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Câncer gastrointestinal: o que é, sintomas e complicações

Dor abdominal, sangue nas fezes e alterações intestinais podem estar entre os sinais de tumores malignos que se desenvolvem no trato gastrointestinal ou em órgãos do sistema digestivo.

Os cânceres gastrointestinais estão entre os tipos de câncer mais frequentes no Brasil e no mundo. Entenda a seguir o que caracteriza esse grupo de doenças, seus principais sintomas, possíveis complicações e como pode ser realizado o diagnóstico e o tratamento.

O que é o câncer gastrointestinal?

O câncer gastrointestinal é um grupo de tumores malignos que se desenvolvem nos órgãos do sistema digestivo, incluindo o esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso (cólon), reto, ânus, fígado, pâncreas e vias biliares.

Embora sejam agrupados sob o mesmo termo, cada tipo apresenta características próprias. O câncer colorretal, por exemplo, está entre os mais frequentes no mundo, enquanto os cânceres de pâncreas e esôfago são menos comuns, porém frequentemente diagnosticados em estágios mais avançados.

As causas dos cânceres gastrointestinais são variadas e resultam da interação entre fatores genéticos, envelhecimento, hábitos de vida e doenças preexistentes. Entre os principais fatores de risco estão:

  • Tabagismo;
  • Consumo excessivo de álcool;
  • Obesidade;
  • Alimentação rica em carnes processadas e alimentos ultraprocessados e pobre em fibras;
  • Sedentarismo;
  • Doenças inflamatórias crônicas do aparelho digestivo;
  • Infecções específicas, como Helicobacter pylori (câncer de estômago) e hepatites B e C (câncer de fígado), em alguns tipos de tumor.

Sintomas do câncer gastrointestinal

Os sintomas variam conforme o órgão afetado, o tamanho do tumor e o estágio da doença. Em muitos casos, especialmente nas fases iniciais, eles podem ser discretos ou facilmente confundidos com doenças digestivas benignas, retardando o diagnóstico.

Entre os sintomas mais frequentes estão:

  • Dor abdominal persistente;
  • Alterações do hábito intestinal, como diarreia ou prisão de ventre;
  • Sangue nas fezes;
  • Fezes muito escuras (melena), geralmente indicativas de sangramento no trato digestivo alto;
  • Sensação de saciedade precoce, com estômago cheio após pequenas refeições;
  • Dificuldade para engolir;
  • Náuseas e vômitos recorrentes;
  • Pele e olhos amarelados (icterícia);
  • Perda de peso sem causa aparente;
  • Cansaço excessivo;
  • Fraqueza.

Diversas doenças benignas do aparelho digestivo podem provocar manifestações semelhantes. Por isso, qualquer alteração persistente, progressiva ou incomum deve ser avaliada por um médico.

Complicações do câncer gastrointestinal

Quando não é diagnosticado e tratado precocemente, o câncer gastrointestinal pode evoluir e causar complicações que comprometem tanto o funcionamento do sistema digestivo quanto a saúde geral do paciente.

A gravidade depende do tipo de tumor, da sua localização e do estágio da doença. Entre as principais complicações estão:

  • Obstrução do trato digestivo;
  • Sangramentos que podem causar anemia;
  • Desnutrição e perda importante de peso;
  • Perfuração de órgãos do aparelho digestivo;
  • Disseminação do câncer para outros órgãos (metástases).

Além das complicações físicas, dor crônica, alterações alimentares, limitações nas atividades diárias, ansiedade e depressão também podem comprometer significativamente a qualidade de vida, reforçando a importância de um cuidado multidisciplinar.

Tipos de câncer gastrointestinal

O câncer gastrointestinal engloba diversos tumores malignos que podem surgir ao longo do sistema digestivo. Embora compartilhem algumas características, cada tipo possui sintomas, fatores de risco, formas de diagnóstico e tratamentos específicos.

Os principais tipos são:

Independentemente do tipo, o diagnóstico precoce continua sendo um dos principais fatores para aumentar as chances de sucesso do tratamento. Por isso, a investigação de sintomas persistentes e a realização dos exames indicados pelo médico são fundamentais.

Endoscopia detecta câncer gastrointestinal?

A endoscopia digestiva alta é um dos principais exames para identificar tumores do esôfago, estômago e da porção inicial do intestino delgado.

Além de permitir a visualização direta da mucosa do aparelho digestivo, o exame possibilita a realização de biópsias. Quando o médico identifica uma lesão suspeita, pequenas amostras de tecido podem ser coletadas para análise em laboratório. A biópsia é o exame que confirma ou descarta o diagnóstico de câncer e permite identificar o tipo de tumor.

Entretanto, a endoscopia digestiva alta não avalia todo o sistema gastrointestinal. Para investigar tumores do intestino grosso e do reto, por exemplo, o exame indicado é a colonoscopia, que também permite a realização de biópsias e, em alguns casos, a retirada de pólipos que podem dar origem ao câncer.

Diagnóstico do câncer gastrointestinal

A investigação geralmente começa durante a consulta médica, quando são avaliados os sintomas, o histórico de saúde, antecedentes familiares e possíveis fatores de risco.

Quando existe suspeita de câncer, podem ser solicitados exames para identificar o tumor, definir sua localização e avaliar sua extensão, entre eles:

  • Endoscopia digestiva alta;
  • Colonoscopia;
  • Biópsia;
  • Pesquisa de sangue oculto nas fezes (em situações específicas, principalmente para rastreamento do câncer colorretal);
  • Exames de imagem, como tomografia computadorizada, ultrassonografia, ressonância magnética e, em alguns casos, PET-CT.

Após a confirmação do diagnóstico, é realizado o estadiamento da doença, que determina o tamanho do tumor, o comprometimento de linfonodos e a presença ou não de metástases. Essas informações são fundamentais para definir o tratamento mais adequado.

Tratamento do câncer gastrointestinal

O tratamento varia conforme o tipo de tumor, sua localização, o estágio da doença e as condições gerais de saúde do paciente. Em muitos casos, diferentes modalidades terapêuticas são combinadas para aumentar as chances de sucesso.

As principais opções incluem:

Cirurgia

Geralmente é o tratamento de escolha quando o tumor está localizado e pode ser removido com segurança. O procedimento pode envolver a retirada parcial ou total do órgão afetado, além dos linfonodos próximos.

Quimioterapia

Utiliza medicamentos capazes de destruir células cancerosas ou impedir sua multiplicação. Pode ser administrada antes da cirurgia (neoadjuvante), após a cirurgia (adjuvante) ou como tratamento principal em determinados casos.

Radioterapia

Emprega radiação para destruir células tumorais. É utilizada principalmente em alguns tipos de câncer gastrointestinal, como os de reto, esôfago e canal anal, podendo ser associada à quimioterapia.

Terapias-alvo

São medicamentos desenvolvidos para atuar sobre alterações moleculares específicas das células tumorais, como proteínas ou mutações genéticas relacionadas ao crescimento do câncer. Sua indicação depende da identificação desses alvos por exames específicos.

Imunoterapia

Estimula o sistema imunológico a reconhecer e combater as células cancerosas. Está indicada apenas para alguns pacientes, conforme o tipo de tumor e a presença de biomarcadores específicos.

Além do tratamento do câncer, muitos pacientes também recebem cuidados de suporte, incluindo acompanhamento nutricional, controle da dor, fisioterapia, apoio psicológico e cuidados paliativos quando indicados. Essas medidas contribuem para reduzir sintomas, minimizar efeitos colaterais e preservar a qualidade de vida durante todo o tratamento.

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Revisão médica:

Dra. Fernanda Frozoni Antonacio

Oncologista Clínica

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