O câncer de ovário é um dos tumores ginecológicos mais importantes e potencialmente graves. Embora seja menos frequente do que o câncer de colo do útero e o câncer de endométrio, ele apresenta elevada taxa de mortalidade, principalmente porque costuma ser diagnosticado em fases mais avançadas. A doença se desenvolve nos ovários, dois órgãos localizados na pelve feminina responsáveis pela produção dos óvulos e de hormônios como estrogênio e progesterona.
O câncer surge quando células dessa região passam a crescer de forma desordenada, formando um tumor que pode invadir estruturas próximas e, em alguns casos, se espalhar para outras partes do corpo. Existem diferentes tipos de câncer de ovário, sendo o carcinoma epitelial o mais comum entre as mulheres adultas.
Quais são os sintomas do câncer de ovário?
Os sintomas do câncer de ovário costumam ser discretos no início e frequentemente são confundidos com problemas digestivos, urinários ou hormonais mais comuns. Por isso, é importante observar sinais persistentes e fora do padrão habitual do organismo.
Entre os sintomas mais frequentes estão:
- Inchaço ou aumento do volume abdominal;
- Dor ou desconforto na região pélvica ou abdominal;
- Sensação de saciedade rápida ao comer;
- Dificuldade para se alimentar normalmente;
- Alterações intestinais, como constipação;
- Necessidade frequente ou urgente de urinar;
- Perda ou ganho de peso sem causa aparente;
- Fadiga intensa;
- Dores nas costas;
- Alterações menstruais, em alguns casos.
Na maioria das vezes, esses sintomas aparecem de forma persistente e progressiva. Quando ocorrem quase diariamente por algumas semanas, é fundamental procurar avaliação médica. Embora nem sempre indiquem câncer de ovário, a investigação adequada é importante para identificar possíveis alterações precocemente.
Como é feito o diagnóstico do câncer de ovário?
O diagnóstico do câncer de ovário pode ser desafiador justamente porque a doença costuma evoluir silenciosamente nas fases iniciais. Em muitos casos, ela é descoberta apenas em estágios mais avançados.
A investigação geralmente começa com a avaliação clínica realizada pelo ginecologista, que analisa os sintomas, o histórico de saúde da paciente e possíveis fatores de risco familiares. O exame físico e o exame ginecológico também ajudam a identificar alterações na região pélvica.
Quando existe suspeita, podem ser solicitados exames de imagem, como:
- Ultrassonografia transvaginal;
- Tomografia computadorizada;
- Ressonância magnética;
O exame de sangue CA-125 também pode ser utilizado. Esse marcador tumoral pode estar elevado em alguns casos de câncer de ovário, especialmente nos tumores epiteliais. Entretanto, ele não confirma o diagnóstico isoladamente, já que também pode sofrer alterações em doenças benignas, como endometriose, miomas e processos inflamatórios.
Mas a confirmação diagnóstica realmente depende da análise anatomopatológica do tumor, obtida por meio de cirurgia ou biópsia. Em muitos casos, a própria cirurgia utilizada para retirar o tumor também permite confirmar o diagnóstico e definir a extensão da doença.
Após a confirmação, são realizados exames complementares para determinar o estadiamento, ou seja, avaliar se o câncer permanece restrito aos ovários ou se houve disseminação para outras regiões do corpo como o PET-CT, por exemplo. Essa etapa é essencial para definir o tratamento mais adequado.
Leia também: Como saber se o câncer se espalhou?
Quais são os tratamentos disponíveis?
A cirurgia é uma das principais etapas do tratamento do câncer de ovário e tem como objetivo remover o máximo possível da doença, procedimento conhecido como citorredução cirúrgica. Dependendo da extensão do tumor, pode ser necessária a retirada dos ovários, das trompas, do útero, do omento e, em alguns casos, de outros tecidos comprometidos na cavidade abdominal.
Nos estágios iniciais, a cirurgia pode ser suficiente para o controle da doença em algumas pacientes. Já nos casos mais avançados, especialmente no estágio III, o tratamento costuma envolver a combinação de cirurgia e quimioterapia. Nessa situação, muitas pacientes podem se beneficiar do início da quimioterapia antes da operação, estratégia chamada de quimioterapia neoadjuvante. O objetivo é reduzir o volume do tumor, aumentar as chances de uma cirurgia mais eficaz e diminuir riscos cirúrgicos. Após a cirurgia, a quimioterapia geralmente é retomada para complementar o tratamento.
A escolha entre realizar a cirurgia inicialmente ou começar pela quimioterapia depende de diversos fatores, como a extensão da doença, a possibilidade de remoção completa do tumor, o estado geral de saúde da paciente e a avaliação da equipe médica especializada. Estudos mostram que, em pacientes selecionadas, a abordagem com quimioterapia antes da cirurgia pode oferecer resultados melhores do que os da cirurgia inicial, com menor taxa de complicações em alguns cenários.
Os medicamentos quimioterápicos circulam pelo organismo e atuam principalmente sobre células com crescimento acelerado, como as células tumorais.
Nos últimos anos, os avanços da medicina trouxeram novas possibilidades terapêuticas, incluindo as terapias-alvo. Entre elas, destacam-se os inibidores de PARP, utilizados principalmente em pacientes com mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 ou em tumores com deficiência nos mecanismos de reparo do DNA. Essas medicações atuam de forma mais direcionada sobre as células cancerígenas e têm mostrado resultados importantes no controle da doença e no aumento do tempo livre de progressão.
Em alguns casos específicos, a imunoterapia também pode ser considerada, especialmente em tumores com determinadas características moleculares, embora seu papel ainda seja mais limitado quando comparado a outros tipos de câncer.
Confira: Terapia-alvo – o que é, como funciona e como é feita
Câncer de ovário tem cura?
Sim, o câncer de ovário pode ter cura, especialmente quando diagnosticado precocemente. As chances de sucesso do tratamento dependem de diversos fatores, como:
- Estágio da doença no momento do diagnóstico;
- Tipo e subtipo do tumor;
- Possibilidade de remoção completa da doença na cirurgia;
- Resposta ao tratamento;
- Estado geral de saúde da paciente.
Apesar de relativamente menos frequente, o câncer de ovário está entre os tumores ginecológicos com maior mortalidade, principalmente devido ao diagnóstico tardio. Por isso, reconhecer sinais suspeitos e procurar avaliação médica precocemente faz diferença importante no prognóstico.
Quando identificado em fases iniciais, as taxas de controle e cura são significativamente maiores. Mesmo em casos avançados, porém, existem tratamentos eficazes capazes de controlar a doença, aliviar sintomas, prolongar a sobrevida e preservar a qualidade de vida.
Quais são os estágios do câncer de ovário?
O câncer de ovário é classificado em estágios de acordo com a extensão da doença no organismo. Esse processo é chamado de estadiamento e ajuda a orientar o tratamento e estimar o prognóstico.
| Classificação | Características |
| Estágio I | O câncer está restrito a um ou ambos os ovários. É a fase inicial da doença e, quando diagnosticada nesse momento, as chances de cura costumam ser maiores. |
| Estágio II | O tumor se espalhou para outras estruturas da pelve, como útero, trompas, bexiga ou reto, mas permanece limitado à região pélvica. |
| Estágio III | O câncer se disseminou além da pelve, atingindo o peritônio abdominal e/ou linfonodos regionais. Este é um dos estágios mais frequentes no momento do diagnóstico. |
| Estágio IV | É o estágio mais avançado, caracterizado pela presença de metástases em órgãos distantes, como fígado, pulmões ou outras regiões fora da cavidade abdominal. |
Cada estágio ainda pode ser subdividido em categorias mais específicas, como IA, IB, IIIC e IVA, permitindo uma avaliação mais detalhada da extensão da doença.
O que aumenta a chance de ter câncer de ovário?
O câncer de ovário não possui uma causa única definida, mas alguns fatores estão associados ao aumento do risco de desenvolvimento da doença.
Entre os principais fatores de risco estão:
- Idade mais avançada, especialmente após a menopausa;
- Nunca ter engravidado;
- Primeira gestação em idade mais tardia;
- Menstruação precoce;
- Menopausa tardia;
- Histórico familiar de câncer de ovário, mama, endométrio ou colorretal;
- Mutações genéticas, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2;
- Síndrome de Lynch;
- Obesidade e excesso de gordura corporal;
- Tabagismo, em alguns subtipos tumorais;
- Exposição ocupacional ao amianto (asbesto).
Ter um ou mais fatores de risco não significa necessariamente que a mulher desenvolverá câncer de ovário. Da mesma forma, a ausência desses fatores não elimina completamente o risco da doença.
Por outro lado, alguns fatores parecem exercer efeito protetor, como:
- Uso de anticoncepcionais hormonais por períodos prolongados, sob orientação médica;
- Gestação;
- Amamentação;
- Laqueadura tubária, em algumas situações;
- Cirurgias redutoras de risco em pacientes com mutações genéticas específicas.
Além disso, o acompanhamento regular com o ginecologista é fundamental. Consultas periódicas ajudam a avaliar a saúde da mulher de forma global e permitem investigar precocemente sinais e sintomas suspeitos.
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