Embora muitas pessoas nunca tenham ouvido falar, o câncer nas trompas realmente existe, embora seja considerado bastante raro. As trompas de Falópio são dois pequenos canais localizados ao lado do útero, responsáveis por transportar os óvulos dos ovários até o útero. Dessa forma, elas exercem um papel fundamental na fertilidade feminina e no processo de fecundação.
O câncer das trompas de Falópio corresponde a aproximadamente 1% dos cânceres ginecológicos, o que o caracteriza como uma condição pouco comum. Ainda assim, sua raridade não diminui a relevância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado, que podem impactar diretamente o prognóstico da doença.
O que é o câncer nas trompas de Falópio?
O câncer nas trompas de Falópio, também chamadas de tubas uterinas, é um tipo raro de tumor maligno que se desenvolve a partir das células que revestem internamente essas estruturas. Na maioria dos casos, ele se origina das células epiteliais, sendo o adenocarcinoma seroso de alto grau o subtipo histológico mais frequente.
Esse câncer pode ser primário, quando se inicia diretamente nas trompas, ou secundário, resultante da disseminação de tumores originados em órgãos próximos, como os ovários ou o endométrio. Estudos mais recentes indicam, inclusive, que muitos tumores anteriormente classificados como câncer de ovário podem ter origem inicial nas trompas de Falópio.
Como a doença costuma não provocar sintomas evidentes em seus estágios iniciais e pode apresentar evolução relativamente rápida, o diagnóstico frequentemente ocorre apenas quando o tumor já se disseminou para outras regiões, o que torna o quadro clínico mais complexo e o tratamento mais desafiador.
O que causa a doença?
As causas exatas do câncer nas trompas de Falópio ainda não são completamente conhecidas. No entanto, seu desenvolvimento está associado a uma combinação de fatores genéticos, hormonais e ambientais, entre os quais se destacam:
- Mutações genéticas, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2;
- Histórico pessoal ou familiar de câncer ginecológico ou de mama;
- Menarca precoce (antes dos 12 anos);
- Menopausa tardia (após os 55 anos);
- Ausência de gravidez ou primeira gestação após os 35 anos;
- Síndromes hereditárias, como a síndrome de Lynch;
- Endometriose.
É importante ressaltar que a presença de um ou mais desses fatores não significa, necessariamente, que a pessoa desenvolverá a doença. Da mesma forma, o câncer pode surgir mesmo na ausência deles. Por isso, o acompanhamento médico regular e a realização de exames ginecológicos de rotina são fundamentais para a detecção precoce.
Quais são os sinais e sintomas?
Um dos maiores desafios do câncer nas trompas de Falópio é o fato de que, nos estágios iniciais, ele pode ser assintomático ou provocar sintomas inespecíficos. Muitas vezes, as manifestações clínicas são sutis e semelhantes às de outras condições ginecológicas benignas, o que dificulta o diagnóstico precoce.
Quando presentes, os sintomas podem incluir:
- Dor pélvica persistente e/ou presença de massa palpável;
- Dor abdominal, inchaço ou distensão do abdômen;
- Redução do apetite;
- Alterações do hábito intestinal, como diarreia ou constipação;
- Aumento da frequência urinária;
- Corrimento vaginal anormal;
- Sangramento vaginal fora do período menstrual ou após a menopausa.
Esses sinais não indicam necessariamente a presença de câncer, mas sua persistência ou piora deve ser avaliada por um ginecologista. Quanto mais cedo a doença for identificada, maiores são as chances de sucesso no tratamento.
Como é feito o diagnóstico?
Devido ao seu comportamento silencioso, o câncer nas trompas de Falópio muitas vezes é diagnosticado durante cirurgias ginecológicas realizadas por outros motivos. No entanto, diante de suspeita clínica, o médico pode solicitar exames complementares para uma investigação mais detalhada, como ultrassonografia transvaginal, tomografia computadorizada, ressonância magnética e PET-CT.
A confirmação diagnóstica geralmente ocorre por meio de laparoscopia ou laparotomia exploradora, procedimentos cirúrgicos que permitem a visualização direta das estruturas pélvicas e a coleta de material para análise. O tecido retirado é avaliado em laboratório para confirmar a presença de células malignas e identificar o tipo histológico do tumor.
O marcador tumoral CA-125 pode auxiliar na investigação e no acompanhamento da doença, mas seus níveis elevados não são exclusivos do câncer, podendo também estar aumentados em condições benignas, como a endometriose e processos inflamatórios.
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Câncer nas trompas tem cura?
Sim, o câncer nas trompas de Falópio pode ter cura, especialmente quando diagnosticado em fases iniciais. Assim como em outros tipos de câncer, as chances de controle ou cura da doença dependem do estágio no momento do diagnóstico, da resposta ao tratamento e das condições gerais de saúde da paciente.
Quais são os tratamentos disponíveis?
A cirurgia é, em geral, a principal forma de tratamento do câncer nas trompas de Falópio, com o objetivo de remover completamente ou o máximo possível do tumor. O procedimento costuma incluir a histerectomia total, associada à retirada das trompas de Falópio e dos ovários.
Após a cirurgia, a maioria das pacientes é submetida à quimioterapia, visando eliminar possíveis células tumorais remanescentes e reduzir o risco de recidivas. Em situações específicas, podem ser considerados tratamentos adicionais, como terapias-alvo, imunoterapia.
Em casos selecionados, especialmente quando o câncer nas trompas de Falópio é diagnosticado em estágios mais avançados ou quando não há condições seguras para a realização de uma cirurgia inicial com retirada completa do tumor, pode ser indicada a quimioterapia antes da cirurgia, chamada de quimioterapia neoadjuvante. Esse tratamento tem como objetivo reduzir o tamanho e a extensão do tumor, facilitando uma cirurgia posterior mais eficaz, conhecida como cirurgia de intervalo. Após o procedimento cirúrgico, a quimioterapia costuma ser retomada para aumentar as chances de controle da doença e reduzir o risco de recorrência.
Após o término do tratamento, o acompanhamento médico regular é indispensável, com consultas e exames periódicos para monitorar sinais de recidiva e possíveis efeitos tardios da terapia.
Em todas as fases do cuidado oncológico, o suporte de uma equipe multidisciplinar, composta por ginecologistas, oncologistas, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e outros profissionais, é fundamental para promover não apenas o tratamento da doença, mas também a qualidade de vida e o bem-estar da paciente.
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Revisor científico
Dra. Fernanda Frozoni Antonacio
Oncologista Clínica
Rede D’or – Hospital Vila Nova Star e Hospital São Luiz Itaim


