Uma pinta que mudou de cor, uma ferida que não cicatriza ou uma mancha que surgiu recentemente na pele podem despertar uma preocupação comum: será que isso pode ser câncer?
A resposta é que nem toda lesão na pele é sinal de câncer. Muitas alterações cutâneas são benignas e podem estar relacionadas a processos inflamatórios, infecções, alergias, envelhecimento da pele ou exposição solar excessiva. No entanto, algumas lesões podem representar, sim, os primeiros sinais de um câncer de pele, o tipo de câncer mais frequente no Brasil e no mundo.
Por isso, observar mudanças na pele e procurar avaliação médica quando houver dúvidas é fundamental. O diagnóstico precoce aumenta as chances de um tratamento bem-sucedido e pode evitar complicações mais graves.
Pinta, mancha ou ferida: quando se preocupar?
A pele pode apresentar diversas alterações ao longo da vida. Na maioria das vezes, elas são benignas e não representam risco à saúde. Ainda assim, determinadas mudanças merecem atenção especial, principalmente quando surgem de forma inesperada ou evoluem com o passar do tempo.
Os principais sinais de alerta são:
- Mudanças em uma pinta já existente, como aumento de tamanho, alteração do formato ou da cor;
- Surgimento de uma nova lesão na idade adulta;
- Manchas que aumentam de tamanho, mudam de coloração ou apresentam bordas irregulares;
- Feridas que não cicatrizam após algumas semanas, sangram com facilidade ou formam crostas repetidamente.
Para ajudar na identificação de possíveis sinais de melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele, os dermatologistas utilizam a regra do ABCDE:
- A (Assimetria): uma metade da lesão é diferente da outra;
- B (Bordas): contornos irregulares, mal definidos ou serrilhados;
- C (Cor): presença de diferentes tonalidades na mesma lesão, como marrom, preto, avermelhado ou áreas mais claras;
- D (Diâmetro): lesões com mais de 6 milímetros merecem avaliação, embora melanomas menores também possam ocorrer;
- E (Evolução): qualquer mudança no aspecto da pinta ao longo do tempo.
Além dessas características, sintomas como coceira persistente, dor, sensibilidade ou sangramento sem causa aparente também justificam uma consulta com o dermatologista.
Somente a avaliação médica é capaz de determinar se uma lesão é benigna ou maligna. Por isso, o mais indicado é sempre procurar orientação especializada.
Uma pinta pode virar câncer?
Sim, algumas pintas podem evoluir para câncer de pele. Isso, porém, não significa que todas sejam perigosas ou que inevitavelmente se transformarão em câncer.
Também chamadas de nevos melanocíticos, as pintas são formadas pelo agrupamento de células produtoras de pigmento, os melanócitos. A maioria delas permanece estável ao longo da vida e não causa problemas. Em uma pequena parcela dos casos, entretanto, essas células podem sofrer alterações genéticas que levam ao desenvolvimento do melanoma, um dos tipos mais agressivos de câncer de pele.
O melanoma pode surgir de duas formas: a partir de uma pinta já existente ou como uma nova lesão na pele. Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver esse tipo de câncer, como:
- Histórico pessoal ou familiar de câncer de pele;
- Presença de muitas pintas pelo corpo;
- Pintas atípicas, com formatos ou cores diferentes do padrão habitual;
- Pele clara, olhos claros e maior tendência a queimaduras solares;
- Exposição excessiva à radiação ultravioleta (UV);
- Histórico de queimaduras solares intensas, especialmente na infância e adolescência.
O autoexame da pele e o acompanhamento dermatológico ajudam a identificar alterações precocemente. Quando diagnosticado nas fases iniciais, o melanoma apresenta altas taxas de cura.
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Quais são os tipos de câncer de pele?
O câncer de pele é dividido em dois grandes grupos:
1. Melanoma
É o tipo mais agressivo, embora seja menos frequente. Ele se origina nos melanócitos, células responsáveis pela produção da melanina, pigmento que dá cor à pele.
O melanoma apresenta maior potencial de invasão, metástase e mortalidade quando comparado aos demais tipos, principalmente se não for diagnosticado precocemente. Apesar disso, quando identificado nas fases iniciais, as chances de cura costumam ser bastante altas.
2. Não melanoma
Esse grupo inclui o carcinoma basocelular (CBC) e o carcinoma espinocelular (CEC), também chamado de carcinoma de células escamosas. Esses subtipos correspondem à grande maioria dos casos de câncer de pele.
Em geral, apresentam crescimento mais lento e altas taxas de cura quando diagnosticados precocemente. O carcinoma basocelular raramente provoca metástases, enquanto o carcinoma espinocelular possui maior potencial de invasão local e disseminação, sobretudo em casos avançados.
Existem ainda formas mais raras de câncer de pele não melanoma, como o carcinoma de células de Merkel., que costuma apresentar comportamento mais agressivo.
Protetor solar previne câncer?
O uso regular do protetor solar é uma das medidas mais importantes para ajudar a prevenir o câncer de pele.
A principal causa da maioria dos cânceres de pele é a exposição excessiva à radiação ultravioleta (UV), emitida pelo sol. Ao proteger a pele contra essa radiação, o filtro solar reduz os danos acumulados nas células e diminui o risco de alterações que podem levar ao desenvolvimento de tumores.
O protetor solar, porém, não deve ser a única forma de proteção. Para uma prevenção mais eficaz, recomenda-se combinar diferentes cuidados, como:
- Aplicar filtro solar com FPS 30 ou superior diariamente;
- Reaplicar o produto a cada duas horas ou após entrar na água ou suar excessivamente;
- Utilizar chapéus, bonés, óculos de sol e roupas com proteção UV;
- Procurar locais com sombra nos horários de maior intensidade solar, principalmente entre 10h e 16h;
- Optar por barracas, guarda-sóis ou coberturas de algodão ou lona, que oferecem proteção superior às de nylon;
- Evitar o uso de câmaras de bronzeamento artificial.
Vale lembrar que a radiação ultravioleta pode causar danos à pele mesmo em dias nublados. Por isso, a proteção solar deve fazer parte da rotina durante todo o ano, e não apenas em períodos de lazer ao ar livre ou no verão.
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Quando procurar um dermatologista?
Nem toda pinta, mancha ou ferida é motivo para preocupação. Ainda assim, qualquer alteração persistente ou suspeita deve ser avaliada por um dermatologista para que um diagnóstico preciso seja feito o mais cedo possível.
Além da avaliação de lesões suspeitas, consultas periódicas com o dermatologista são especialmente importantes para pessoas com fatores de risco, como pele clara, grande quantidade de pintas e histórico de queimaduras solares.
Durante a consulta, o médico pode examinar a pele por meio da dermatoscopia e, quando necessário, solicitar uma biópsia para confirmar ou descartar o diagnóstico.
Dermatoscopia dói?
Não. A dermatoscopia é um exame simples, rápido e indolor, utilizado para avaliar pintas, manchas e outras lesões da pele.
O exame é realizado com um aparelho chamado dermatoscópio, que permite observar estruturas da pele que não são visíveis a olho nu, auxiliando na identificação precoce de alterações suspeitas.
Como se trata de um procedimento não invasivo, sem cortes ou agulhas, a dermatoscopia não causa dor e pode ser realizada durante a própria consulta dermatológica.
Embora forneça informações muito importantes, a dermatoscopia não substitui a biópsia quando há suspeita de malignidade. Nesses casos, a retirada de uma pequena amostra da lesão pode ser necessária para confirmar o diagnóstico.
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