes de danificar o DNA. O tabagismo está associado a diversos tipos de câncer, incluindo pulmão, boca, laringe, esôfago, bexiga, rim e pâncreas.

2. Consumo excessivo de álcool

O consumo frequente e excessivo de bebidas alcoólicas está relacionado ao aumento do risco de vários tipos de câncer, como os de fígado, mama, esôfago e cavidade oral. Além disso, o álcool potencializa os efeitos nocivos do tabaco.

3. Alimentação inadequada

Dietas ricas em alimentos ultraprocessados, carnes processadas e gorduras em excesso, associadas ao baixo consumo de frutas, verduras, legumes e fibras, podem contribuir para o aumento do risco de câncer.

4. Sedentarismo e obesidade

A falta de atividade física e o excesso de peso estão relacionados a alterações hormonais, metabólicas e inflamatórias que podem favorecer o desenvolvimento tumoral.

5. Exposição solar sem proteção

A exposição excessiva aos raios ultravioleta (UV), especialmente sem uso de proteção adequada, aumenta o risco de câncer de pele, incluindo o melanoma.

Assim, adotar hábitos saudáveis é uma das principais formas de prevenção do câncer. Entre as medidas recomendadas estão não fumar, evitar o consumo excessivo de álcool, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar o peso corporal, utilizar proteção solar e manter a vacinação em dia, como contra o HPV e a hepatite B.

Também é importante realizar consultas médicas regulares e exames preventivos, que ajudam a identificar alterações precocemente, muitas vezes antes mesmo do surgimento de sintomas.

Leia também: Câncer: por que o risco de desenvolver a doença aumenta com a idade?

O que é metástase e como o câncer se espalha?

A metástase é o processo pelo qual células cancerígenas se desprendem do tumor original e se espalham para outras partes do corpo, formando novos tumores.

Esse processo acontece quando células tumorais adquirem a capacidade de invadir tecidos vizinhos e alcançar vasos sanguíneos ou vasos linfáticos. A partir daí, elas podem viajar pela corrente sanguínea ou pelo sistema linfático até outros órgãos.

Ao chegar a um novo local, algumas dessas células conseguem se adaptar ao ambiente, sobreviver e voltar a se multiplicar, originando um novo tumor chamado tumor metastático. Mesmo localizado em outra parte do corpo, esse tumor mantém características do câncer de origem.

A metástase é uma das principais características dos cânceres avançados e representa uma das maiores causas de mortalidade relacionada à doença. Por isso, o diagnóstico precoce é essencial: identificar o tumor em estágios iniciais aumenta as chances de tratamento eficaz, possibilita abordagens menos agressivas e melhora significativamente as chances de cura e controle da doença.

Se precisar, pode contar com a Oncologia D’Or!

A Oncologia D’Or transforma o cuidado com o câncer por meio de uma rede integrada de clínicas e centros de tratamento presentes em diversos estados do país. Com um corpo clínico especializado e equipes multidisciplinares dedicadas, proporcionamos uma jornada de atendimento que une tecnologia avançada, diagnóstico ágil e tratamentos personalizados.

Como parte da Rede D’Or, a maior rede de saúde da América Latina, garantimos acesso às estruturas hospitalares mais modernas e aos avanços científicos que fazem a diferença na vida dos pacientes.

Nosso compromisso é oferecer excelência, conforto e segurança em todas as etapas do tratamento oncológico, promovendo saúde e qualidade de vida.

Revisão médica:

Dra. Fernanda Frozoni Antonacio

Oncologista Clínica

Compartilhe este artigo